segunda-feira, 7 de maio de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 07

Em nosso último post, discorremos um pouco quanto as roupas em geral, calçados e produtos de higiene que devem ser carregados em longas viagens:

http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/05/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto.html
Hoje, falaremos sobre o que carregar em termos de medicamentos, documentos, ferramentas e peças sobressalentes.




Medicamentos e kits de primeiros socorros

Pode parecer meio óbvio, mas muitos esquecem de medicamentos básicos e tem de dar meia volta... Nada bom ter de retornar em casa após partir para uma longa viagem, abrir a casa novamente e pegar lá o maldito vidrinho, ainda que você tenha ido só até a esquina. Isso invariavelmente costuma trazer a sequência de pensamentos do tipo "Mas será que eu não estou esquecendo de mais alguma coisa?" e outros que nada de bom trazem para quem começa uma grande motoaventura. 

Mas o que são "medicamentos básicos"?  Em síntese apertada, são todos aqueles que teoricamente não podem faltar (claro, não vamos considerar hipocondríacos!).

Primeiramente, nada mais básico do que aquele que você está tomando, por conta de tratamento temporário ou permanente. Assim, se é diabético, tem de levar o kit de medição, seringas e insulina ou se, por exemplo, está fazendo um tratamento com antibiótico, deve levar a dose necessária até o fim do mesmo. 

Depois disso,  vá para a velha xurumela de paracetamol, bandaid, antisséptico (em spray, ideal para cortes superficiais, raladuras, etc), um par de luvas cirúrgicas, ataduras, esparadrapo, alguns cotonetes e sobretudo cola do tipo "super bonder" (cianoacrilato). 

Quanto aos paracetamóis e outros, você pode retirá-los do "blister" ou frasco e colocar em saquinhos tipo ziploc pequenos, escrevendo com canetas para plástico (aquelas de marcar CDs e DVDs), do que se tratam. 

Bem... Mas você ainda deve estar intrigado com a "super bonder", certo? O que isso tem a ver com primeiros socorros?

Em principio, você não vai, pois este é só para emergências mais graves, tipo cortes feios que estejam sangrando muito. 

Se você se acidentou no meio do nada, se cortou em uma cerca de arame farpado, por exemplo, e tem corte que começa a sangrar bastante, dificilmente um esparadrapo "colará" uma parte na outra (juntará a pele) a fim de estancar o sangramento. Mas acredite, a super bonder pode lhe tirar do aperto... Óbvio que não é o melhor dos mundos (depois de ter dito isso, já sei que terei um monte de médicos inimigos!), e  deve ser considerado como uma das últimas alternativas, sendo a melhor, é claro, procurar um posto de saúde, hospital ou o que o valha para avaliar se é caso de pontos, etc... Mas vá dizer isso para quem está no meio de uma ruta austral por exemplo, perdendo sangue em bicas.

Esse tipo de cola, em tese não causa maiores males para o corpo, como intoxicação, alergias, etc. Claro que não é nada recomendável que entre na sua corrente sanguínea, pelo que deve ser aplicado apenas SUPERFICIALMENTE e com extremo cuidado (até para não colar os dedos junto!), e como já falado, apenas como última alternativa (digamos, caso de vida ou morte). O que deve ser feito é a colagem apenas da PELE, não de veias ou similares.

Outra boa dica são repelentes e filtro solares de fator 50 ou mais não só no verão, mas EM QUALQUER ÉPOCA DO ANO para as partes expostas, como rosto (por baixo da viseira, queima prá caramba! Acredite!), a fim de que você não fique "mascarado", e também nuca. E não se engane achando que porque está nublado você não irá se queimar...

Quase todo o mais em termos de medicamento é desnecessário, pois você pode adquirir no caminho - caso precise - em uma farmácia. O mundo anda mais civilizado, e é bem difícil você ficar rodando muito tempo longe de uma farmácia qualquer. Se você acha que pode precisar de medicamentos mais "sérios", então talvez você precise de um médico - ou psicólogo - é agora, antes de partir. Pare com a mania hipocondríaca de achar que tem de carregar de tudo em termos de medicamento, já que "pode" dar dor de barriga, alergia, etc.

Poder, pode tudo. Basta você querer e se expor. Não vire uma farmácia ambulante! Lembre-se sempre que isso é uma viagem de aventura, não excursão de clínica geriátrica!


Documentos

Se há uma parte complicada - ou chata mesmo - em termos de viagens de moto, essa parte se chama documentação. Complicada por conta da burocracia e talvez porque seja  pura e simplesmente chata prá caramba. Todo mundo que viaja de moto, sonha com o filme "easy rider", onde o mocinho arranca o relógio e atira-o ao chão, como para demonstrar que não terá mais compromissos... 

Você pode até não ter com horários (ledo engano, pois não tarda você descobrir que fronteiras normalmente tem horários de funcionamento, fora dos quais você não passa e ponto final!), mas documentos, vai ter de ter! 

 Para viagens dentro do cone sul, em geral a exigência de documentação é bem menor. Você tendo passaporte, carteira de identidade, documentos da moto, carteira de motorista, "carta verde" e "soat", mais carteira de vacinação (Perú e Bolívia exigem vacinação para Febre Amarela), está a meio caminho andado de não ter problemas...

O grande problema começa, porém, já quando você pretende viajar mais de 30 dias, porque a carta verde, por exemplo, só é válida por um máximo de 30 dias!

Inicialmente, diga-se que a carta verde nada mais é que um seguro válido contra (ou para) terceiros  por danos materias e pessoais dentro dos países do Mercosul, embora algumas seguradoras insistam que não tem validade no Chile, por não constar no formulário. Faça-os colocar também Chile, se pretende viajar por lá. É chamada de "carta verde" por geralmente ser lavrada em papel da cor verde!

Se você fica mais de 30 dias fora, uma alternativa é você solicitar através de alguém que tenha ficado em sua cidade nova carta verde. Ocorre que geralmente lhe pedirão para apresentar o CRLV da moto. Uma cópia autenticada do mesmo pode resolver o problema. Mas mais fácil do que isso é se a sua seguradora tiver condições de expedir a mesma para você. Caso contrário, você pode recorrer a uma agência do Banco do Brasil através do seu procurador/pessoa que ficou aqui no Brasil.

Problema maior parece existir quando a moto não está em seu nome. Nestes casos você precisa de uma autorização do proprietário do veículo, lembrando que em casos de financiamentos, o proprietário é a instituição financeira.

Há os que entendam que para tal documento valer, você precisa porém autenticar tal documento no consulado que represente o país que visitará e outros, ainda, que sustentam ter de haver carimbo do Itamarati! Essa última prática, me parece cautela demasiada. O carimbo na embaixada, porém, nem tanto. Cautela demais, nunca é excesso... Então, precavenha-se para não ter de dar meia volta - se a moto não é sua - quando chegar na fronteira. Ter todos os documentos em mãos, além do mais, deixa o serviço sujo dos achacadores de fronteiras bem mais trabalhoso, e a probabilidade de quererem lhe cobrar algum "por fora" fica bem menor quanto mais documentos você tiver.

Nesse sentido, ainda que não seja necessário, mal não fará se você tiver uma carteira de habilitação internacional ou permissão internacional para dirigir (PID). Vá a um CFC de sua cidade e veja como é fácil e relativamente barato tirar a mesma.   


Ferramentas

Um erro muito comum é carregar uma quantidade absurda de ferramentas, como se você fosse desmontar o motor inteiro da moto. A probabilidade de isso vir a acontecer é próxima a zero, até mesmo porque as motos mais modernas, com toda sua parafernália eletrônica embarcada, simplesmente proibirão tal prática, já que, uma vez desmontada, você não conseguirá fazê-la novamente funcionar sem o auxílio de um computador. Assim, para consertos mais "graves" de tais motos, invariavelmente você terá de recorrer à concessionária. 

Contudo, existem algumas ferramentas básicas que você pode e deve levar. Entre elas estão um pequeno alicate de pressão, muito útil para servir de pedal de câmbio ou freio (no caso de queda e quebra de um deles) ou ainda como manete, caso algum cabo venha a arrebentar-se (nas hidráulicas a solução não é válida).

