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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 03

No último post, falamos um pouco de bancos, bolhas, protetor de tanque e de cárter e ainda de pneus.

http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/04/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto_18.html

Agora chegou a hora de passarmos pela questão de outros acessórios. Com o que mais preciso equipar a moto para fazer uma longa viagem? É necessário trocar amortecedores por outros mais resistentes? E o chassis ("frame"), é necessário reforçar ou não? Tudo isso é realmente necessário?
 

Amortecedores

Inicialmente, parta do seguinte princípio: se um fabricante colocou um determinado amortecedor em determinada moto, é porque ele serve á mesma.  Da mesma forma que acontece com pneus e rodas. 
Muitos motoaventureiros tem a "mania" de pensar que alguns equipamentos originais de motos não servem. Se você pensa assim, veja o que falamos com relação à bancos e bolhas... Não são estes que são ruins! Apenas podem não servir para o fim ao qual VOCÊ quer! E isso de forma alguma significa que aquela bolha minúscula ou aquele banco duro não sirva para muita coisa. Engenheiros especializados não perdem horas, dias, por vezes anos à fio e milhares de dólares investidos em pesquisas para lhe entregar algo ruim. A moto é um todo, pensada em conjunto. 

A pior coisa então que se pode fazer nesse sentido, é querer dar uma de engenheiro e começar trocando pneus, geralmente por outros mais largos. Tal prática é muito comum em carros, por "customizadores" ou outro nome que carreguem. Só que ao fazerem isso não notam que estão modificando toda estabilidade do veículo. Rodas mais largas, por exemplo, dão mais chance à aquaplanagem, seja em carros, seja em motos...
 
Mas e os amortecedores de uma moto? Vale trocar?

A resposta é: depende de você. Se você vai utilizar a moto em condições extremas, sobrecarregá-la, partir para um "Dakar" da vida, então é óbvio que vale a pena. Igualmente se você tem tamanho avantajado, seja em termos de peso e/ou estatura, ou ao contrário está mais para baixinho e leve, então também pode valer à pena também. 
Há ainda os que simplesmente querem modificar a ciclística da moto, deixá-la mais "esperta", enfim, utilizar equipamento ainda melhor na moto. Nesse sentido, existe uma infinidade de amortecedores profissionais. Por exemplo, para as BMW's, muitos motoaventureiros louvam os Wilbers (http://www.wilbers.de)  ou ainda substituem somente molas internas de canelas por outras chamadas progressivas (http://hyperprosales.com/ ) mais leves no início de curso e mais rígidas ao final.


Reforços no chassis

Em tese, não existe nenhuma necessidade de serem reforçados chassis. A primeira foto deste post mostra um verdadeiro absurdo de sobrecarga na moto. Em tais casos de sobrecarregamento, é óbvio que será necessário reforçar o chassis da moto, sobretudo o "subframe" da mesma (parte traseira, onde normalmente vai fixado o banco do garupa).

Contudo, por mais longa que possa parecer sua viagem de moto, procure fugir à todo custo do excesso de bagagem. Motos foram feitas para serem ágeis. Devem contar com uma segurança ativa, ao contrário de automóveis que possuem segurança passiva (leia-se, um carro na pior hipótese pode até bater que, passivamente, sofrerá uma deformação programada a fim de preservar ao máximo a vida do motorista, enquanto uma moto tem agilidade suficiente para, ativamente, evitar choques à todo custo!). Numa moto  em comparação com um carro, você tem mais capacidade de aceleração e de desaceleração rápida, mais capacidade de executar curvas rápidas, enfim, uma manobrabilidade muito maior, sendo tais fatores que lhe livram do pior ou que equilibram o risco. A medida que você vai acrescentando peso em uma moto, vai prejudicando sua ciclistica e sua segurança ativa. Com muito peso os freios já não frearão tanto, o motor já não acelerará a contento e os amortecedores irão chorar e ranger dentes. Enfim, você estará "detonando" literalmente a moto, encurtando a vida útil da mesma. Isso se não encurtar a sua...

Muitos dizem que existem motos que tem a "tendência" de quebrar a secção traseira do quadro. O estranho é que estes mesmos gostam de top cases (bauletos traseiros) do tamanho de frigobares, com 50 ou mais litros e não raro ainda colocam mochilas sobre os mesmos. Aí, claro, não há quadro que aguente!!!

