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sexta-feira, 12 de abril de 2013

As “superbikes”. Uma paixão mal resolvida...

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Sempre gostei das “RR’s”. O ronco do 4 em linha para mim sempre foi pura música, tanto em baixa como alta rotação lá pela casa dos giros que o motor começa a cortar e inicia seu vrrrrru-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu...
 

Eu nunca me importei muito com a velocidade em si, mas sim saber que estava sobre uma máquina capaz de atingir altíssimas em qualquer bobeada minha. Uma diaba que não permitia errar ao torcer o punho inadvertidamente quando me deparasse com um buraco, sob pena de no mínimo tirar a roda dianteira do chão.

Para o dia-a-dia, muitos dizem não serem ideais. É a roda que não “gruda” quando chove, são os freios que travam demais e podem bloquear a roda da frente lhe levando ainda mais fácil ao chão, amortecedores de curto curso que não servem para nossa buraqueira indecente das estradas, a incômoda posição de quem ia dar um mergulho na piscina e esqueceu de atirar-se.

Para viajar, outros tantos fazem coro - na sua tosca unanimidade - de não prestar. É o desconforto do banco duro e curto, novamente os amortecedores que lhe transferem todas irregularidades da pista, seus punhos que doem ao segurar o peso do corpo sobre eles, a incapacidade de andarem num mínimo off road que seja e sua total inaptidão para carregarem as bagagens que a gente jura necessária para aqueles 30 dias de férias tão sonhadas em que vamos rodar os pretendidos 10.000 quilômetros. Ou os tirinhos curtos de final de semana e feriados.

Se você tem o azar de cair ou mesmo tombar com uma speed... Xiiiii!!! Lá se vai no mínimo a carenagem, um par de piscas e retrovisor. Se escolheu o “lado errado”, já é mais uma ponteira de escape e quem sabe um furo na tampa da caixa de embreagem. Como geralmente a caixa está em um lado e o escape no oposto, não tem muito “lado certo” para cair não. Tiver a sorte de conhecer quem conserte direito os plásticos, já é meio caminho andado e quem sabe alguns “mil réis” de economia. Ponteira e espelhos, ainda que minimamente arranhados, pode jogar fora e arranjar novos. Ninguém quer uma moto com queda.

E, se você tiver a grana na mão e todo o anterior der certo, conte com mais algumas semanas sem moto. Não. Não tem “slider” que dê muita conta de salvar a menina, por mais que os fabricantes e vendedores dos mesmos jurem de pé junto serem o modelo x ou z diferentes de tudo o que já se viu.

Por essas e outras, embarquei nas Big Trails, pelas quais hoje sou apaixonado. Na cidade, se não
forem realmente “bigs” – leia-se, girarem lá pelas suas 800 cilindradas – não fazem feio. Soma-se o fato de você poder subir sem medo um meio fio com elas quando todo mais apertar. Como tem pneus on off, estar chovendo ou não é o menos importante. E pode escolher qualquer caminho, qualquer rua sem calçamento que não vai fazer a mínima diferença prá elas.

As big trails tem tudo que se espera de uma moto! Agilidade, conforto, capacidade de carga, relativa economia de combustível, fazem com que a nossa coluna agradeça nos longos trajetos, não se importam com o estado de nossas indecorosas rodovias, geralmente tem uma bolha que nos protege das intempéries (e se não tem, a gente dá jeito de colocar uma que nos sirva).

Se você tem o azar de cair ou mesmo tombar com uma big trail... Vivaaa! Tendo um bom protetor de motor dificilmente terá maiores danos do que um arranhado naquele, e o resto da moto estará salvo. Tombar e nada dá no mesmo. Pior das hipótese é o pisca que se vai, e pode colocar quaquer paralelo no lugar que ninguém vai notar nada mesmo, não vai perder a “harmonia” do conjunto ao contrário do que acontece com uma speed. Imagine um pisca de cg numa speed e depois pense no mesmo em uma big trail. Entendeu a diferença? Quando quiser vendê-la se disser que tombou com ela, isso dificilmente irá desvalorizá-la.

Todo o anterior dando certo, num par de horas – ou minutos, pois será só levantar a moto e você recompor seu ego – estará pronta para seguir em frente, como se nada tivesse acontecido.

Até que eu vi um bando com esportivas na minha frente...
 

Vagarosamente desfilando por conta da lombada eletrônica, uns andando com a mão na cintura para descansar do trajeto anterior, outros abrindo os braços em cruz para esticar os músculos. Mais um outro mexia a cabeça à encostar no ombro. Na bagagem uma mochila amarrada no banco do garupa ou levada às costas.

Justamente como eu fazia...

Passamos a maldita lombada e lá veio aquela tão conhecida música. Meia dúzia de motores acelerando de forma redonda, numa orquestra a perder-se de vista no horizonte.

- Tu devias voltar para as esportivas. Tem muito mais a ver contigo, com teu jeito de ser... - me disse minha Gatinha talvez percebendo meu olhar parado mirando o infinito para onde foram.     

Desde aquele dia, reacendeu-se a chama da paixão antiga, aquela mal resolvida lá dos tempos de criança, da qual eu jurava já tinha há muito me livrado.

Ainda tenho dúvidas, claro.

Por vezes acho que estou velho demais para isso, lento demais para acompanhar uma dessas ninfas nervosas, com a mente sã demais para desfrutar toda potência que elas te entregam. Vejo-as caras demais, tecnológicas demais, tudo demais! Porque enfiar tanta grana em cima de uma máquina que no próximo ano estará desatualizada? O melhor não seria simplesmente engordar a caixinha para os tempos difíceis da terceira idade que se aproxima galopante? O que é isso, afinal, fora uma boba paixão que vem agora se manifestar quando nem chamada foi? Quem sabe, finalmente, é apenas a tal da “crise dos quarenta” que daqui há pouco vai embora?  

Ao mesmo tempo sei que minhas costas não vão agüentar para sempre, que meus reflexos tendem a piorar com o passar dos anos e que eu a cada tempo decorrido vou ficar mais medroso. Minha esposa, muito sábia, volta e meia me lembra que nossos dias passam e vamos ficando cada vez mais perto do fim do que do começo... Então a gente se pergunta o que vai fazer com a conta bancária recheada na velhice. Prolongar o sofrimento dando trato à doença, dando tempo a nos questionarmos o que fizemos da vida que nos trouxesse algum prazer? Dar tempo à interrogação do porquê não realizamos um sonho, porque não nos permitimos deitar sobre aquele tanque mais vezes, ouvindo o ronronar de seu motor? Vamos só viver um dia depois do outro ou vamos mais uma vez estar apaixonados?     

Fato que cheguei num ponto que é o “agora ou nunca”. Ou apaixono-me, ou simplesmente deixo passar.

Até este momento, o agora tem vencido.

E essa paixão tem me tirado o sono...
 

E você? Já pensou qual superesportiva mexe com seus sentidos?

Até breve!!!


Crédito das fotos:
Google Images e sites diversos
 

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