quarta-feira, 18 de abril de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 02

No último post, falamos um pouco sobre a escolha da "moto ideal", chegando à algumas conclusões... Vejam elas no link:
http://aekmotoadventures.blogspot.com.br/2012/04/longas-viagens-de-moto-voce-esta-pronto.html

Hoje vamos pincelar a questão da equipagem da moto, em termos de proteções para as mesmas, banco, bolhas, pneus, amortecedores, etc.



O banco ideal

Quando falamos de banco de moto, de plano se pensa no mais confortável possível. Afinal, estamos falando em ficar sentados durante várias horas, muitas vezes sem grandes movimentos em cima da moto. Pensamos em algo que não deixe literalmente "a bunda quadrada", em bom português, com o perdão da expressão.

Fora as customs (as quais já referi particularmente não gostar para longas viagens, por razões pessoais), a R1200GS (legítima Maxi Trail) e algumas Sport Tourings (também não vejo como ideais para longas viagens, mas para mim já são melhores do que as custons por "n" motivos pessoais), a verdade é que a grande maioria das motos não contam com os melhores dos bancos. de fábrica. E porque isso? Normalmente porque não é a "proposta" de uma moto que você fique permanentemente colado ao banco por vários quilômetros! E isso tem inúmeras razões, que vão desde estabilidade cinética da moto, dirigibilidade, movimentação do centro de gravidade, passando por estética, aerodinâmica e outros itens. "Simples" assim.

Vejamos a minha "paixão". A F800GS. Porque raios o fabricante colocou na mesma aquele banco estreito e duro, quando poderia ter feito algo mais confortável?

Ora, a F800GS foi feita tabém - ou principalmente - para o off road. Em tal tipo de pilotagem, o que menos importa é um banco confortável, já que por longos períodos é recomendável que você permaneça em pé sobre as pedaleiras. Além disso, bancos muito confortáveis do tipo "sela", acabam impedindo seu deslizar necessário sobre o banco para mudar o centro de gravidade da moto, seja de um lado ao outro, seja de trás prá frente e vice-versa. E para não ir mais longe, vamos agora imaginar como ficaria a F800GS com um grande banco de Harley ou coisa semelhante... Pro meu gosto, simplesmente seria algo horripilante!

Uma boa alternativa então, é "reformar" o banco em um estofador, solicitando que não altere o formato do mesmo, mas complete o mesmo com mais espuma. Não é um serviço caro e nem muito complicado, sendo que com espuma automotiva, um grampeador de estofador e um pouco de boa vontade (e tempo!) você mesmo poderia executar a faina. Claro que como a maioria se arrepia só de pensar em desmanchar um banco e inutilizá-lo, tem quem faça o trabalho cobrando bom preço por isso. Vide Erê, Kendy e tantos outros. O porém de reformar um banco é que fatalmente este ficará mais alto (mais conforto = mais espuma) e você poderá perder o contato do pé com o chão, ainda que parcialmente. Não existe fórmula mágica (alguns utilizam no lugar de espuma "gel" próprio. Discutível... Se não for um gel de muito boa qualidade, será um grande e melequento problema!).

Outras alternativas são os bancos estilo "confort" do próprio fabricante (a BMW tem um banco excelente em tal estilo para a F800GS, embora limite movimentos, por ser do tipo "sela"), almofadas "Airwalk" ( http://www.airhawk.net/) que acho um tanto caras, e outras duas boas opções mais em conta, como almofadas ortopédicas (procure por almofadas para hérnia ou cadeirantes, encontráveis em boas lojas de ortopedia) ou a que adoro e costumo utilizar: pelego de ovelha! Essa opção é muito utilizada pelos europeus há anos e é item essencial na sela do cavalo de um gaúcho, daí que facilmente encontrável na região sul por preço bastante em conta (se lhe cobrarem mais de R$ 100,00 por um bom pelego, você está sendo roubado!), nas cores branca, bege clara ou preta (sim! As mesmas cores das falecidas ovinas...). O bom do pelego é que, ao contrário do que se pensa, no verão não esquenta tanto e no inverno esquenta. O pior é a chuva, mas um pelego legítimo tem a capacidade física de secar rapidíssimo. Sem dúvida alguma, é por conta disso é que ovelhas não usam secador de cabelos, entendeu? Outra coisa boa é que você pode usar o pelego como tapetinho no hotel, colocar no pé da cama nos dias mais frios e lavar de forma simples (utilizar shampoo), dando-lhe uma boa escovada depois (com escova de aço, encontráveis em qualquer ferragem).


A bolha efetiva

Bolhas, "windshields" - ou "párabrisas" como alguns costumam chamar - de fábrica das motos em 90% dos casos, assim como ocorre com os bancos, costumam oferecer pouca ou nenhuma proteção contra o vento, chuva e sujeira, seja por conta da proposta ou estilo da moto, seja por questões de custo do fabricante.