Não adianta reforçar uma coisa e outra não. Pelas leis da física, à toda ação corresponde uma reação de igual força mas em sentido contrário. Em bom português isso quer dizer que se você adicionar sua esposa, namorada, garupa, por mais leve que ela seja, e mais 100kg de bagagem à traseira da moto, num impacto mais forte em um buraco, não adianta colocar rodas mais resistentes e nem trocar o amortecedor, pois a força do impacto terá de ser transmitida a algum lugar.  Frames e junções de amortecedores nesse ponto, parecem ser os preferidos para quebras.

Se você tiver de partir para isso, lembre-se que existem algumas regras básicas para fazê-lo: como por exemplo utilizar material de boa qualidade e de preferência idêntico ao utilizado no chassis da moto, cuidar para não torrar circuitos eletrônicos ao executar soldas, procurar fazer o reforço da forma mais leve possível, etc.


Outros protetores e acessórios

Exitem ainda inúmeros outros protetores para a moto, alguns efetivamente necessários e outros que são dispensáveis. Cada moto, neste ponto, tem suas particulariedades. Se você pensar em colocar protetores em todos locais que a Touratech recomenda,por exemplo, você vai somar alguns bons quilos à moto, além de dispender algumas dezenas de centenas de dólares.

Tenho particularmente como bastante úteis, senão necessários, protetores de manoplas e de farol. Os primeiros ajudam a tirar suas mãos do vento, chuva e pedras e os últimos podem salvar seu farol de um pássaro perdido que atravesse o caminho e das pedras atiradas por outros veículos em estradas de rípio, por exemplo, muito comuns na região patagônica de Argentina e Chile.

De outros acessórios úteis para moto, ou primordiais, o alargador de pezinho é para mim item básico. Até hoje não consegui compreender porque as bases de pezinhos de fábrica das motos são geralmente ínfimos. Deve ter alguma coisa a ver com corte de custos ou coisa assim. Quem sabe porque o engenheiro achou que uma base pequenininha ficava esteticamente melhor? Ou quiçá para não atrapalhar os movimentos de troca de marcha ou ainda algo a ver com a aerodinâmica geral da moto? Não sei... Deve haver uma boa explicação! A que eu aceito, porém, é que a base do mesmo tem de ser maior. Quando você tiver de parar a moto sobre grama molhada, barro ou areia, irá perceber a diferença que faz contar ou não com um alargador de pezinho! Será a diferença entre conseguir manter ou não a moto parada, em pé, no descanso.

Um acessório também bastante interessante, senão primordial, é o chamado protetor de canelas ("garfos" ou a suspensão dianteira da maioria das motos, exceto BMW R1200GS, que não tem o mesmo tipo de amortecimento na dianteira das demais motos). Motos menores, como as de trilha, costumam ter um tipo de "sanfona" protegendo as canelas das mesmas. Tal proteção evita que a sujeira grude nas canelas e com isso acabe "lixando" os retentores, o que levaria a vazamentos do fluído da suspensão dianteira, colapsando o sistema e trazendo consequências funestas.

É claro que existem, como tudo na vida, aqueles que defendem a completa desnecessidade de tal tipo de protetor, justificando que a moto e seus amortecedores já foram projetados para suportar as demandas a que são submetidos. Particularmente, tenho que é um equipamento tão barato, leve e simples de ser colocado ou retirado, que não há maiores razões para não utilizá-los. Cada um sabe onde aperta o sapato. De minha parte já tive retentores estourados. Se foi culpa de erro de projeto da moto (eu voto nessa opção), de excesso de sujeira nas canelas, ou se o protetor evitaria o rompimento dos retentores, iso eu não sei e nem tenho como saber. Só o que tenho de certo é que passei a usar tal complemento em minhas motos e, por hora, não tenho me arrependido nem um pouco. Até porque acho-os esteticamente bonitos (uso os da marca Kriega. Vide http://www.kriega.com). Óbvio que gosto, assim como futebol e religião, é algo que não se discute.


GPS

O GPS atualmente é quase um equipamento obrigatório na moto para alguns. Por isso coloco-o aqui, como fazendo parte da moto, e não como acessórios e equipamentos a carregar. A grande maioria dos motociclistas que conheço, não saem de casa sem ele.

De minha parte, acho item totalmente dispensável. Porém, creio que sou caso à parte (e perdido!). Costumo dizer que GPS's são "maquininhas do demo", porque acabam tornando você totalmente dependente dele. Para mim o GPS tira um pouco da beleza da motoaventura. Você acaba não sabendo mais, sem olhar para o aparelhinho, nem sequer onde é o norte e onde é o sul. Eu ainda sou do tempo do mapa de papel, e mesmo tendo mais de um GPS, é difícil conseguir carregar um comigo. Mas o mapa de papel, ao contrário, está sempre lá!