As ferramentas originais que acompanham a moto, são itens integrantes da mesma, e precisam seguir sempre com ela. Verifique, porém, se você dispõe entre as mesmas as chaves necessárias para retirar a roda, tanto traseira quanto dianteira, já que cada vez o kit de ferramentas das motos vem com menos itens. Se não contar com tais ferramentas, adquira as mesmas. Uma chave de fenda média, assim como uma philips, não fazem mal algum e ocupam pouco espaço. Outra boa dica são as "multi tools", que geralmente contam com alicate, saca rolhas, abridor de garrafas, chaves philips e de fenda, além de lâmina tipo de canivete.

Ainda duas "espátulas" para retirar a roda do pneu são itens bastante úteis a serem carregados em uma longa viagem de moto. Não se surpreenda se você tiver de trocar um pneu ou consertar a câmara de ar da moto. Esteja preparado para tanto. Nesse ponto, uma pequena bomba manual também é bem vinda, embora existam outras opções como bombinhas com cilindro de CO2 (não são tão eficientes por conta do pequeno tamanho do reservatório) ou ainda pequenos compressores elétricos. 

Outras ferramentas não são necessárias, pelas razões já explicitadas supra: se o problema for tão grande a ponto de necessitar de mais ferramental, então você vai precisar de uma oficina mecânica ou concessionária, invariavelmente.


Peças sobressalentes

Muito discutível a questão de peças sobressalentes. Quanto a estas, tenho mais do que suficiente um cabo de embreagem e um de freio (caso sua moto não seja hidráulica),mais um único do acelerador. Você não precisa de ambos, pois se arrebentar só o de retorno, não há grandes problemas e, se por outro lado só o de aceleração efetivamente se romper, na maioria das vezes você pode utilizar o cabo de retorno, invertendo-o para a função de acelerador.

Já vi gente carregar filtro de ar e de óleo, mas isso só se justifica em caso de motos que tenham tais peças restritas, como as BMW. Óbvio que é difícil encontrar um filtro de óleo de uma GS em lugar remoto e, é muito provável, em contrapartida, que você tenha de fazer a manutenção preventiva, trocando o óleo e filtro. Então, nestes casos, carregar um ou dois filtros de óleo, mal não fará. Idem quanto a um de ar, a ser utilizado mais em uma emergência (vai que seu filtro seja tomado de insetos!) do que em uma manutenção periódica. Tendo de trocar o de ar, não deixe de guardar o antigo, salvo se este estiver muito imprestável. 

Há casos "extremos" em que o motoaventureiro chega a carregar o óleo (na maioria das vezes uns 3 litros) para a troca. Sinceramente, este é o tipo de excesso que não recomendo jamais. Igualmente tenho como desnecessário carregar cabo de velocímetro (outro item que muitos carregam), ainda mais com a atual disseminação de uso do GPS. 

Velas e pastilhas de freio, por outro lado, podem ser carregadas, pois acupam pouco espaço e são itens da manutenção obrigatória que talvez você não encontre em qualquer lugar.

Por falar em óleo supramencionado, há um óleo que você não pode esquecer caso sua moto seja com corrente: o SAE 90. Claro que para isso também existem alternativas, como lubrificantes automáticos para motos com corrente tipo "scottoiler". Só não pense em utilizar graxa branca ou lubrificantes em aerosol. Estes produtos normalmente trazem mais prejuízos do que benefícios, o primeiro porque faz toda sujeira grudar na graxa, funcionando como esmeril para o elos, reduzindo drasticamente a vida útil da relação e o último por mais "lavar" o óleo existente na corrente do que propriamente lubrificá-lo. Sem contar, ainda, que este último geralmente não resiste à chuvas. 

Bom...


Agora você tem um montão de tralha e um grande problema... Afinal, como e onde carregar tudo isso na moto?

Este será o tema central da parte 08!

Até lá!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? -parte 06

No post passado, discorremos sobre malas de tanque e "bags" em geral, com uma rápida passagem acerca de aranhas e esticadores em geral: 

http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/04/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto_27.html

Hoje vamos falar de um dos maiores problemas nas grandes viagens de moto, em termos de bagagem. Afinal, o que devemos levar, o que é efetivamente necessário e o que é o "superfulo" que só fará ocupar lugar na bagagem?



Neste post vamos falar de roupas, roupas íntimas, calçados e produtos de higiene, deixando a questão dos medicamentos, documentos, ferramentas e peças sobressalentes para a parte 07. Na parte 08 falaremos como acomodar toda esta bagagem.

Vamos lá:


Roupas em geral

Camisetas, camisas e roupas de festas/eventos
Abra seu guarda-roupas. Agora verifique quantas camisetas você efetivamente usa... Garanto que se você tiver, tipo, umas 30 camisetas, só usa mesmo umas 5 ou 6. São sempre as mesmas, não tem jeito! É sempre aquela prefeida, do motoclube tal, marca tal ou com o desenho tal de moto... Você já deve estar percebendo onde quero chegar.

Para as roupas que você vai carregar, vale a mesma coisa. Você só vai levar aquelas que vai EFETIVAMENTE USAR! Tudo aquilo que você "acha" que pode vir a usar, ser necessário, esqueça! Você nunca vai usar isso! Não me venha com a história de necessário levar ao menos uma camisa e uma calça social, pois você não está saíndo propriamente em uma viagem de férias típica, e, ao menos que você pretenda visitar um cassino muito do chique no caminho, gravata e camisa social são a última coisa que você vai precisar. E olhem lá, já que os cassinos estão atualmente mais preocupados com sua grana que com sua aparência. Alguns poucos, só tem restrição à tênis e calção de banho. O resto vale. 

Dentro as que você usa, escolha entre 4 ou 5. Você não vai precisar mais camisetas do que isso, pois irá lavá-las durante o trajeto (depois explico como lavar, onde e de que maneira secá-las). Prefira ter entre as mesmas no mínimo a metade de material do tipo "dry fit", aquelas de ginástica, de secagem rápida. Mas cuidado! Se mal lavadas ou não bem secas, costumam ficar com odor insuportável de cachorro molhado ou desodorante vencido!

REGRA DE OURO: Para cada coisa nova que você comprar, é uma usada que deve sair. Comprou uma camiseta nova? Abandone a velha na loja mesmo ou faça caridade a um morador de rua ou pessoa menos afortunada...

Mesmo na remota hipótese de você ser entrevistado por grande rede de TV que vá narrar sua aventura, lhe garanto que tudo o que os telespectadores NÃO irão querer ver é um "engomado" em frente às câmeras. A camiseta confeccionada especialmente para a sua aventura em duas rodas, nesse sentido, vai mais do que bem. Ainda que você tenha de falar com o cônsul de determinado país, uma boa camiseta "neutra" (por favor! Deixe em casa sua camiseta do "Tchê" Gevara, Bob Marley, CUT e outras do gênero,  enfim, todas que fazem "apologia" a algum movimento "setorizado", "operário" ou "libertador" NÃO devem estar em sua bagagem!) e um jeans mais novo, com um par de "sapatênis" lhe apresenta bem. Estar com uma roupa cheirando bem, de banho tomado, cabelos arrumados e barba feita, é meio caminho para o sucesso!

Convença de todas as formas possíveis e impossíveis sua mulher de que vocês NÃO vão topar com uma festa inesperada pelo caminho. Vocês não estão em Hollywood, e a probabilidade de ter uma festa chique para ir é praticamente nula elevada ao quadrado. Se acontecer de existir, certamente não será num lugar tão remoto que não tenha um local para que vocês possam alugar roupas e, se for em lugar tão remoto assim, é bem mais provável que os habitantes locais usem suas "roupas de ir à missa", nada muito diferente do que você já estará carregando. Portanto, ela NÃO DEVE LEVAR nenhum vestido de festa e tampouco sapatos chiques de salto alto.  


Roupas para frio

Mesmo que seja muito frio por onde você vai passar, ESQUEÇA jaquetas sobressalentes para usar quando não estiver na moto e/ou aquela mantinha. Ponha uma coisa na sua cabeça: fora da moto, se precisar de jaqueta, você VAI USAR A JAQUETA COM A QUAL PILOTA! Simplesmente porque vai ser a peça que mais vai lhe proteger bem de frio, chuva, vento, etc. Por esta razão, se a viagem for longa, faça um favor a si mesmo: não economize em jaqueta e calça de pilotagem!!!

Tenho como melhores as jaquetas Rallye 3 da BMW, ainda que sejam um tanto caras. Se você acha o preço extorsivo para seu bolso, dê uma olhada nas jaquetas da Klim. Qualquer outra marca ou modelo de jaqueta, não vou lhe indicar, pelo simples fato de que não utilizei ainda as mesmas. As poucas que já tive, eram todas da marca Zebra. Duraram um monte, não há dúvidas, mas se você me perguntar se eu as compraria novamente, minha resposta seria NÃO, a não ser que eu precisasse economizar muito para empreender a viagem.