É por causa disso que você nunca vai ver uma "naked" com uma bolha de fábrica, ou uma moto voltada também para o off road com tal equipamento. Quando esta última vem com alguma minúscula bolha - caso da F800GS - já tem de ser dar vivas.

O que a maioria dos pilotos não percebe é que, quando se quer uma boa bolha, não basta simplesmente instalar uma maior e pronto, porque toda bolha maior irá trazer uma série de implicações, deste um aumento no consumo se mal dimensionada até instabilidades graves direcionais da moto, sobretudo com ventos fortes laterais e frontais. Além disso, há que se considerar que se você está numa moto, não está para "se esconder" dos elementos da natureza, como chuva, vento, detritos, insetos.

Outro grande perigo e geralmente não considerado são as malditas bolhas de acrílico. Há os que se gabam dizendo ter instalado uma bolha maior na moto por um preço excelente, não percebendo - ou nem sabendo a diferença - que acabaram de adquirir uma porcaria de uma bolha de acrílico... E qual pode ser o real preço final disso? Ora, bolhas mais baratas e que normalmente são confeccionadas em acrílico se tornam extremamente perigosas quando quebram, já que apresentarão pontas e fios altamente cortantes, como uma navalha.

O ideal, portanto, é pagar um pouco mais e partir para as bolhas de "plexiglass". São normalmente as bolhas do próprio fabricante. A diferença é que quando o plexiglass quebra, não apresentará fios e nem pontas, como ocorre com o acrílico. É mais ou menos a diferença entre o vidro comum e o vidro temperado.

Uma boa alternativa, se a bolha alta do fabricante ainda não é o bastante para você ( a F800GS tem da própria BMW a modelo "touring") é a utilização de "spoilers", que ajudam a jogar o vento mais para cima ainda, a fim de passar sobre o capacete, o que é o ideal. Os melhores spoilers são os da Touratech e da Wunderlich, mas os da Trail Moto Parts ( www.trailmotoparts.com.br) não deixam absolutamente nada a desejar para estes, sendo uma opção nacional e portanto muito mais em conta.


Pneus

A questão dos pneus também é bastante crítica. Quando você pensar numa moto para longas viagens, não pode deixar de pensar nos pneus. Mas em que sentido?

Vivi problema que considero gravíssimo em se tratando de pneus, pelo que aprendi bem a lição: nunca compre uma moto com pneus que não sejam "padrão".

Tenho uma Buell Ulysses que utiliza pneus de aro 17 tanto na frente quanto atrás. À frente são 120mm de largura, enquanto atrás impressionantes 180mm, 70mm de "altura" à frente e 55mm atrás. Atualmente o único pneu servível é um tal de Scorpion Sync da Pirelli. Ocorre que esse tipo de pneu você não encontra em lugar nenhum, e quando eventualmente o consegue, tem de pagar uma verdadeira fortuna. Isso enquanto a Pirelli não acabar com esse modelo, já que praticamente só serve às Buells, uma marca que nem existe mais... Conclusão, estou atualmente utilizando pneus de "speed" numa sedizente "big trail", limitando a utilização da mesma ao asfalto e eventual off muito do leve (estradas de terra/"chão batido").

Enfim, em se tratando de big trails, procure por uma moto que possa compartilhar pneus com outras motos. Raios "normais" de 19 ou 21 polegadas à frente e 17 atrás, com nada que ultrapasse os 150mm de largura na traseira irão lhe trazer pouca ou nenhuma dor de cabeça.

Veja ainda a utilização que você vai ter para o pneu, o chão que vai rodar. Se nos seus planos estão menos de 10% do trajeto de rípio ou "off road", não há porque calçar a moto em pneus "biscoito", sendo melhor opção um "dual purpose".

Mas com ou sem câmara de ar?

Inegavelmente pneus SEM câmara de ar são infinitamente mais fáceis de serem consertados no lugar que você estiver. Duas ou três ferramentas de bolso, mais um "espaguete" (massa "química" própria para vedar furos de pneus sem câmara) e uma boa bomba manual de bicicleta são suficientes para um rápido reparo e continuar rodando ao menos até o próximo posto para calibragem correta. Existem ainda outros produtos, tipo injeções anti-furo de "gel" para inserir dentro de tais pneus, cuja eficiência acho discutível, embora tais tenham ferrenhos defensores. No mínimo tenho que há um risco de desbalanceamento do conjunto, trazendo "shimmy" à moto e outros efeitos indesejados na boa pilotagem.

Os que defendem os pneus COM câmara de ar - principalmente os fabricantes, eis que rodas para os mesmos são geralmente infinitamente mais baratas do que para pneus sem câmara - sustentam que os mesmos são mais resistentes ao off road. Sinceramente, acho isso uma defesa falha. Ora! Se uma câmara de ar é tão boa assim, basta colocá-la na roda e dentro do pneu sem câmara, sem problema algum! Assim você tem a "proteção" da câmara e ainda conta com a facilidade de manutenção do pneu sem câmara.

