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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Impressões da F800GS e G650GS - Um "teste realista"

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Uma de minhas princiais críticas quanto a "testes de revistas" é que geralmente são testes "isolados", "encomendados" e "tendenciosos". Explico...

"Isolados" na medida de que quem testa uma moto, geralmente não é a mesma pessoa que testa a outra ou ao menos estea não as testa no mesmo período. Então, de minha parte, não consigo ver como válido um teste que foi feito na F800GS por um determinado piloto comparado a outro que vai na G650GS, ou então com um interregno de mais de semanas. Afinal, como vai comparar com o que não experimentou realmente ou não lembra mais? "Encomendados" porque não é preciso ser gênio para saber que muitos dos testes são pagos pelas fabricantes, para melhorar as vendas, a imagem da marca, etc., enfim, promover a moto em questão, colocando-a como a melhor entre as melhores da categoria. E, finalmente, "tendenciosos" porque os pilotos normalmente são experts em pilotagem, o que não condiz com nossa "média" de motociclistas que não vivem da e exclusivamente para a moto (embora isso seja sonho de muitos de nós).



Por essas e outras sempre tive o desejo de possuir a BMW F800GS e a BMW G650GS ao mesmo tempo, porque acreditava que somente assim poderia efetivamente "comparar" as duas e ajudar o potencial cliente a escolher entre uma e outra para sua viagem. Porque como eu, acredito que muitos tem dúvida sobre qual moto se adapta melhor aos seus planos, porte, tipo de viagem, de uso, etc.

Agora, com a criação da A&K Motorcycle Rentals - em seus trâmites finais para lançamento oficial - isso se tornou possível e pude alternar entre uma e outra até as suas primeiras revisões.

E já de saída posso dizer, antecipando tudo, o seguinte: não se pode comparar o incomparável!


A BMW F800GS  

Minha primeira impressão, quando tirei ela da concessionária, não foi das melhores. É o tipo da moto que
você - se como eu vem de uma moto maior, como a R1200GS Adv ou outra 1200cc qualquer - de início acha "fraca". O motor parece não condizer com o porte dela. Aliás, este um ponto que de cara me impressionou positivamente: o bom porte da moto apesar de ser "só" uma 800.  

Mas a verdade é que você começa a andar nela e percebe que estava redondamente enganado e que só teve tal impressão de motor fraco porque VOCÊ estava com "medo" da moto ou coisa parecida. Medo de exigir do motor - afinal, ela é zero! - fazendo-o trabalhar como deve: sempre cheio. Medo, ou vício pelas motos maiores anteriores, de usar as marchas como devem ser utilizadas, levando-as até um pouco mais além do que fazia com uma 1200cc.

De fraco o motor não tem é nada. 

Desde as mais baixas rotações, na marcha correta, a máquina responde bem, empurrando-a com vontade mesmo que esteja você com ela totalmente carregada e com garupa. Em poucos segundos você está ultrapassando a faixa dos 100km/h, e tem de ficar esperto para não abusar da velocidade. 

As suspensões trabalham com eficiência, seja em que terreno for, grudando a moto no chão. Nenhum desconforto ao passar por buracos ou pegar uma estradinha de terra um pouco mais castigada. Lombadas são brincadeira. Basta subir nas pedaleiras para ultrapassá-las sem nada sentir. 

E falando de ultrapassagens, está aí outro ponto positivo da moto: sempre sobra motor, ao ponto de que você pode realizar as mesmas com segurança absoluta, sabendo que sempre pode enrolar um pouco mais o cabo. 

Quanto ao conforto, é um pouco sofrido na configuração original da moto, sobretudo pela bolha pequena que em nada ataca o vento frontal. Mas um bom spoiler da Touratech ou outra boa marca qualquer, acaba com o problema de vez, e o vento passa a não ser mais incômodo. Aliás, falando de vento, mesmo tendo bom porte, nota-se que a moto em si não sofre tanto com o mesm, seja este frontal ou lateral. Tudo fruto da boa aerodinâmica da moto. Logicamente, com os cases laterais, garupa e top case expandido, a coisa muda um pouco de figura, e o vento lateral pode fazer com que você tenha de deitar um pouco para o lado dele. Nada, claro, que vá incomodar. 

Ainda no item conforto, nota-se que o banco do garupa (e essa é uma impressão da própria garupa que já andara em motos bem confortável como Buell Ulysses, DL-V-Strom 1000, R1200GS Adventure, etc.) não é item que incomode, ao contrário do que poderia se esperar de uma moto onde o banco do próprio piloto é estreito e pode enfadar em viagens mais longas, por quem despreparado ou esperando encontrar um sofazão como se tem na R1200GS, por exemplo.

Talvez por isso os "míseros" 16 litros do tanque, que, com mão leve levam a moto a uma autonomia na casa dos 300km não seja fator decisivo na hora de escolher uma ou outra moto da categoria. O fato de se contar "só" com esta litragem lhe obriga a parar de tempo em tempo para esticar as pernas, o que é prá lá de recomendável quando você não tem um banco "confort" BWM instalado, este sim a lhe permitir ficar mais horas sobre a moto. 