Dois conjuntos de "segunda pele" do tipo/marca "Solo", ocupam pouco espaço e vão muito bem por baixo de um jeans ou até camiseta de manga longa. Se você está relativamente em forma (que não seja de bola),  não passa feio utilizando apenas uma solo manga longa. Procure visitar uma loja de alpinismo/montanhismo/campismo. Sempre há boas dicas e material por lá! Só não vá se empolgar querendo levar o que você não precisa! 

Um bom blusão de lã e um moleton, preferencialmente de cor escura. Adoro um que tenho e que uso há cerca de 9 anos de lã de alpaca! Parece novo até hoje! Veja no seu garda-roupas onde está aquele bom blusão de frio "guerreiro" e opte pelo mesmo. Se você vai para um local extremamente frio, não deixe de verificar por lá o que eles tem na região. Cada lugar, cada população tem o cobertor que precisa. Nada melhor do que roupas "locais" em casos extremos. Só não vá abarrotar as malas com roupas típicas. 

Lembre-se da REGRA DE OURO!

Uma pescoceira de "soft" vai bem, ainda mais se você puder transformá-la em um gorro. Onde neva, existe este tipo de "vestimenta" em abundância. Pense ainda em duas balaclavas, sendo no mínimo uma em seda. Enrolando-a corretamente quando retira, você terá mais um gorro!

Nada de "cachecóis", fazendo o favor. Em cima da moto não servem para nada, sendo um verdadeiro risco  (podem soltar a ponta e enrolar em pedaleira ou pior, na roda traseira, enforcando-lhe instantaneamente) e, fora dela, só ficam bem em gente mais "alternativa" pelas ruas de Paris. Você já tem sua pescoceira se  for muito friorento, e lhe garanto que isso basta.

Dois conjuntos de luvas, fora o que você usa para pilotar. Um par de luvas do tipo "segunda pele", em seda ou material térmico similar são ótimas e mais uma do tipo "EPI" (equipamento de proteção individual) utilizada por mecânicos, são ótima pedida. Existem brancas e na cor preta. Opte por estas últimas. Com as mesmas, inclusive, você irá fazer manutenções básicas na moto.

E de roupa de frio chega!

Esqueça aqueles conjuntos de "neve", que são tipo "almofadados", normalmente de nylon recheado com algum estofo. Além de ocuparem um lugar bárbaro na bagagem, são extremamente frágeis e não são impermeáveis. Lembre-se que você não está indo esquiar!!! Está indo andar de moto! E se for esquiar, vou lhe contar... Não há nada melhor do que a sua roupa de moto para tanto! Ela lhe protegerá do frio, da neve e até muito bem em uma eventual queda. Digo isso com conhecimento de causa! Já fiz boas esquiadas com equipamento de moto e não trocaria por nenhuma roupa térmica própria. Vão lhe olhar estranho? Sim! Muito provavelmente! Mas é isso o que você é: um estranho ser, um motociclista!


Roupas íntimas

Homem? 5 cuecas e 5 pares de meia NOVAS e CONFORTÁVEIS. 2 meias de lã e... pronto! Chega! Mais do que isso é desnecessário. Você vai lavar a roupa íntima quase que diariamente, ou, na pior das hipóteses, dia sim, dia não. Como já disse, depois lhe explico as técnicas de lavagem e secagem... Evite as meias brancas, pois sujam muito e com o tempo voc~e não vai conseguir tirar o encardido das mesmas. As melhores, portanto, são as pretas, que além do mais, combinam com quase tudo.

Mulher? 7 calcinhas, 5 pares de meias NOVAS e CONFORTÁVEIS, 5 sutiãs. 2 meias calças, sendo ao menos uma de lã, e outra de fio grosso. Você não vai precisar de meias calças finas, tipo "fio 10 ou 20", tampouco meias "arrastão" acredite. E chega também, pois você vai lavá-las na viagem. Em tempo... Calcinhas confortáveis não significam calcinhas cor-da-pele ou aquele "bege-véia". Isso ninguém merece!!! Você não precisa levar calcinhas extremamente "sexys", mas calcinhas do tipo geriátricas devem ser todas queimadas! Salvo, é claro, se você for uma freira...

E... Lembre-se da REGRA DE OURO!


Calçados

Procure botas confortáveis de pilotage, que você eventualmente possa utilizar fora da moto. A BMW tem um modelo excelente, chamado "Santiago", que não faz feio nem no off road, aguenta bem chuvas e tempestades em geral e ainda pode ser usada para pequenas caminhadas sem parecer que você está calçando botas de esquiar.

Um bom par de tênis ou "sapatênis" é o que você vai levar na bagagem para suas caminhadas pelas cidades onde parar. Mais uma vez, vale o que dito para a roupa social. Esqueça sapatos sociais ou de couro.

Para mulheres, vale o mesmo: a bota de pilotar ou de "garupar" mais um tênis ou bota de cano curto, desde que extremamente confortável. Tudo o que você quer, muitas vezes ao chegar no hotel, é um bom banho e um calçado confortável para descer até o café da esquina. Esqueça tamanquinhos e sapatos de salto. Ocupam um espaço que você não tem e são algo que você não vai usar.

Ultimamente inventaram uns tais de "crocs" que já tem similares por todos os lados. Eu acho os mesmos extremamente feios. Mas é inegável que são confortáveis e uma mão na roda desde para você tomar banho a ir para o café da manhã. Invista num par dos mesmos. 

E de calçados era isso, valendo a regra anterior da REGRA DE OURO!



Produtos de higiene

1 shampoo e condicionador pequeno (salvo se careca), 1 sabonete de hotel, 1 perfume (para homem ou mulher), 1 rolo de papel higiênico pela metade (para "emergências"), 1 desodorante e 1 toalha de rosto (igualmente para emergências, pois todo hotel que se preze no mínimo toalhas terá), barbeador se homem, depilador se mulher, 1 secador de cabelos bivolt com adaptador(es) de tomada, escova de cabelos do tipo "abre e fecha" (carecas, um bagulho a menos para carregar!), 1 escova de dentes e pasta dental, 1 tesourinha de unhas. Se mulher pode carregar mais um creme que sirva para mãos e corpo.

Mulheres! Por favor, nada de um creme para os pés, outro para as mãos, mais um pro rosto, reparador para cabelos, todos acessórios de maquiagem, etc., etc., etc. Lembre-se que é uma viagem de moto, não uma mudança! No mais, 70% do tempo você estará ou de capacete, ou dormindo. Portanto, não precisa de toda maquiagem que você acha que precisa... Mantenha sua beleza, mas não leve o salão de belezas junto! Se em última hipótese você precisar de um salão, acredite em mim quando digo que você encontrará vários no decorrer da viagem. O fato de você ir viajar de moto, não quer dizer que esteja fazendo uma viagem à lua ou marte!!! Câmbio! Terra! Se não houver salão de beleza onde você acha que vai precisar, é porque não só você não precisa se produzir como NÃO DEVE, sob pena de infringir costumes locais ou chamar indevidamente a atenção de forma a arriscar sua integridade física!

Sim! Mesmo, e principalmente na América do Sul, existem certos lugares mais afastados da "civilização" onde você aparecer toda arrumada e maquiada pode na melhor das hipóteses ou "pegar muito mal", ou até mesmo trazer dúvidas quanto a sua moral.

Lembrem-se sempre, tanto homens quanto mulheres: viajar de moto é uma viagem de aventura e que, portanto, sofre algumas "restrições", se é que pode ser visto desta ótica. Não é uma festa e nem uma viagem "comum". Fosse, você iria de avião ou na pior hipótese de carro. 

Todos os produtos de higiene, fora a toalha, devem caber em uma "necessaire" de tamanho médio, inclusive papel higiênico! Se não couber, algo está muito grande... Ou o papel, ou a escova de cabelos ou mesmo o secador. Revise e procure algo de tamanho menor, mas eficiente. Não adianta, por exemplo, comprar um secador ultra-mega-compacto que não seque nada, pois você vai utilizá-lo mais do que pensa... 


E é só isso o que você vai levar em termos de roupas e produtos de higiene.

Achou pouco? 