Mas porque isso tudo tem tanta importância assim?

Simples. Trocar um pneu e/ou consertar uma câmara de ar no meio de nada, com pouco ferramental, é tarefa bastante árdua e que demanda tempo considerável. Tempo esse que muitas vezes por conta da "lei maior de Murphy" você não tem, quando o melhor é chegar à civilização antes que a noite caia (salvo se você está preparado para acampar, não sendo, logicamente, qualquer lugar deserto recomendável para o campismo).

De qualquer forma, se você vai empreender uma longa viagem de moto, é bastante recomendável que você saiba consertar um furo de pneu, seja este sem ou com câmara de ar. Treine, portanto, antes de sair.


Protetores de motor e de cárter

Se existe um item importante numa moto, sobretudo naquelas que irão enfrentar o off road, sem dúvida este item são os protetores de motor e de cárter. Uma campana de embreagem rompida ou um cárter rachado, acaba fácil com qualquer aventura.

Há ainda quem confunda estes dois itens até porque existem protetores de cárter que são efetivamente verdadeiros protetores de motor. Ou vice-versa.

Em se tratando de protetores de motor, existem inúmeros modelos disponíveis no mercado, dos mais baratos aos mais caros, dos mais efetivos aos mais ineficazes. Cuidado! Muitos protetores de motor mais baratos são verdadeiros vilões, e, ainda que esteticamente pareçam bonitos, podem trazer mais prejuízo do que proteção ao motor. De nada adianta um ultra-rígido protetor de motor que vá fixado ao motor e que "na hora do vamos ver" transmita todo o impacto ao mesmo, rachando o bloco e tornando praticamente toda moto imprestável, uma vez que tal peça comprada de forma apartada facilmente aproxima-se do valor da moto.

Ao contrário do que se pensa - e que alguns fabricantes e lojistas inescrupulosos empurram à clientes - protetores de motor não são simplesmente grossos tubos de ferro dobrados. Há toda uma engenharia envolvida em tais "ferros retorcidos", apta a fazer com que o protetor possa absorver o impacto de uma queda, deformando-se quando e onde projetado e necessário. Isso por si só explica a gritante diferença de preço de protetores de motor, à exemplo do que ocorre com bolhas de acrílico versus plexiglass. Bons protetores de motor não são, por conta disso, encontrados em qualquer lojinha de esquina.

O ideal é você optar por protetores dos próprios fabricantes da moto. Tem uma BMW? Procure pelo protetor de motor da BMW e/ou marca que este utilizar (ex.: a R1200GS utiliza protetores Hepco & Becker). Se não encontrar protetor próprio para sua moto, veja os grupos de discussões internacionais, ou lance no "google" "crash bar protector" ou "engine protector" e veja o que o pessoal ao redor do mundo mais utiliza. Entre em diversos sites e fóruns de discussão, sobretudo "gringos", para ver os comentários sobre determinado produto. Sugiro sempre o que o "velho mundo", como Europa e sobretudo Inglaterra, anda aprovando. A unanimidade nem sempre é burra, ao contrário do ditado popular, ainda mais em se tratando de motoaventura, área que conta com muita gente altamente qualificada com centenas de milhares de milhas nas costas.

Para a que está na minha mira atualmente - a F800GS - tirante os Touratech, tenho que o melhor protetor de motor é o da G-It (Guard It Technology), ainda que os SWMotec (www.sw-motec.com) não façam feio.

Igualmente, protetores de cárter não são meras chapas de aço ou ligas de alumínio dobradas. De plano, diga-se que os protetores de cárter originais de fábrica que vem nas motos, normalmente de material plástico, pouco ou nada irão proteger o cárter quando mais necessário. Uma pedra maior facilmente irá destruir ou arrancar do lugar tal protetor.



Também os protetores de cárter devem proteger efetivamente o cárter, deformando-se quando necessário e absorvendo impactos. Devem ter tamanho e peso compatíveis com a moto, sendo fáceis de instalar e retirar a fim de darem acesso ao bujão de óleo para a devida troca periódica.

Neste item, procure també o melhor protetor de cárter, ainda que tenha de pagar um pouco mais por isso. A F800GS conta com um protetor de cárter alternativo, modelo Enduro, que pode ser adquirido junto ao fabricante BMW. Tal protetor de cárter aliás, equipa a F800GS Trophy. No meu sentir, deveria equipar TODAS as F800GS indistintamente, assim como deveriam ser indistintos os protetores de manoplas de tais motos.


Outros protetores, acessórios e amortecedores, serão objeto do próximo tópico, da próxima semana. Existem muitas boas e necessárias considerações básicas acerca desses itens.