Em se tratando de GPS, já que você vai acabar virando um aficcionado da maquininha e não vai conseguir viver mais sem, sugiro que invista em um BOM GPS para sua moto. E quando falamos em bom, sou meio enfático: nem tente outra marca que não Garmin! Existem centenas de outros GPS das mais diversas marcas, mesmo para moto (dia desses vi um tal de "aquarius" ou coisa assim! Achei até que era marca de bebida...), mas igual a um Garmin você não vai encontrar. Os Garmin quando se disserem à prova d' água, você pode confiar. Todo o resto é resto.


Nesse ponto, em termos de GPS's para moto, Garmin, temos no topo da lista dos Zümo. Eu tenho um 220 (que até hoje não aprendi a operar!!!), mas já utilizei com louvor um E-Trex Vista que me ajudou um tanto. Contudo, o E-Trex tem visor um tanto pequeno, servindo mais para trilhas mesmo do que viagens de moto propriamente. Alguns falam que o bom mesmo são os Zümo 660 (já temos o 665, mas fora dos EUA esse último modelo não tem muita utilizade, já que contam com "controle de tráfego", coisa que não existe aqui na América do Sul), por ter tela maior, mais funções, blá, blá, blá. Aí vai de cada um, claro. Para mim, o Zümo 220 já é mais do que suficiente. Não preciso de uma televisão na minha frente para saber onde estou indo, até porque não costumo ficar "grudado" no GPS. A tela de 3,5 polegadas é grande o suficiente para você ver onde se encontra, e o que mais me anima é que um 220 custa quase a metade do preço de um 660, com praticamente mesmas funções (ao menos das que eu preciso).

Vai de cada um qual deles é melhor. Gosto não se discute. Só não me venha com Foston, Aquarius, Orange e parangolés do tipo se você curte os mesmos. Eu não gosto e não troco meu zuminho por quaisquer 20 laranjas...


Bagageiros, cases, malas de tanque, etc.


Este é um item bastante longo, já que inúmeras são as opções de equipagem da moto em termos de malas. Equipar em termos de bagagem corretamente a moto, pode ser a diferença fundamental entre o sucesso ou não de uma longa viagem. Você sabe equipar a sua de maneira correta?

Por ser tópico longo e sensível, discutiremos e aprofundaremos o tema em um próximo tópico.

Até lá!!!

4 comentários:

  1. Adv:
    Excelentes e muito úteis suas publicações.
    Mito obrigado e continúe assim...
    Abraço.

    Conrado.

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  2. Primeiro, parabéns pela iniciativa. Está muito bom!!! Na 'lição' 3 eu gostaria de fazer dois comentários:
    1) Com garupa é impossível fugir do topcase de 50 litros. Aí o jeito é cuidar para colocar as coisas mais leves dentro dele, e levar esse cuidado ao extremo de ajeitar os objetos mais pesados 'na frente', perto da(o) garupa. Está certo que saímos pouquíssimo do asfalto, e só tomamos duas cacetadas de verdade (daquelas de o cavalete descer e bater no chão) mas nunca tivemos problemas com a estrutura da moto.
    2) Os amortecedores Wilbers são fabricados sob encomenda, e a principal informação que se fornece no pedido são o peso do piloto (incluir vestimenta + capacete), peso da(o) garupa e da bagagem. Dessa forma os amortecedores são dimensionados para reduzir ao máximo a probabilidade de 'fim de curso', e também absorvem bem mais os choques que poderiam ser transmitidos de forma mais direta para o chassis.

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  3. quanto a o GPS seu comentario em relação a outras marcas não impora...gps é gps em qualquer lugar e modelo a diferrença ta nos intens instalados neles

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    1. internalta... Cada um pensa como quer... Mas colocar Orange, Foston e bichos do tipo em uma moto, é pedir para se incomodar. É o barato que sai caro! GPS de carro, que muita gente insiste em colocar em moto e "plastificar", além de outras coisas não aguenta o tranco de uma moto, que leva muito mais vibração ao GPS, mais umidade, etc., ao contrário do que acontece no carro. Veja que o que eu disse é que EU não troco meu GPS por outros de marcas "paralelas" que se dizem servir para motos. GPS não é GPS em qualquer lugar não! Tanto que tem GPS prá moto, prá lanchas, prá avião, prá carro, etc. Coloque um de carro em lancha que tu vais ver quanto tempo vai durar... Idem de carro em moto. Ou em moto um que não preste. Cada um, cada um. Eu que não me arrisco!!!

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