Separe tudo e coloque lado a lado, que você vai ter bons metros quadrados opupados no chão da sala! Para uma viagem de moto, até jé é coisa demais!!!

Para este post, acabamos. Na próxima parte falaremos de medicamentos, documentos, ferramentas e peças sobressalentes.

Até lá!

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 05

No último post, falamos um pouco de malas laterais e bauletos, enfim, "cases" em geral:

http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/04/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto_25.html

Neste, vamos falar de "bags" em geral: malas de tanque ou tank bag; dry bags, inner bags, roll bags, rack packs, back packs e outros, além sobre a utilização de aranhas, fita rápida e esticadores para fixação de babagem.


Malas de tranque - controvérsias, prós e contras

Helge Pedersen, em um de seus vídeos intrucionais dos Globe Riders (http://www.globeriders.com) a certa altura fala das malas de tanque, dizendo que odeia as mesmas. 


Infelizmente sou obrigado a concordar com ele. 

Malas de tanquem em geral, ao menos para mim, me deixam no mínimo preocupado. Por melhor presa que estejam, sempre tenho a impressão de que vão cair mais cedo ou mais tarde. Isso porque não há como carregá-las que não sejam "amarradas" ou fixadas à base de imãs, velcros, "lincagens" e congêneres. Talvez eu tenha essa impressão porque efetivamente já tive malas de tanque "voadoras". 

Pior ainda que isso, é a sensação que você sempre vai "abraçado" em algo, com a barriga pressionada constantemente. Por mais que eu tentasse ajustar a mala sobre o tanque, o desconforto simplesmente não desaparecia jamais! E, por fim, se você tem de subir nas pedaleiras, aí então é o caos! Com o perdão da expressão, você fica com um bagulho permanentemente lhe batendo nos "países baixos", o que não só é desconfortável como pode ser bastante doloroso, principalmente se você é homem.

O lado bom das malas de tanque é que le darão acesso fácil ao conteúdo interno, sendo o local ideal para carregar eletrônicos em geral, como câmeras, celulares, calculadoras de bolso, etc., bem como  mapas e principalmente documentos de primeira mão que NÃO devem ficar na moto quando você se ausenta. 

Nesse sentido, uma boa mala de tanque impermeável e que você possa retirar rapidamente nas paradas em que a moto fica longe de seus olhos, é o ideal. Então, pensando dessa forma, é fácil concluir que você deve optar por malas de volumagem contida.

A Kriega ( http://www.kriega.com ) conta com excelentes malas de tanque, absolutamente impermeáveis, com 5, 10 e 20 litros, que tanto podem ser utilizadas sobre o tanque quanto na traseira da moto, sobre o banco do garupa ou bagageiro. Se é para utilizar malas de tanque, recomendo as mesmas.  Para mim, tenho como ideais as de 10 litros. Essas sim, ao contrário das "originais" BWM, por exemplo, não me deixam com a sensação desagradável de que carrego algo mais na barriga além de meu estômago e nem são um "chute" no off. O único porém destas é que não contam com aqueles "porta-mapas" transparentes que lhe possibilita a visualização dos mesmos durante as paradas estratégicas no meio do nada a fim de verificar estar na direção certa. 

Mas... Em épocas de GPS, quem quer mapas de papel? fora eu, só uma meia dúzia de românticos, e olhem lá. Nada que seja verdadeiramente um real problema, pois sempre podem ser feitas as necessárias adaptações.

É claro, se você me perguntar se eu realmente gosto de utilizar malas de tanque, a minha resposta sempre é única: não!


Dry bags, inner bags, roll bags, rack packs, etc.

São tantas opções de "bags", "packs", "racks" e "inners" que chega a dar um nó na cabeça. A grande verdade é que são todas sacolas. Umas mais bonitas, outras mais feias. Umas efetivamente impermeáveis, outras nem tanto. 


Inner bags
Inner bags, em geral, são as "sacolas internas" de um determinado case. De forma superficial, podemos até dizer que um bom case lateral ou top case terá a opção de um inner bag. Isso funciona por exemplo tanto para as malas da Touratech, quanto para as da BMW e Hepco & Becker.

Mas porque você precisa de um inner bag se já tem um bom case lateral ou top case, onde pode enfiar a sua bagagem? 

Tenha em mente agora retirar por dias à fio, semanas, meses ou talvez anos, (lembre-se que estamos falando de longas viagens de moto!) todas as malas laterais e subir para o 3º, 5º ou 8º piso do hotel. Ou você acha que todos contarão com elevador!? Sem falar que não são todos cases que tem instalação e desistalação rápida ("quick release") e igualmente em geral não são nada leves. Além disso, para complicar mais ainda, nem todos contam com alças, sendo que em geral justamente os mais pesados - metálicos - é que não as tem. Com inners, você simplesmente arruma sua bagagem dentro dos mesmos e depois coloca-os dentro dos cases. Fácil assim! Adicionalmente, bons inners são também impermeáveis, trazendo proteção extra para a integridade da sua roupa, no que toca mantê-la seca. Você pode atravessar um rio sem problemas, pegar uma tempestade daquelas de assustar marinheiro velho em terra, e ainda assim ter a certeza de que terá uma meia sequinha para vestir no hotel. Nada mais aprazível! Vale o investimento, portanto.


Dry bags

Denominam-se "dry bags", em geral, todo "saco" impermeável. E quando falamos em saco, é saco mesmo! Não passam de longos tubos de lona, cordura, vinil ou material semelhante costurados em uma ponta e enrolados em outra. É o típico "saco de campanha", que você vê nos filmes antigos de guerra, onde o soldado carregava aquela verdadeira "mortadela" esverdeada de um lado à outro e atirava ao chão quando finalmente vitorioso encontrava a mocinha.

Feios e desengonçados, de cores variadas e geralmente berrantes, é o que há de mais barato - e funcional - quando você pensa em manter roupas secas. Leve em consideração que estes sacos são utilizados principalmente por velejadores e pessoal do caiaquismo de aventura, pelo que são aptos a  realmente enfrentar muita água. Daí a justificativa das cores berrantes... Fica bem mais fácil você localizar um amarelão ou laranjão no meio de um rio ou mar do que algo preto, cinza ou mesmo branco.

Já é algo bem melhor do que simplesmente colocar a roupa em uma mochila e após embrulhar esta em saco de lixo preto, daqueles de 100 litros. O grande "porém" dos mesmos é que, por terem abertura em uma só ponta, tudo lá dentro vira uma bagunça. Na hora de escolher uma cueca ou meia, você tem de virá-lo de cabeça prá baixo e despejar tudo sobra a cama do hotel. Nem preciso dizer no que vai virar sua roupa após alguns dias de viagem. 

Não é, portanto, a melhor solução. 


Rack packs

"Rack packs" não passam de uma "evolução" dos tradicionais "dry bags".Geralmente são semelhantes àquelas "bolsas" de academia antigas (lembra os filmes de boxe?), com um zíper em cima e alças ao lado. A diferença é que - além de impermeáveis - geralmente não contam com zíperes, tendo sim sua parte superior enrolada para fechamento ao mesmo estilo dos dry bags. Pense num dry bag com abertura na lateral em vez de na extremidade e você estará diante de um rack pack. 

Os melhores rack packs que conheço são da marca Örtlieb (http://www.ortlieb.com). É claro que você irá encontrar uma infinidade de outros rack packs, que se dirão tão bons quanto os Örtlieb. "Chovem" neste quesito produtos chineses. Qualidade, como sempre, muito discutível. Se você não quer "passar ruim", vá atrás de produtos bons. Depois não vá reclamar que o chinês não prestava e que não era nada daquilo que prometia. Örtlieb's não prometem. Eles cumprem a função a que se propõem. 

Há rack pacs, assim como dry bags, de tudo quanto é litragem, sendo que os Örtlieb's vão desde 20  e poucos litros, passando por  31, 45, 49 litros, até "absurdos" 89 litros. 

Se posso lhe dar um conselho, salvo extrema necessidade contrária, opte pelo meio termo dos 45 ou 49 litros. 89 litros é muita coisa! Praticamente o espaço interno de um frigobar dos grandes...Convenhamos que você não precisa de tanto espaço assim! Se necessitar disso e um pouco mais, então o melhor seria você seguir de carro e esquecer esse negócio de moto. Salvo, é lógico, se você vai só com um grande rack pack e mais um top case, o que justificaria bem a escolha. Ainda assim, a probabilidade de acharem que você está carregando um corpo sobre o banco do garupa, será alta...