Até lá!



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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Longas viagens de moto. Você está pronto? - parte 01

Já fiz inúmeras viagens de moto, sem e com minha esposa "Kyt" na garupa, e hoje, depois de mais de 100.000km em cima dos mais diversos estilos de motocicletas (big trail, maxi trail, pequenas trails, custom, sport touring, naked e street), posso repassar aos potenciais motoaventureiros algumas impressões pessoais sobre este ponto que tanto aflige a muitos motocilcistas, principalmente aqueles menos experimentados em longas viagens de moto. O que levar, com que moto ir, por onde começar, etc.

De plano, quero deixar claro que quando estou falando de longas viagens de moto, há que se considerar aquelas com distância superior há, no mínimo, 5.000km. Não é a viagem de final de semana ou de feriado mais prolongado, mas sim aquela de algumas semanas, mês ou até mais do que isso. Igualmente, não quero dar "aulas" ou "ensinar padre a rezar missa", pelo que o post certamente será mais útil àqueles dispostos a aprender e trocar experiências. Nada do que eu entendo por bom é, portanto, verdade absoluta.

Vou procurar dividir o tema em vários tópicos, várias partes, começando com a escolha da moto em si, passando pelo equipamento necessário tanto a ser agregado à moto como o que deve ser "incorporado" ao piloto, indo na sequência para a bagagem, itens essenciais, itens úteis e itens completamente desnecessários, questão de distribuição de peso, viagem com e sem garupa, planejamento prévio de roteiro, hotéis, camping, documentação, etc.

Então, sem mais delongas, vamos lá!!!


A escolha da moto ideal

Você já deve saber qual é a moto ideal para percorrer longas distâncias, certo? Pois é... A sua!

Por anos à fio me debati querendo encontrar a moto ideal para longas distâncias, longas viagens. Procurava aquela moto que fosse "indestrutível", consumisse pouco e tivesse boa autonomia (leia-se um tanque grande), fosse leve o suficiente e ao mesmo tempo tivesse motor de sobra, andasse bem no asfalto mas não fizesse feio na terra, enfim, procurava o que inexistia.

Depois de um tempo, após ler tantos relatos de gente indo de norte à sul da América montado em uma Biz, e outros não chegarem nem até 2.000 ou 3.000km longe do ponto de partida montados em grandes motos, comecei a perceber que não é muito o tipo de moto que diferencia o sucesso do fracasso de uma grande viagem de moto, mas uma série de outros fatores. É lógico que escolher uma moto com graves problemas de mecânica, projeto e de manutenção, a qual apresentou tantos defeitos que você não confia mais nela, já é estar fadado ao insucesso. Igualmente, optar por uma grande e pesada moto custom quando se sabe que a maior parte do caminho que se pretende seguir é de estradas de terra e rípio, é igual loucura. Não que não hajam loucos de plantão que encarem tais roteiros, mas isso é no mínimo dor de cabeça premeditada. É "procurar sarna para se coçar".

Por outro lado, se você vive diariamente montado na sua XT 660, F800GS, Twister, Lander, CG ou outra qualquer, e já conhece a mesma de cabo à rabo, trocar a sua parceira por outra novinha achando que pode ser melhor para viajar, é igual loucura. Vale a máxima, como gostam de dizer os do futebol: "Em time que está ganhando, não se mexe!".

Claro que tenho minhas opções de tipo de moto para viajar, as quais se alguém perguntasse recomendaria: big trails. E estou falando de Big, não de Maxi! Isso, é claro, por conta do meu porte físico: 174cm de altura, 74kg e beirando os 40 anos, nunca tendo sido nenhum magricelo mas longe de ter tido porte de "Hulk" para tirar do chão uma R1200GS Adventure lotada até as tampas. Aliás, tenho essa a primeira premissa na escolha da moto. Se ela tombar e você não conseguir levantá-la com certa facilidade SOZINHO, então ela não serve para você.

Por conta disso tudo, ando de "amores" com as BMW F800GS, não descartando as G650GS Sertão que logo mais aportam por aí.

Tenho foco nas big trails porque para mim essas não são "limitadoras". Quando com a GSX750F, por inúmeras vezes queria ir por um caminho mais tortuoso, subir a trilha de terra para ver a paisagem de cima do morro e, simplesmente tive de desistir da empreitada, porque a moto não se prestava muito para isso. Não que, repito, não seja possível você usar uma esportiva ou custom para o off road, mas isso é o mesmo que querer usar um Porsche Carrera para andar na terra. No mínimo, você vai estar maltratando o veículo, independente de sua capacidade enquanto piloto. Além do mais, a GSXF contava com uma grande carenagem, difícil e cara de arrumar. Depois de você gastar por duas vezes centenas de reais consertando a mesma, você meio que desiste do off... Por outro lado, se seu forte é tão só o asfalto, não há porque não adquirir uma Custom (apesar de eu nem assim gostar delas por achar desconfortáveis para meu estilo de pilotagem, por serem pesadas demais e terem amortecedores geralmente de curto curso) rezando para nunca ter de encarar sequer um desvio por terra ou saibro por conta de reformas na estrada.