Fato incontroverso: quanto mais você anda na moto, mais gosta dela. Começa a perceber que a moto é leve, tem boa tocada, lhe proporciona uma velocidade de cruzeiro de tranquilos 120, 140km/h sem maiores vibrações indesejadas (que só aparecem a partir das 7000 rpm's ou acima dos 140, 150km/h), é econômica e tem ótima capacidade de carga nos cases expansíveis. É moto para você rodar em viagens mais longas sem se incomodar e/ou imaginar que você poderia estar em uma moto maior.

Se adapta a uma gama bem grande de pilotos, desde os mais baixos com seus 1,74m (como é meu caso) ou até menos na utilização de um banco baixo BMW, até 1,90m se utilizado o banco alto e/ou o rallye da BMW. Para os mais altos o que pode incomodar um pouco é a curvatura das pernas, que acaba fazendo com que os joelhos encostem nos protetores de motor que se encontram disponíveis para a mesma. E, finalmente, os muito altos que ultrapassam fácil os 1,90m e que tem pernas compridas, melhor seria partirem para a BMW R1200GS. 

Para o dia-a-dia também se mostra como boa companheira. Não tão pesada quanto uma 1200cc, mostra-se bem maleável no trânsito travado das grandes capitais e não esquenta tanto quanto a maioria das motos grandes. Seu guidon alto passa sobre a maioria dos espelhos de carros. 

Enfim, se você quer uma moto que é "pau prá toda obra", e lhe proporciona viagens agradáveis e seguras, a F800GS é a sua moto!


A BMW G650GS

Se eu tive uma impressão à primeira vista de que a BMW F800GS era uma moto "fraca" de motor, então quando tirei a BMW G650GS da concessionária piorou. Além de achar a mesma fraca agora diante da BMW F800GS, com a qual em poucos quilômetros já me acostumara e estava aproveitando bem o tudo de bom que o motor dela proporciona, o visual da G650GS é de uma moto pequena. Seu banco baixo deixa a impressão de que foi feita para quem tem menos de 1,70m de altura, e suas proporções em geral "atarracadas" depõem contra a mesma.

Porém é só subir na moto para já ir derrubando alguns "pré"-conceitos... E mantendo outros.  

De plano, se observa que a G650GS não vai bem para os de maior estatura. Quem está na casa dos 1,80m, melhor fugir da G650GS. O fato da distância das pedaleiras para o banco ser pequeno, deixará qualquer piloto de maior estatura com as pernas totalmente dobradas, o que é horrível mesmo para distâncias curtas. Viagens então de pilotos de maior porte com a G650GS, melhor nem pensar. Um banco mais alto na G650GS ajuda, mas não muita coisa, porque, em geral, a G650GS é definitivamente uma moto de pequenas proporções. 

Como qualquer motor monocicíndrico, a G650GS vibra. Quanto maior a rotação, mais vibra, a ponto de que uma viagem a uns 120km/h - velocidade que a G650GS mantém bem, mesmo com garupa, se com o motor cheio - pode se tornar um tanto cansativa não pelo conforto do banco que em geral é bastante aceitável para piloto e garupa, mas pelo "formigamento" que o mono acaba proporcionando. As pedaleiras com uma pequena borracha também não são das melhores nesse quesito. 

No off road não vai tão bem quanto a F800GS, sendo que para se escapar de situações mais críticas é necessário "chamar" mais no motor, ruidoso, que por vezes entrega um som metálico. Não é raro você ter de abusar da troca de marcha, pois a 5a. é em geral bem fraquinha, e uma lomba mais acentuada na estrada já lhe exige baixar uma marcha. 

O ponto positivo da moto é que é bastante econômica em todos os sentidos, seja no quesito peças, seja nos custos de manutenção e revisões, como também no consumo de combustível. Se na F800GS você roda 20 km por litro, na G650Gs numa tocada leve consegue de 22 a 24 km por litro, o que torna a autonomia dela bastante parecida com o da F, ainda que com um tanque ligeiramente menor.

Outro ganho da mesma está no fato de que é uma moto extremamente maleável, e você pode usar ela para ir ao trabalho diariamente, não sendo a pior escolha - pelo contrário - para viagens mais curtas. Existem os que encaram maiores viagens com as mesmas, o que não é de meu gosto que sempre prefiro um pouco a mais de motor para tornar a viagem de muitos quilômetros mais confortável. 

Substituir a bolha de fábrica dela por uma alta, é item quase obrigatório. Aliás, ambas já poderiam vir com uma bolha maior...

Os cases espansíveis e um top case original BMW, irão lhe dar boa capacidade de carga, ainda que não seja recomendável sair assim com ela para grandes aventuras. Particularmente recomendaria a moto para pilotos de baixa e média estatura e que viagem solo, sem garupa. Claro que - ao menos questionada sobre - a garupa não tem maiores queixas quanto ao seu posto, pois o banco da G é generoso com a garupa.  