Roll bags

Existem igualmente diversas marcas de roll bags, para tudo que é gosto, de tudo que é tamanho mas geralmente em forma de rolo mesmo. Daí "roll"... A BMW, entretanto, junto a seus fornecedores desenvolveu uma verdadeira mistura de tudo: colocou um zíper num rack pack, umas quantas amarras de fixação à moto, tirantes, porta-mapas e coisas do tipo e chamou isso de "roll bag". 

Gosto bastante deste produto. 

Com fundo rígido, não dá a impressão que você matou alguém e jogou na garupa da moto. De igual forma, os tirantes ou amarras que acompanham o roll bag são extremamente funcionais, e ótimos na hora de você tirar e retirar a bagagem da moto, ao contrário do que ocorre com os dry bags e rack packs grandes. 

O contra? 

A BMW do Brasil ainda não se deu conta que está no Brasil. Vende o produto sem subsídio algum, enfiando tudo que é imposto de importação e um pouco mais. Parece até que eles não compram o produto direto da fábrica, e sim de lojista lá na Alemanha. 

Aliás, essa é uma boa dica! Adquira o produto diretamente das lojas alemãs. Há grande probabilidade que mesmo pagando todos impostos devidos e indevidos, ainda assim no final das contas tenhas um item mais barato do que direto no concessionário. Ou então converse com seu fornecedor BMW. Apesar de tudo, eles são compreensíveis, e geralmente dão ótimos descontos para bons clientes, se é que você me entende...

Outros "bags"

Temos ainda "back packs" (nada mais do que a simples, funcional e famosa mochila),. Para viagens curtas até são aceitáveis, mas para longas, jamais, salvo se você carregar pouquíssimo peso nas mesmas. Caso contrário, sofrerá de uma boa dor de coluna ao final de um longo dia. Há , ainda, os "sem noção" que fazem a garupa carregar mochilas pesadas... A única desculpa aos mesmos é a inexperiência. Um verdadeiro motociclista experiente JAMAIS submeterá a garupa a tal situação. Se insistir em tal prática, não reclame se perder a companheira de viagens.

Saddle bags (em uma tradução livre, seriam "sacos de sela") não passam de versões modificadas de tank bags que vão ao lado do tanque. São ótimas para se carregar, por exemplo, capas de chuva, já que as deixam à mão e no caso de você tombar com a moto funcionam como bons "air bags". Além disso, são boas porque jogam um pouco mais o centro de gravidade à frente, boa prática principalmente para aqueles que costumam viajar muito carregados (o que não é recomentável, mas, se tem de ser, melhor distribuir o peso pela moto!)


Outro bag ou pack que está em "moda" ultimamente, são os saddle bags da marca "Giant Loop" (http://www.giantloopmoto.com). Bastante funcionais e ideais para motos trail pequenas, menores de 600cc, ainda que possam ser usados com louvor em motos maiores, tipo de 800cc ou ainda mais. Não existem restrições de uso. O único porém desse produto é que - embora melhores do que dry bags - não é a coisa mais fácil manter a roupa sem virar uma grande massaroca dentro dos mesmos.

Existem ainda uma infinidade de outros bags: "tail bags" (para a rabeta/traseira da moto), "pannier lid bags" (para serem fixados em cima/sobre a tampa de cases metálicos), "headlamp bag" (para serem fixados sobre o farol), "handlebar bag" (para ser fixado no guidom), "arm bag" (fixados no seu antebraço), "leg bags" (vão afixados à coxa) e tantos outros. 


Aranhas, fita rápida, esticadores e cordas em geral

Tenho uma palavra de ordem para aranhas, esticadores, fitas rápidas e cordas em geral: evite-os à todo custo!!!

É claro que todos estes acessórios são extremamente funcionais, mas se não bem afixadas, há grande risco de soltarem uma ponta e a mesma vir a enroscar-se na roda trazeira, danificando-a ou travando-a, podendo levar até mesmo à consequências desastrosas de graves acidentes. Portanto, só utilize tais itens se não houver outra forma de fixar a bagagem. Para carregar dry bags, por exemplo, não há outra saída, sendo  necessárias. Opte por esticadores, aranhas ou fitas rápidas de boa qualidade. Mas por favor! A corda evite à todo custo!!!

Pronto! Se você prestou atenção em tudo até aqui, considere-se habilitado a carregar a bagagem de maneira segura em uma moto! PARABÉNS!!!

Mas a questão principal ainda não vai respondida... Afinal, o que devo levar em termos de roupas, medicação e documentos em uma grande viagem de moto?

Tudo isso e um pouco mais será o assunto da parte 06. 

Até lá!



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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lançamento oficial da G650GS Sertão!!! Finalmente!!!

A imprensa especializada já deu conta de relatar o "test drive" que vários jornalistas do meio fizeram nas G650GS Sertão que lhes foram disponibilizadas.


Além do todo que já foi dito em nosso post de fevereiro deste ano em relação à todas caracterísitcas da Sertão (http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/02/o-que-as-bmws-f800gs-e-g650gs-sertao.html) mais alguns comentários a "enfeitar" o "novo" lançamento, que aos brasileiros já se torna antigo, uma vez que desde o final do ano passado a moto já é vendida na Europa e Estados Unidos. 

De se notar - e guardar em arquivo! - a quebra do pára-lamas dianteiro em diversas motos testadas, o que é praticamente inadmissível para uma moto voltada justamente para tal uso off road e mais ainda em motos disponibilizadas para teste. Ocorre que a quebra do pára-lamas pode se mostrar verdadeiro problema, pois deixa o piloto totalmente desprotegido dos respingos oriundos da roda em tempo ruim ou  mesmo passagem de poças.


A BMW, porém, através do seu Diretor no Brasil Rolf Epp, em atitude bastante responsável - que aliás norteia a atuação do mesmo - se compromete com a solução do defeito, pelo que disparou comunicado à imprensa, dando conta da solução do problema: 


Como todo lançamento, defeitos sempre podem ocorrer, sobretudo em componentes novos. Com o comprometimento da BMW, porém, é defeito que, vindo a ocorrer, pode sofrer inclusive "recall branco", em caso de quebra de alguma outra unidade. Por isso interessante guardar o comunicado supra. A BMW certamente trocará a peça - em eventual ocorrência de quebra - sem custo algum ao consumidor final. É item à ficar sob vigilância. ATENÇÃO! A peça NÃO deve ser reforçada ou modificada pelo consumidor, ou perderá a sua garantia! Igualmente, não terá garantia caso o piloto colocar alguma bolsa de ferramentas ou o que o valha sobre o para-lamas até porque a peça não foi feita para isso.

No mais, a moto indiscutivelmente é show!

Já há fila de espera para a mesma. Em maio estará disponível à entrega. E maio é semana que vem...


*fonte principal de consulta e créditos das fotos: www.motonline.com.br

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 04

Na parte 03 deste tema, nos restringimos a falar de amortecedores, reforços de chassis, GPS e outros acessórios.

http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/04/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto_23.html

Deixamos para hoje a questão das malas de tanque, cases laterais, top cases, bagageiros e outros itens em termos de equipagem de "malas" em geral para a moto.


Vamos falar sobre os riscos e facilidades de se utilizar um top case, discorrer sobre os cases laterais, apresentar alternativas diversas para carregar bagagem.

Não vamos neste post, porém, por hora tratar da questão "do que levar" em termos de bagagem (roupas, peças de reposição, medicamentos, documentos, etc.), pois tal questão será matéria da parte 05.


Top case - riscos e soluções

Um top case pode ser uma ótima solução numa moto, mas, igualmente, pode se tornar um potencial risco. 

Quando se fala em top cases, muitos motociclistas, sobretudo os mais inexperientes, acham que basta colocar um grande top case atrás da moto e está tudo resolvido. Não raro vemos, como já falamos anteriormente, top cases com capacidade maior de 50 litros, e peso igualmente correspondente. 

O que você deve lembrar é que toda moto tem algo que se chama "centro de gravidade", o qual  numa teoria rápida, deve ser mantido o mais entre as rodas possível. Quanto mais atrás você localizar este centro de gravidade, mais instável você deixará a roda da frente, tirando a capacidade de manobra da moto, trazendo potencial risco em retas, curvas, enfim, todas situações. Igualmente terá risco se jogar o centro de gravidade muito à frente, perdendo capacidade de tração, prejudicando o amortecimento frontal e outros efeitos indesejados na ciclistica da moto.