Outro ponto primordial a considerar é quanto a autonomia. Nesse quesito, hoje para mim qualquer coisa que não consiga rodar ao menos 300Km com um tanque, está fora de cogitação. Daí outro motivo para eu afastar da mente as customs em geral. Claro que você aqui, novamente, tem de pensar que rotas quer seguir. Geralmente por asfalto, é raríssimo não encontrar um posto de abastecimento a cada 200km no máximo, salvo problemas locais de abastecimento, como greves, comoções sociais, etc. Há os que defendem sempre ser possível levar uma garrafa pet, galãozinho de óleo vazio ou outro recipiente para "carregar mais alguns quilômetros de autonomia", mas a idéia de ter gasolina fora do tanque, simplesmente não me agrada fora que, ao menos para a nossa legislação brasileira, é considerado infração, sujeitando o piloto à pesadas multas e até mesmo à apreensão do veículo. É claro que existem casos, principalmente fora do país (por exemplo, você vai encarar a parte árdua da belíssima Ruta 40) que você tem de superar essa questão e encontrar alguma forma segura de transportar mais combustível, preferencialmente em recipiente próprio para tanto. Até hoje não vi nenhum melhor que os rotopax (www.rotopax.com), mas não é porque são relativamente seguros que são liberados, legalmente falando.

Enfim, o melhor é não ter de carregar combustível extra e, quando na estrada, abastecer sempre que chegar à pouco menos da metade do tanque, para não correr maiores riscos de uma pane seca.

Com a moto certa - aquela que você conhece, que já "faz parte de você" - e uma boa autonomia, já temos meio caminho andado para o sucesso de uma longa viagem de moto, onde o importante não é só partir, mas também chegar/voltar.

Na próxima parte, vamos nos aprofundar um pouco mais na equipagem da moto, em termos de proteções necessárias para a mesma, banco, bolhas, pneus, amortecedores, etc. Você vai perceber que "montar" a moto ideal para sua grande viagem, por si só já é uma grande aventura e diversão!

Até lá!!!


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sexta-feira, 6 de abril de 2012

O "sexto sentido" dos Motociclistas - Você tem o poder de prever - e EVITAR! - um acidente



