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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O que as BMWs F800GS e G650GS Sertão tem que as outras não tem?

Ando meio apaixonado...

Paixão é aquela coisa, que faz você esquecer pontos ruins e só exaltar os bons.

Estou falando da "talzinha" da BMW F800GS e da "fulaninha" G650GS Sertão, de quem você já deve ter ouvido falar, sabe de alguém que já desfrutou da mesma ou já a tem se é um cara de sorte. Na pior das hipóteses, está no mínimo louco para experimentar.

E não lhe condeno pela loucura.

Os que acompanharam as postagens anteriores sabem bem que minha paixão maior sempre foi pela R1200GS Adventure, que é moto tal a ponto de eu não ver outra que possa se equiparara a ela, por mais que as outras marcas tentem incansavelmente imitá-la. Para mim a Adventure é uma moto madura... Ou talvez eu pense assim apenas por estar cego de paixão! Porém nesses últimos tempos, resolvi tomar um banho de realidade, ainda mais com os preços que estão sendo praticados na Adventure. Acontece que infelizmente as 1200 não são ainda montada no Brasil (e dificilmente serão, pelo que dizem as más línguas) o que acaba elevando sobremaneira o preço das mesmas, ao ponto da Adventure já rondar novamente a casa dos R$ 100.000,00, o que eu acho um pouco demais para uma moto, ou, vá lá, para os meus padrões atuais.

Bom... Além disso eu, beirando meus 40, vi que toda musculação do mundo não tem sido muito eficaz nos meus 73kg e 174cm de altura. Embora tenha boas pernas e bons braços, levantar uma moto de mais de 260kg tombada, não é prá qualquer um. Sem falar, lógico, se em viagem, quando iria estar com cases laterais, top case e bagagem, estaríamos falando de beirar mais de 350kg. Ou seja, nem que fosse alterofilista tirava ela da horizontal. Então, resumidamente, não é moto prá mim. Já a tive, e digo, fora quando se está rodando, é um suplício. Estacionar é difícil, tirar do cavalete central outro parto (assim como colocar) e mesmo uma parada em pedágio tem de ser calculada, pois qualquer vacilo que lhe tire o ponto de apoio por segundos, é chão na certa! Se deixar a moto cair... Reze para umas quatro boas almas, no mínimo, lhe auxiliarem a levantá-la.

O ponto principal nem são só esses (preço e peso). O fato é que a Adventure não é motinho para o dia-a-dia. Para quem viaja muitooooo (tipo uns 50k km por ano), não duvide que vale cada centavo, mas comprá-la para a deixar parada ou para apenas UMA viagem maior ao longo do ano, no meu conceito é crime inafiançável. Em síntese, se você é "peão", assalariado e celetista, se tem apenas 30 dias de férias ao ano como eu, não recomendaria a Adventure.

E aí o que acaba "sobrando" mostra tanta qualidade quanto...

Na F800GS, tirando as partes ruins de falta de bolha alta de fábrica (a original é ridícula!), falta de protetor de manete, falta de protetor de cárter de fábrica decente (aquele troço de plástico que vem nela não serve prá muita coisa) e um tanquezinho miserável (quem mandou colocar embaixo do banco), de resto é só alegria!!!

Você chega com ela fácil a velocidades bem razoáveis de cruzeiro mesmo carregado, e geralmente sobra um motorzinho para umas arrancadas mais rápidas. Não faz feio nem no trânsito urbano e nem na estrada. Vai bem até no rural, naquela estradinha de chão maliciosa. O desesperador tanquinho de 16 litros, se você "segurar a onda" pode lhe dar uma autonomia de mais de 300Km, o que é suficiente para a maioria das pernas pela América do Sul (fora um que outro descampado na Ruta 40 e outros fins de mundo) e já é mais do que muita moto que se insinua no mercado.

Com um tanque pequeno, se ganha em agilidade (todo ônus tem seu bônus, e geralmente vice-versa) e ficamos com um peso em ordem de marcha nos 207kg, o que significa que mesmo com a moto carregada, você vai rondar os 250kg, algo bem mais razoável de se pensar em tirar do chão do que os mais de 350kg da Adventure. Até sozinho no meio do nada você já se vira bem sem ter de rezar muito.

Aquelas rodas raiadas dela vem bem a calhar, e se me dissessem hoje para escolher entre uma R1200GS "normal" e uma F800GS, eu não titubearia em me abraçar com a segunda. Já vi muita gente reclamar do banco ruim, e da bolha praticamente inexistente, mas para isso há a solução do banco modelo "confort", da própria BMW e a bolha que você troca pelo modelo "touring", deixando a F800Gs com cara de "mini-adventure". Pros mais exagerados e que querem mais emoção, nem vou falar na possibilidade de um tanque da Touratech, porque aí já começa a virar sacanagem...

A G650GS Sertão por sua vez, não fica lá muito atrás, embora eu não seja exatamente um adorador das monocilíndricas. Reconheço, porém, a facilidade de manutenção de uma mono, sabendo que nunca será dor de cabeça, esteja onde você estiver. Monos são quase como "fuscas". Difícil o mecânico da esquina não saber dar uma reparada, ainda que neste caso estejamos falando de uma BMW, um tanto mais complexa.

Na estrada, também não faz feio, e velocidades de cruzeiro até um pouco acima do que as nossas "esburacadas" rodovias brasileiras permitem são possíveis, ainda que você esteja com garupa. Caro, você vai sentir falta daquele motor à mais nas utrapassagens, mas nada que venha a lhe causar sustos. Mais ágil do que um carro ela continua sendo. Como deve.

Se formos para as vicinais, encarar uma estrada de chão então, aí a Sertão vai estar no seu lugar preferido! Magrinha e atrevida como ela só, nos seus 193kg em ordem de marcha é tão leve quanto qualquer moto de cilindrada bem menor. Se você quiser carregá-la (e aí vamos lembrar que você deve carregar uma moto de acordo com o tamanho dela, e não de acordo com o SEU tamanho ou tamanho da viagem que pretende fazer), vai ficar tranquilo na casa dos 230kg estourando, o que ainda deixa a moto levíssima e extremamente ágil. Coloque um equipamento básico de camping no bagageiro e tenha momentos "bicho grilo" inesquecíveis.

Claro que o tanque de 14 litros desanima mais ainda que na F800GS, porém dá para tentar uma autonomia maior de que 300km, com a mão leve. Aliás, tenho que aí a proposta da Sertão: é uma moto que não veio para viajar rápido. Ela vai lhe levar longe, não tenha dúvidas, mas rápido, aí é outros quinhentos. Se bem que se estivéssemos tão preocupados com velocidade, não estaríamos falando de motoaventura ou BMWs GSs, e sim do mundo "jáspion", o que não é a idéia deste espaço.

E no dia-a-dia então... Não tem prá ninguém! É moto que dá prá "subir calçada e botar medo nas velhinhas", como diria amigo meu. Quem tem uma moto grande e outra "pequena" em casa, sabe do que estou falando. Quando você acostuma a grandes motos, as menores passam a ser verdadeiro brinquedo de criança. E como divertem!!! Você manobra elas com a facilidade de quem conduz uma bicicleta.

Pronto!

Depois de tudo isso, agora tenho outro problema... Qual delas, afinal?

Minha vontade eu já sei qual é: AS DUAS!!!

Já você, que pode escolher, pense bem antes de decidir. Porque o que uma tem, a outra não tem. Ou era o contrário?

Paixão é triste...