Certas motos, como a Buell Ulysses, já tem a tendência "natural" de ter seu centro de gravidade jogados  muito atrás principalmente quando viajando com garupa e utilizando-se top case, pois a garupa vai encostada no mesmo e praticamente todo seu peso vai parar atrás do eixo traseiro da moto. O fato da moto ter uma aceleração brutal, de igual forma em nada contribui para a estabilidade do conjunto, e viagens com a moto muito carregada pode se tornar um grande problema. Isso, é lógico, não é "privilégio" da Buell Ulysses, sendo que a grande maioria das big trails contam com esse problema "crônico". Pelo fato de tnecessitar ter a frente "maleável" à possibilitar curvas fechadas em estradas mais travadas ou mesmo trilhas leves, é bastante natural que a distância entre-eixos não seja muito grande - ao contrário do que ocorre com as customs - e com isso um top case normalmente é jogado para muito além do eixo traseiro, o que não raro acontece também com os cases laterais. Os mesmos normalmente estão mais para a secção traseira da moto do que para a dianteira. 

Além disso, temos de lembrar que a secção traseira da moto não foi feita para suportar grandes cargas. Não é só o top case que vai afixado no subframe, mas também os cases laterais. Coloque ainda nisso tudo mais o peso do garupa e você terá meio caminho andado para acabar com sua viagem pela quebra do quadro. Portanto, se você não consegue se imaginar viajando sem top case, procure sempre ao menos ter um de tamanho compatível com sua moto. Qualquer coisa que carregue mais de um capacete fechado, em tese, é grande demais.Se couberem dois, então, é enorme e um risco em potencial. A foto ao lado é um bom exemplo do que não deve ser colocado em uma moto. Note ainda que tal top case possui "ganchos" para amarração de carga sobre o mesmo. Certamente o piloto desta moto deve se gabar achando que fez uma ótima escolha em termos de top case. Mas acredite, é péssima!

Além do mais, top cases muito grandes fazem com que a moto tenha mais área lateral, fazendo com que ventos laterais prejudiquem em muito a estabilidade da mesma. E não duvide da força dos ventos em deteminadas regiões! 

Mantenha o top case menor que você puder, lembrando do tamanho limite: deve caber um capacete fechado, no máximo. 30 ou 35 litros é o ideal. Mais do que isso é franca loucura e um risco em potencial, principalmente se você for viajar também com cases laterais e garupa.


Cases laterais - ferro, alumínio, plástico ou cordura? 

Assim como ocorre com os top cases, existem cases laterais de todos os gostos, desde mais comuns de cordura ou outro material flexível mas igualmente resistente (lona, couro, etc) até os mais caros, como os de alumínio, muitas vezes confeccionados para se encaixarem de forma perfeita e exclusiva em um determinado modelo de moto.

A mesma sugestão - ou dica, como preferir - que vale para os top cases, vale para os cases laterais. Não os tenha em tamanho exagerado, a fim de não comprometer a estabilidade, ciclística e manobrabilidade da moto. O exemplo da primeira foto deste post, é a indicação de tudo aquilo que NÃO se deve fazer em uma moto. Vladimir Yarets é um motociclista russo extremamente experiente, com quilometragem nas costas suficientes para colocar a maioria de nós "no chinelo". Tal experiência, contudo, não parece ter lhe oferecido a escolha mais acertada em termos de cases laterais, neste caso literalmente malas. 

Claro que muitas vezes as "escolhas" se dão até por motivos econômicos, quando não tem o motociclista as melhores condições financeiras para equipar sua moto com cases de última geração, à estilo dos Touratech ou confeccionados pelo próprio fabricante da moto, mas o "exagero" a que Yarets submete a moto, é algo despropositado, por mais que este "viramundo" seja obrigado a carregar a casa junto. É um grande risco que corre, pelo todo já explicitado supra.

Em tese, o tipo de cases laterais bem como seu tamanho depende muito do modelo da moto. Tanto é assim que você jamais conseguirá encaixar um case Vario de uma G650GS em uma R1200GS, ainda que ambas sejam BMW. E nem vice-versa. Ainda há regra básica de procurar não se utilizar cases metálicos em motos leves aptas à trilha, como a Lander, XRE e outras pequenas, assim como os mesmos não são recomendados para Customs em geral, esportivas ou sport tourings. Na verdade, cases metálicos só vão bem em big trails, e ainda assim há que se ter um mínimo de noção espacial e de geometria. Não adianta, por exemplo, você querer enfiar grandes cases metálicos de mais de 40 litros de cada lado da moto, pois ela simplesmente ficará torta e aerodinamicamente instável. Isso porque a grande maioria das big trails tem seu cano de escape saindo em uma das laterais, obrigando você a afastar o case do mesmo. No caso de utilizar idênticos de cada lado ao invés de mais estreito no lado do cano de escape, você será obrigado a afastar igualmente o outro lado e deixará a moto muito mais larga do que necessitaria. Como consequencia, você terá tudo o que um motociclista não deseja. manobrabilidade próxima de um carro, e ficará totalmente "travado" no trânsito pesado. Mesmo cases metálicos menores e "genéricos", para mais de um tipo de moto, não são os melhores, porque jamais conseguem acabar com a largura exagerada da moto, como o caso dos Trax da foto ao lado. Nesse sentido, se você está procurando cases metálicos, que tal utilizar os cases do próprio fabricante? É claro que cases da BMW R1200GS, por exemplo, custam uma verdadeira fortuna, desestimulando a utilização dos mesmos. Mas você por acaso não tem um amigo que possa trazer os mesmos para você? Ou que tal enviá-los ao Brasil na sua próxima viagem ao exterior, ainda que seja para países vizinhos como Argentina e Chile, que contam com bons representantes BMW? Como última alternativa, você pode partir com sua BMW para a Argentina SEM cases, passar na BMW e voltar COM cases de lá... Ainda que pagando impostos, valerá à pena. 

Alternativamente você tem os cases de alumínio da Zega, vendidos pela Touratech. Ótima marca, mas só ela já tem valor de mercado embutido. Então, se você estiver pensando em equipar uma BMW R1200GS, por exemplo, não espere pagar muito menos por um conjunto de cases da Zega mais suportes  respectivos do que por originais BMW.

E saindo dos originais e dos da Zega, não restarão muitas alternativas no mundo dos cases metálicos, porque praticamente todos os outros não terão o recorte necessário para o cano de escapamento, a fim de reduzir ao máximo a largura com o aproveitamento de espaço apropriado. É claro que você poderá ainda mandar fabricar cases especiais para você, mas a qualidade do serviço, salvo raríssimas exceções (quando você encontrar, me fale!) será sofrível, e a probabilidade do mesmo ficar com soldas ruins, torto ou mal acabado é enorme.

Se você contudo não se importa com a largura final do conjunto, então as opções são variadas... Trax, SWMotec, Metalic Mule, Alpos, Shad, Hepco & Becker, Teton, Tesch, Jesse, Overland Solutions, Owyhee, Imnaha, Cascade, Denali e uma infinidade de outras marcas estão entre as mais ou menos famosas. O problema é que a grande maioria é importada e, no Brasil, importações diretas estão cada vez mais difíceis de serem feitas. Além dos obrigatórios impostos (Imposto de importação - I.I .-  e Imposto sobre a Circulação de Mercadoria e Serviços - ICMS - que incidem em cascata) que elevam a mercadoria a mais de 100% do seu valor original (se custar USD 300 você vai acabar desembolsando no mínimo USD 600 até USD 800 ou mais, por conta de impostos que recaem até sobre o frete!), passando dos USD 500, ainda se terá taxa de um tal de "Importa Fácil" dos correios (que de fácil não tem absolutamente NADA!) de mais R$ 150,00. E reze, depois de tudo isso, para a mercadoria não se extraviar e nem chegar danificada. Ao final das contas, importações independentes acabam se tornando mais questão de sorte do que outra coisa.

Partindo aos cases plásticos, talvez os da Vario sejam a melhor solução, principalmente se estivermos falando de BMWs. Os mesmos se encaixam como luva na R1200GS, havendo modelo específico para a mesma, assim como há para a G650GS e para a F800GS. Todos eles expansíveis, aumentando ou reduzindo a capacidade de carga com um simples destravar de linguetas ou movimento de manivela interna. Simplesmente excelentes! Não conheço melhores nesse sentido.