De TODAS as vezes que caí de moto (e eu disse TODAS, não algumas), eu sabia com certa antecedência que cairia. Poderia ter evitado? Muito provavelmente sim. Mas então, porque não o fiz?
Quantas vezes você, que é motociclista, não previu um acidente, uma queda, ou teve um "deja vú" (ou coisa assim) como dizem?
É claro que depois de acontecer, dizer que "Sabia que ia cair!" é algo muito complicado, pois é mais ou menos como dizer que sabia que ia se molhar ao voltar de uma chuva. Ora! Se você entrou na chuva, é óbvio que iria se molhar!!! Não há cientificidade nenhuma nisso, portanto.
Mas onde quero chegar é muito além.
Não quero, contudo, ingressar nas áreas do "além", até porque não sei - e nem vou discutir - a religião ou crenças dos motociclistas. Também não vou entrar numa de "universo conspirar" à lá Paulo Coelho ou teorias tipo livro do "Segredo" e coisas do gênero, dizendo que você pode atrair a queda, o acidente, o banho de chuva. Não. Não é nada disso.
Onde quero chegar é naquela percepção maior, naquela coisa quase lógica, a tal ponto que não ter lógica alguma você querer contrariar tal sentimento.
Quero lhe lembrar daquela ultrapassagem perigosa, onde você ficou na dúvida se realmente daria tempo (e se está lendo isso, provavelmente deu tempo); daquela vez que você foi "jogado no acostamento", porque o carro da frente saiu junto com você na ultrapassagem; aquela travada da roda dianteira em cima da areia, que fez você "comprar um terreno"; aquela região onde você via que animais se atravessavam na sua frente, e fez com que você o atropelasse. Vá dizer que você não tinha a impressão de que a distância de ultrapassagem era curta e que o veículo no sentido contrário estava vindo muito rápido; que o carro da frente poderia fazer aquilo (sair junto na ultrapassagem), ou que poderia não estar lhe vendo; que a areia no chão poderia ser um grande problema, ou que você entrou muito rápido na curva; que você sabia que um bicho maior poderia sair correndo do acostamento, "do nada"?
O "sexto sentido" do motociclista muito tem a ver com a lógica e com o sentimento de sobrevivência, eis que somos a "peça" mais frágil do trânsito (além de normalmente a mais odiada) cada vez mais caótico. Acontece que alguns duvidam de tais sentimentos e acabam passando de seus próprios limites, ou na intenção de testá-los, ou na intenção de aprimorá-los, elevá-los. Mas... Isso é mesmo necessário? Essa dúvida tem de ter lugar nas estradas, nas avenidas, no trânsito travado? Que limites precisamos superar efetivamente?
Se há algo que precisamos superar, esse algo é uma coisa só: nós mesmos. Nossos limites são o da paciência, da segurança, da cortesia, do respeito ao próximo, de sabermos quem realmente somos, de termos a crença de que nossa pilotagem é boa o suficiente para nos levar onde queremos com máxima segurança e boa a tal ponto de não precisarmos "provar" mais nada para ninguém. Até porque se você pilota bem, não faz mais do que a sua obrigação de motociclista, de sua obrigação na manutenção da sua própria vida. Os seus demais limites, tem tempo e lugar certo para serem testados, seja em um autódromo, em um ringue de boxe, numa trilha com a moto e equipamento certo.
Sim! Você tem o PODER de prever muitos dos acidentes, muitas das quedas. Não todas, é verdade, pois muitas vezes isso é algo que foge ao nosso controle, dependendo exclusivamente do terceiro, do motorista desatento do carro em frete, ao lado e atrás (e a sorte é que os veículos ainda não voam, senão ainda teríamos acima e abaixo!). Assim como você tem o poder também de, no dia que está se sentindo mal, que se sente desatento, bebeu um pouco mais, está com raiva de tudo e quer "descontar" em cima da moto, deixar ela lá parada, ou quiçá, dar-lhe um trato, agradecendo por tê-la, ir lubrificar a corrente, dar um banho na menina, deixá-la nos "trinques".
Perceba, antes de pilotar, o que seu coração diz, o que a mente fala, o que o corpo determina. Começou a cansar? PARE! Sentiu que o trânsito está muito travado? NÃO "COSTURE" TANTO! Esta chovendo muito? DIMINUA O RITMO! A noite está caindo e você não enxerga bem à noite? Pô... Fala sério!!! Isso já nem é mais "sexto sentido", não é mesmo? É uma questão de lógica, uma questão de sanidade, uma questão de valorizar a própria vida, pois nós, que somos motociclistas "fanáticos", bem sabemos que existe uma coisa muito melhor do que poder andar de moto hoje:
Poder andar de moto amanhã também!
Ouça sempre seu "sexto sentido". Afinal, você é um motociclista! Você tem esse poder!!!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O frio está chegando! Hora de andar MAIS de moto!!!

Vamos andar mais de moto? O frio está chegando! Época excelente, portanto, para motocar!!!


Claro, isso é um conceito muito particular, e não vou "condenar" aqueles que preferem o calor para andar de moto, mas eu tenho razões bastante lógicas para preferir o frio do que o calor para andar de moto. Algumas delas são:
- no frio as motos onde o motor tem a tendência sádica de "esquentar" suas pernas e "partes baixas", não incomoda em nada. Muito pelo contrário;
- o frio OBRIGA que você utilize todo equipamento de segurança e mais um pouco, como casaco de cordura, calça do mesmo material, botas, luvas reforçadas, um bom capacete fechado, balaclava e bastante roupa por baixo;
- quando está muito frio, a probabilidade de chover é muito menor;
- no frio o asfalto não fica quente;
- fora lugares como regiões serranas, que exploram o "turismo de inverno", no frio fica muito mais em conta visitar alguns lugares de paisagens magníficas;
- particularmente acho que a paisagem fica mais bonita no outono e inverno;
- no outono e mesmo no início do inverno, visitar a região dos andes é beeeemmmm legal.

Claro que, uma friaca das boas em cima da moto, para alguns pode não ser o melhor dos mundos ou a experiência mais agradável da vida. A temperatura mais baixa que peguei em cima da moto foram 19º centígrados negativos. Não é a melhor sensação, ainda mais quando você não está com o equipamento adequado. Eu não estava... Cheguei bem perto de uma hipotermia*. O lado bom disso é que aprendi um monte e hoje entendo que estou apto a enfrentar temperaturas mais extremas.

Então, já que estamos falando de frio e de moto, quais as recomendações principais para encarar as baixas temperaturas???

Tenho algumas premissas básicas para isso. Algumas quanto ao piloto e outras quanto a moto, estilo de pilotagem, etc.

Primeiramente, vamos à parte boa: alimentação!