Afinal, vou de BMW F800GS ou de BMW G650GS?

Como apontamos no início deste post, não se pode comparar o incomparável. 

Uma moto é uma moto, outra moto é outra moto. A F800GS não tem nada a ver com a G650GS, embora ambas estejam enquadradas na mesma categoria de motos de média cilindrada ou, como poderão dizer algumas publicações, "big trails". 

Monocilíndricas serão sempre monocilíndricas, com seus prós e contras típicos de monocilíndricas. E bicilindricas sempre serão mais agradáveis do que as mono, sobretudo em se tratando de vibração oriunda do motor.

Assim, se você tem mais de 1,75m de altura ou é o tipo de cara grande/pesado, já lhe diria prá nem pensar mais na G650GS, pois você e a moto vão sofrer um tanto, e partir direto para a F800GS. Os 25% a mais no preço são compensados pelo tanto a mais que você terá de moto. Igualmente, se o que você pretende é fazer uma grande viagem (mais de 5000km) rodando bastante diariamente, também lhe recomendaria a F800GS. Para viagens de final de semana, em contrapartida, a G650GS pode lhe atender bem, com o "plus" de que é uma excelente companheira para o dia-a-dia.

Ao fim e ao cabo, a verdade é que BMW F800GS ou BMW G650GS tanto faz, desde que você se sinta bem sobre a moto e, sobretudo, rode de moto!
E você? Vai em qual destas motos? 

Até breve!


Crédito das fotos: 
Google images e arquivo pessoal

 
A&K Motorcycle Rentals
Aluguel de motos BMW e Harley Davidson Brasil e no mundo
Tours pelo Mercosul; Route 66 - Estados Unidos; Portugal; Canadá; África e outros diversos destinos
Consulte nossos pacotes para grupos:  aek@aekmotos.com

8 comentários:

  1. Bom, eu tenho 1,80 e 105 kg estava na dúvida entre a 1200 ou 800, acho que pelo que você diz a 800 me atende bem. Valeu!

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    1. Bom dia, Max! Se quiser fazer um "test drive" mais efetivo, podes entrar em contato, ok? Ou visite o site www.aekmotos.com . Foi por conta da empresa, como podes ver no post, que compramos e pudemos testar essas motos!!! Abraços; Adv

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  2. Olá A&K, o post é meio antigo mas gostei muito do seu blog!
    Tenho pouca experiência com motos - pra dizer a verdade, só andei de CG até hoje. Só que me apareceu a oportunidade de comprar uma G 650 GS 2010 com 8.000 km por um preço super camarada.
    Gostaria de uma opinião sua, para quem sai de uma CG a diferença de peso é muito grande? Considerando que tenho 1,75 m e peso 64 kg (sou do tipo magrinho...). Queria uma moto pra usar somente na cidade (asfaltada). Não sou fã de viagem de moto. Abraço.

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    1. CSS; em termos de moto, tudo é sempre relativo. Por exemplo, eu com 1,74m e à época com 67kg, comecei com uma Honda Shadow 600. Moto demais? Não sei... De plano, só posso lhe dizer que CUIDE com preços "camaradas". Nosso próximo post será justamente com algumas dicas quanto a compra de motos usadas. Tem muita coisa que precisa ser vista, e desconfiar de baixos preços é a primeira dica. Fique atento!!! Abraços; Flávio

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  3. Caro amigo, estou estudando a GS650 e outras 800 (GS800, Triumph, MT09 Trancer). A opção entre as 800cc não é o problema. O problema é a escolha entre uma 650 monocilíndrica e relativamente baixa ou uma 800 bi e/ou tricilíndrica (como nas opções acima). Tenho 1,81m, 105kg. Já fiz "test" em ambas e por ser uma avaliação mt superficial e rápida, as únicas diferenças percebidas e que não me causaram qualquer desconforto, ou seja, são aceitáveis em um primeito momento, são a altura e vibrações da 650. A ideia é utilizar a moto para trabalhar de seg a sexta (trabalho a 6km de casa) e para curtir os fds, indo a praia ou pequenas viagens para a serra (200km + ou -). No meu lugar, diante deste cenário, vc optaria pela 650 ou ainda assim escolheria pela 800 (GS, Tiger ou MT 09)? Pelos testes que fiz, rápidos e em curtas distâncias, optaria pela 650, até mesmo pelo custo menos na compra, manutenção e seguro, inclusive. O seguro das 800 (GS 800 em especial) é bem mais caro e no RJ são as mais roubadas. Abs

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Amigo, creio que vc já fez sua escolha... Cada moto é uma moto e não dá para comparar o seguro, dirigibilidade, economia x desempenho de um Onix com o de um Cobalt. Cada coisa é uma coisa. Tudo tem seu preço. Basta saber até que preço você quer pagar! Boa sorte!!!

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  4. Sua recomendação com relação a altura tem a ver com a posição de pilotagem ou peso? gostaria de entender os motivos.

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