Alternativamente, você tem ainda os Hepco & Becker, outra solução que tenho como bonita e aceitável. Optando pelos mesmos, não esqueça de também adquirir o respectivo suporte. Cada modelo de moto tem um tipo específico de suporte, e um não se encaixa em outra. Porém, o problema da importação persiste para os Hepco. Ou você importa de maneira independente e isso lhe custa os "olhos da cara" mais um tanto de sorte, ou você se sujeita a pagar o que o representante ou lojista quer pelos mesmos: algo em torno de mais caro ainda (mesmo que este não pague tantos impostos ao final das contas quanto você pessoa física).

Finalmente temos os cases de cordura ou material semelhante, se é que se podem chamar estes propriamente de "cases". Marcas reconhecidas como Oxford e Givi figuram entre diversas outras, com proposta semelhante. O "porém" desse tipo de "case" é que normalmente contam com uma espécie de "capa de chuva" que precisa ser instalada em caso de tempo ruim, e que não raro alçam vôo e são perdidas na estrada, levando ao ensopamento de toda sua bagagem, verdadeiro pesadelo para qualquer motociclista. Alternativas de embalar a roupa em sacos plásticos ou de lixo, além de tomarem espaço, não são a coisa mais "chique" ou mesmo prática que se pode imaginar embora para utilizar tais cases não exista muita outra alternativa se você quiser preservar suas roupas secas. Tal tipo de "case" vão muito bem em esportivas, mas esqueceria das mesmas para as Big Trails.

Claro que existem outros tipos de "cases" flexíveis muito bons. Falaremos destes no item infra sobre "dry bags", "roll bags", "rack pacs" e outros.


Malas "exóticas" - uma alternativa barata ou perigosa? 

O case ou mala mais "exótica" que já vi foi em motos de uns estrangeiros em Punta Arenas, Chile. Se não me engano ingleses, como não poderia deixar de ser... Os motoaventureiros simplesmente resolveram construir cases de madeira! Sim! Madeira!!! Não sei se os caras eram marceneiros ou o quê, mas ver tais cases num primeiro momento me causou arrepios... Fiquei imaginando o que sobraria dos mesmos em caso de uma queda, bem como quanto ao risco em um acidente de uma lasca de madeira perfurar o corpo do motociclista.

Depois disso ainda vi outros cases feitos do mesmo material... Bem. Pensando melhor, na pior das hipóteses se todo o mais der errado, duas coisas são certas: primeiro que você vai conseguir consertar os cases em praticamente qualquer lugar do mundo e, em segundo, quando nada mais for possível, você ainda terá um tanto de lenha para acender uma fogueira!

O fato é que, ao contrário do que se possa imaginar, malas "exóticas" são mais comuns em motos do que se pensa. Vão desde caixas de munição pesada à mochilas amarradas e jogadas por cima do banco, sem esquecer de passar pelas fabricações próprias supramencionadas dos reis da marcenaria.

Chama bastante atenção o fato que muitos motoaventureiros costumam utilizar com bastante frequencia Pelican Cases, ou ultimamente as réplicas das mesmas, de marca "Nanuk", já havendo sussurros de que estas últimas seriam até melhores do que as originais Pelican. Tenho minhas dúvidas quanto a qualidade das Nanuk, mas quanto as Pelican, não tenho o que falar contra. O fabricante destas diz e vende as mesmas como à prova de praticamente tudo, incluindo-se aí água, poeira e carro. Sim. Pode um veículo passar por cima das mesmas que, em tese, as mesmas não restarão mais do que arranhadas.

Fato: comprei uma Pelican Case para servir futuramente como alternativa de Top Case pequeno para a G650GS que ainda vou adquirir e posso atestar a qualidade da mesma! É efetivamente impermeável, pode levar cadeado e não tenho dúvida alguma que aguentaria o peso de um veíulo médio em cima sem maiores deformações. Para os que procuram alternativas aos cases tradicionais, portanto, tenho que a melhor opção.


Como tudo, a utilização das mesmas sofre certas restrições, principalmente no que tange a impossibilidade de retirá-las facilmente, como ocorre com cases fabricados industrialmente com fim específico para as motos e ainda pelo fato que se deve na maioria das vezes construir artesanalmente os suportes para as mesmas. Para complicar ainda mais, no Brasil não existem Pelican Cases que não sejam importadas, só para variar mais um pouco... Os poucos fornecedores oficial do material, acho que nem preciso dizer; acabam cobrando mais por um par de Pelicans do que por um bom conjunto de cases laterias.

Mas aqui há uma excelente alternativa! Pelican Cases não passam de verdadeiras malas. Então, na aduana, como tais passarão facilmente, sem taxação alguma, desde que, é lógico, você as utilize para uso próprio, traga as suas roupas e badulaques dentro, etc. E claro, tire as etiquetas que as denunciam como zero km!

Portanto, se você vai ao exterior, que tal sair com uma malinha bem surrada e voltar com um par de Pelican Cases para instalar na sua moto?

Há os mais variados tamanhos e formatos das mesmas. Adquira algumas que efetivamente sirvam para a sua moto, e que não deixem a mesma com aspecto de geladeira ambulante. 


No próximo post vamos falar de malas de tanque com seus prós e contras; sobre dry bags, inner bags, roll bags, rack packs e outros, além sobre a utilização de aranhas, fita rápida e esticadores para fixação de babagem.

Até lá!


* Créditos fotos: 
1a. - Vladimir Yarets e sua moto
Demais fotos - retiradas aleatoreamente do site www.advriders.com e outros sites







segunda-feira, 23 de abril de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 03

No último post, falamos um pouco de bancos, bolhas, protetor de tanque e de cárter e ainda de pneus.

http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/04/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto_18.html

Agora chegou a hora de passarmos pela questão de outros acessórios. Com o que mais preciso equipar a moto para fazer uma longa viagem? É necessário trocar amortecedores por outros mais resistentes? E o chassis ("frame"), é necessário reforçar ou não? Tudo isso é realmente necessário?
 

Amortecedores

Inicialmente, parta do seguinte princípio: se um fabricante colocou um determinado amortecedor em determinada moto, é porque ele serve á mesma.  Da mesma forma que acontece com pneus e rodas. 
Muitos motoaventureiros tem a "mania" de pensar que alguns equipamentos originais de motos não servem. Se você pensa assim, veja o que falamos com relação à bancos e bolhas... Não são estes que são ruins! Apenas podem não servir para o fim ao qual VOCÊ quer! E isso de forma alguma significa que aquela bolha minúscula ou aquele banco duro não sirva para muita coisa. Engenheiros especializados não perdem horas, dias, por vezes anos à fio e milhares de dólares investidos em pesquisas para lhe entregar algo ruim. A moto é um todo, pensada em conjunto. 

A pior coisa então que se pode fazer nesse sentido, é querer dar uma de engenheiro e começar trocando pneus, geralmente por outros mais largos. Tal prática é muito comum em carros, por "customizadores" ou outro nome que carreguem. Só que ao fazerem isso não notam que estão modificando toda estabilidade do veículo. Rodas mais largas, por exemplo, dão mais chance à aquaplanagem, seja em carros, seja em motos...
 
Mas e os amortecedores de uma moto? Vale trocar?

A resposta é: depende de você. Se você vai utilizar a moto em condições extremas, sobrecarregá-la, partir para um "Dakar" da vida, então é óbvio que vale a pena. Igualmente se você tem tamanho avantajado, seja em termos de peso e/ou estatura, ou ao contrário está mais para baixinho e leve, então também pode valer à pena também. 
Há ainda os que simplesmente querem modificar a ciclística da moto, deixá-la mais "esperta", enfim, utilizar equipamento ainda melhor na moto. Nesse sentido, existe uma infinidade de amortecedores profissionais. Por exemplo, para as BMW's, muitos motoaventureiros louvam os Wilbers (http://www.wilbers.de)  ou ainda substituem somente molas internas de canelas por outras chamadas progressivas (http://hyperprosales.com/ ) mais leves no início de curso e mais rígidas ao final.


Reforços no chassis

Em tese, não existe nenhuma necessidade de serem reforçados chassis. A primeira foto deste post mostra um verdadeiro absurdo de sobrecarga na moto. Em tais casos de sobrecarregamento, é óbvio que será necessário reforçar o chassis da moto, sobretudo o "subframe" da mesma (parte traseira, onde normalmente vai fixado o banco do garupa).