Nunca, nunca, nunca, mas nunca mesmo saia sem tomar um bom café da manhã. Diversas vezes eu saí cedinho para "comer" a maior quilometragem possível em determinado dia, em detrimento de um bom café da manhã, com a desculpa de comer na estrada. O problema é que ao sair cedo você pega a maior friaca possível, vai se deparar com muita coisa fechada ainda (há alguns postos que não abrem antes de 8 ou 9 da manhã) e, de barriga vazia, a coisa fica bem mais complicada. Você vai ter a sensação de que continua cansado e/ou vai esgotar-se mais rápido durante o dia. Quando para para o café, vai acabar invariavelmente levando mais tempo tomando o mesmo do que levaria se o tivesse feito no hotel. Ou seja, ao final e ao cabo, vantagem nenhuma. Claro, não dá para exagerar e fazer como uns que outros que - de tanto enrolarem - acabam saindo lá pelas 10 da manhã. Principalmente se você estiver viajando em grupo, deve lembrar que as suas "prioridades" podem não ser as prioridades dos demais. Então, nessas situações, consulte a hora que o grupo quer sair e efetivamente esteja em cima da moto, com a mesma carregada e ligada naquele horário. Por outro lado, se estiver viajando sozinho, também estabeleça para você um horário. Eu tenho para mim que 8h da manhã é a hora ideal para partir (salvo no primeiro dia e uma viagem longa, quando gosto de sair antes do sol nascer).

A segunda parte é quanto a vestimenta. O que usar?

O melhor é roupa de baixo longas. Existem no mercado diversas opções, desde produtos mais simples (os chamados "mijões" ou ceroulas) aos mais sofisticados (termic underweare, long john, solo, etc.). Eu gosto muito de produtos da marca Solo, ainda que estes sejam um tanto mais caros que os demais. Claro, tenho conhecidos que insistem em dizer que o melhor é uma meia calça feminina grossa, mas, particularmente, eu acho isso um tanto "estranho", principalmente porque urino em pé. Para o rosto, pode usar uma balaclava de seda ou outro material térmico que deixe só olhos de fora (procure os que tem uma fenda para os olhos, não use jamais os que tem buracos para os olhos, principalmente de baixa qualidade, pois a balaclava pode se deslocar e deixar você sem visibilidade por alguns segundos fatais). Nas mãos, uma luva "segunda pele" térmica vai bem, com outra térmica mais grossa, de proteção e impermeável (até hoje não encontrei uma que fosse realmente impermeável) por cima. Os pés são outra área de extrema e vital importância proteger. Nos mesmos geralmente uso duas meias: uma mais fina por baixo (do tipo social ou "carpim" como dizem por aqui) e outra mais grossa por cima desta (acho as para jogo de futebol profissional ideais, ainda que um pouco mais caras, quando de qualidade). Por cima de tudo, uma boa bota impermeável. Como vão duas meias, importante de lembrar comprar uma bota com um número maior. Um pé apertado no frio é o pior dos mundos, pelo que já vou discorrer na sequência. E claro, um conjunto de cordura (esqueça o couro para o frio!) com proteção térmica e um capacete de qualidade de preferência com sobre viseira anti-embaçante.

Em terceiro, não podemos esquecer da moto!

Para encarar o frio, eu sempre prefiro motos maiores em detrimento das menores. Isso porque numa moto menor provavelmente você não terá ou não poderá instalar um aquecedor de manoplas (a bateria não suporta). Eu sempre achei esse item uma grande bobagem, até o dia que usei uma moto COM aquecedores de manopla, no inverno. Claro que, na maioria das motos, esse é um item que ainda poderia ser melhorado um tanto, porque geralmente ou torram as mãos ou não as deixam minimamente quentes. Não existe regulagem precisa do equipamento e geralmente você só tem duas opções: quente vulcão ou morninho gelado. Aí é que entra o segundo equipamento de suma importância na moto: bons protetores de manete. Quando falo bons, leia-se de tamanho ideal. Nada exageradamente grande, mas nada tão pequeno que não ataque o vento. Há ainda os que instalam as chamadas "polainas" nos manetes (muito comum no meio motoboyzístico), mas eu tenho alguma resistência quanto ao uso das mesmas. Não que as ache ruins. Simplesmente as acho perigosas. Não é raro você ter de soltar a mão do manete e, quando vai tentar enfiar ela lá de novo, o bagulho se fechou de tal jeito que você tem de perder um tempo enorme - e consequentemente seguntos preciosos de atenção na pilotagem - para conseguir agarrar o manete novamente. Sem falar, é claro, que normalmente a mão que você soltou vai ser a do acelerador, e, que é pior, onde está o freio efetivo: o dianteiro. No mais é espaço para a bagagem (lembrando que roupas de frio ocupam bem mais espaço) e conforto sobre a moto. Uma boa bolha (mais um ponto para as motos maiores) também será muito bem vinda para atacar o vento gelado.