Contudo, por mais longa que possa parecer sua viagem de moto, procure fugir à todo custo do excesso de bagagem. Motos foram feitas para serem ágeis. Devem contar com uma segurança ativa, ao contrário de automóveis que possuem segurança passiva (leia-se, um carro na pior hipótese pode até bater que, passivamente, sofrerá uma deformação programada a fim de preservar ao máximo a vida do motorista, enquanto uma moto tem agilidade suficiente para, ativamente, evitar choques à todo custo!). Numa moto  em comparação com um carro, você tem mais capacidade de aceleração e de desaceleração rápida, mais capacidade de executar curvas rápidas, enfim, uma manobrabilidade muito maior, sendo tais fatores que lhe livram do pior ou que equilibram o risco. A medida que você vai acrescentando peso em uma moto, vai prejudicando sua ciclistica e sua segurança ativa. Com muito peso os freios já não frearão tanto, o motor já não acelerará a contento e os amortecedores irão chorar e ranger dentes. Enfim, você estará "detonando" literalmente a moto, encurtando a vida útil da mesma. Isso se não encurtar a sua...

Muitos dizem que existem motos que tem a "tendência" de quebrar a secção traseira do quadro. O estranho é que estes mesmos gostam de top cases (bauletos traseiros) do tamanho de frigobares, com 50 ou mais litros e não raro ainda colocam mochilas sobre os mesmos. Aí, claro, não há quadro que aguente!!!

Não adianta reforçar uma coisa e outra não. Pelas leis da física, à toda ação corresponde uma reação de igual força mas em sentido contrário. Em bom português isso quer dizer que se você adicionar sua esposa, namorada, garupa, por mais leve que ela seja, e mais 100kg de bagagem à traseira da moto, num impacto mais forte em um buraco, não adianta colocar rodas mais resistentes e nem trocar o amortecedor, pois a força do impacto terá de ser transmitida a algum lugar.  Frames e junções de amortecedores nesse ponto, parecem ser os preferidos para quebras.

Se você tiver de partir para isso, lembre-se que existem algumas regras básicas para fazê-lo: como por exemplo utilizar material de boa qualidade e de preferência idêntico ao utilizado no chassis da moto, cuidar para não torrar circuitos eletrônicos ao executar soldas, procurar fazer o reforço da forma mais leve possível, etc.


Outros protetores e acessórios

Exitem ainda inúmeros outros protetores para a moto, alguns efetivamente necessários e outros que são dispensáveis. Cada moto, neste ponto, tem suas particulariedades. Se você pensar em colocar protetores em todos locais que a Touratech recomenda,por exemplo, você vai somar alguns bons quilos à moto, além de dispender algumas dezenas de centenas de dólares.

Tenho particularmente como bastante úteis, senão necessários, protetores de manoplas e de farol. Os primeiros ajudam a tirar suas mãos do vento, chuva e pedras e os últimos podem salvar seu farol de um pássaro perdido que atravesse o caminho e das pedras atiradas por outros veículos em estradas de rípio, por exemplo, muito comuns na região patagônica de Argentina e Chile.

De outros acessórios úteis para moto, ou primordiais, o alargador de pezinho é para mim item básico. Até hoje não consegui compreender porque as bases de pezinhos de fábrica das motos são geralmente ínfimos. Deve ter alguma coisa a ver com corte de custos ou coisa assim. Quem sabe porque o engenheiro achou que uma base pequenininha ficava esteticamente melhor? Ou quiçá para não atrapalhar os movimentos de troca de marcha ou ainda algo a ver com a aerodinâmica geral da moto? Não sei... Deve haver uma boa explicação! A que eu aceito, porém, é que a base do mesmo tem de ser maior. Quando você tiver de parar a moto sobre grama molhada, barro ou areia, irá perceber a diferença que faz contar ou não com um alargador de pezinho! Será a diferença entre conseguir manter ou não a moto parada, em pé, no descanso.

Um acessório também bastante interessante, senão primordial, é o chamado protetor de canelas ("garfos" ou a suspensão dianteira da maioria das motos, exceto BMW R1200GS, que não tem o mesmo tipo de amortecimento na dianteira das demais motos). Motos menores, como as de trilha, costumam ter um tipo de "sanfona" protegendo as canelas das mesmas. Tal proteção evita que a sujeira grude nas canelas e com isso acabe "lixando" os retentores, o que levaria a vazamentos do fluído da suspensão dianteira, colapsando o sistema e trazendo consequências funestas.

É claro que existem, como tudo na vida, aqueles que defendem a completa desnecessidade de tal tipo de protetor, justificando que a moto e seus amortecedores já foram projetados para suportar as demandas a que são submetidos. Particularmente, tenho que é um equipamento tão barato, leve e simples de ser colocado ou retirado, que não há maiores razões para não utilizá-los. Cada um sabe onde aperta o sapato. De minha parte já tive retentores estourados. Se foi culpa de erro de projeto da moto (eu voto nessa opção), de excesso de sujeira nas canelas, ou se o protetor evitaria o rompimento dos retentores, iso eu não sei e nem tenho como saber. Só o que tenho de certo é que passei a usar tal complemento em minhas motos e, por hora, não tenho me arrependido nem um pouco. Até porque acho-os esteticamente bonitos (uso os da marca Kriega. Vide http://www.kriega.com). Óbvio que gosto, assim como futebol e religião, é algo que não se discute.


GPS

O GPS atualmente é quase um equipamento obrigatório na moto para alguns. Por isso coloco-o aqui, como fazendo parte da moto, e não como acessórios e equipamentos a carregar. A grande maioria dos motociclistas que conheço, não saem de casa sem ele.

De minha parte, acho item totalmente dispensável. Porém, creio que sou caso à parte (e perdido!). Costumo dizer que GPS's são "maquininhas do demo", porque acabam tornando você totalmente dependente dele. Para mim o GPS tira um pouco da beleza da motoaventura. Você acaba não sabendo mais, sem olhar para o aparelhinho, nem sequer onde é o norte e onde é o sul. Eu ainda sou do tempo do mapa de papel, e mesmo tendo mais de um GPS, é difícil conseguir carregar um comigo. Mas o mapa de papel, ao contrário, está sempre lá!

Em se tratando de GPS, já que você vai acabar virando um aficcionado da maquininha e não vai conseguir viver mais sem, sugiro que invista em um BOM GPS para sua moto. E quando falamos em bom, sou meio enfático: nem tente outra marca que não Garmin! Existem centenas de outros GPS das mais diversas marcas, mesmo para moto (dia desses vi um tal de "aquarius" ou coisa assim! Achei até que era marca de bebida...), mas igual a um Garmin você não vai encontrar. Os Garmin quando se disserem à prova d' água, você pode confiar. Todo o resto é resto.


Nesse ponto, em termos de GPS's para moto, Garmin, temos no topo da lista dos Zümo. Eu tenho um 220 (que até hoje não aprendi a operar!!!), mas já utilizei com louvor um E-Trex Vista que me ajudou um tanto. Contudo, o E-Trex tem visor um tanto pequeno, servindo mais para trilhas mesmo do que viagens de moto propriamente. Alguns falam que o bom mesmo são os Zümo 660 (já temos o 665, mas fora dos EUA esse último modelo não tem muita utilizade, já que contam com "controle de tráfego", coisa que não existe aqui na América do Sul), por ter tela maior, mais funções, blá, blá, blá. Aí vai de cada um, claro. Para mim, o Zümo 220 já é mais do que suficiente. Não preciso de uma televisão na minha frente para saber onde estou indo, até porque não costumo ficar "grudado" no GPS. A tela de 3,5 polegadas é grande o suficiente para você ver onde se encontra, e o que mais me anima é que um 220 custa quase a metade do preço de um 660, com praticamente mesmas funções (ao menos das que eu preciso).

Vai de cada um qual deles é melhor. Gosto não se discute. Só não me venha com Foston, Aquarius, Orange e parangolés do tipo se você curte os mesmos. Eu não gosto e não troco meu zuminho por quaisquer 20 laranjas...


Bagageiros, cases, malas de tanque, etc.


Este é um item bastante longo, já que inúmeras são as opções de equipagem da moto em termos de malas. Equipar em termos de bagagem corretamente a moto, pode ser a diferença fundamental entre o sucesso ou não de uma longa viagem. Você sabe equipar a sua de maneira correta?

Por ser tópico longo e sensível, discutiremos e aprofundaremos o tema em um próximo tópico.

Até lá!!!