Por fim, quanto ao estilo de pilotagem, lembre-se que quanto mais rápido você pilotar, mais cairá a temperatura. Acima de 100km/h, qualquer temperatura ambiente abaixo de 12ºC, já lhe levará a suportar "na pele" temperaturas negativas. Se estivermos há 5ºC então, há 100k/h, teremos uma sensação térmica** de -12ºC, o que significa que o motociclista, em geral, sofrerá com uma temperatura de 15ºC à menos do que a temperatura ambiente!!! O que seu corpo aguenta não é a temperatura ambiente, e sim a sensação térmica. Assim, abaixo dos 25ºC, já é bom ir pensando numa boa roupinha de inverno para andar de moto. Lembre, ainda, que toda essa roupa pode restringir um pouco seus movimentos, razão pela qual é sempre bom parar mais, mexer pés e mãos para fazer o sangue circular.

E porque não, tomar um bom "submarino" na companhia da amada, com o grupo ou mesmo sozinho.

O que não dá prá fazer é "se mixar" por causa do frio e passar a andar de carro!

Afinal, andar de moto só é bom em uma época: do dia primeiro de janeiro há 31 de dezembro!

* Hipotermia = aquela coisa de literalmente morrer por causa do frio, que a gente acha que é bobagem e que só acontece com os outros... A hipotermia ocorre quando o corpo abaixa de 35ºC, e pode congelar extremidades ou simplesmente causar parada cardíaca/circulatória. Um dos maiores perigos da hiportemia é que, para proteger órgãos vitais, o corpo manda mais sangue para o mesmo , em detrimento de outras partes de seu corpo, à exemplo das extremidades. Você passa a parar de sentir frio em dado momento, achando que se "acostumou" à temperatura, o que não procede: nessa hora, você está sofrendo de hipotermia severa e seu corpo está caminhando rápido ao colapso. Se você parou de repente de sentir frio, máxima atenção! Você deve procurar abrigo e se aquecer rápido, ou, na melhor das hipóteses, no mínimo poderá perder dedos de pés e mãos.
**http://www.inmet.gov.br/html/clima/sensacao_termica/index.html




terça-feira, 27 de março de 2012

Motos inéditas! BMW R1300GS? Triumph Tiger 2012? BMW G650GS Sertão? "Novos" (???) lançamentos em breve!

Já estão chegando...

A R1300GS (ou outro nome que derem), provavelmente para final do ano, início do próximo. No Brasil, alguns meses (ou quase ano) depois, de certo.

De minha parte, aguardo ansioso a G650GS Sertão! Pelo que andei bisbilhotando, chegará em maio às concessionárias BMW. O que, diga-se de passagem, acho verdadeiro absurdo. Absurdo porque na Europa a Sertão já está no mercado desde o ano passado. Mas, peraí! A Sertão não é feita aqui no Brasil, como uma homenagem ao nosso sertão, ao Rally dos Sertões?

Sim, mas e daí?

Daí que estamos na Terra Brasilis... Não vai de longa data, porém, que a coisa era pior, e que não os últimos, mas só "o que sobrou" vinha para cá. Prática que a Honda ainda insiste com a Transalp (só chegou no Brasil no seu último suspiro) e outros grupos como o JToledo fazem questão de esquecer que existem atualizações, insistindo, por exemplo, na DL-VStrom 650 "pelada", quando lá fora à muito já tem inclusive ABS.

Ainda assim, antes era uma "luta" para comprar! Quem não lembra das BMW F800GS? Ou das 650 Twins? Quando aqui aportaram, custavam mais de 45 mil a 650 twin e a F então, era prá coisa de mais de 50 mil!!! Isso sim era triste! Conclusão que você comprava uma R1200GS usada pelo valor de uma 800 nova. E claro, sem tirar o mérito da 800, a R1200GS é muito mais moto, dependendo, é claro, do seu biotipo, tipo de tocada que quer impor, terreno que vai transitar, etc. Começaram a montar no Brasil, abaixo de críticas de ser BMDafra, mas está aí, firme e forte e, o principal, mais em conta.

Aí você pergunta de quem é a "culpa", e a tendência de atribuí-la a BMW do Brasil é enorme! Mas, será que é assim mesmo?

Não vou sair defendendo empresa alguma, mas é fato que para uma empresa estrangeira é muito mais negócio mandar dinheiro para fora do Brasil primeiro, fortalecendo a própria indústria estrangeira, do que deixar tudo por aqui já de saída.

Papai Noel não existe. Coloque-se no lugar. Imagine que você está lá no exterior, ganhando uma boa grana, mas morando "de favor" ou de aluguel. Você vai colocar toda a sua grana na reforma do imóvel do seu senhorio ou vai mandar o dinheiro pra família reformar/aumentar ou construir sua casa? Ou então mesmo que seja aqui e você está construindo sua casa... Quem irá privilegiar? O locador ou injetar grana para garantir seu próprio e futuro imóvel?

Alemão privilegia alemão. De minha parte não estranho nada - empresarialmente falando - que na Europa e outros lugares já tenham a Sertão e aqui não. Mas que vou morrer achando um absurdo, isso eu vou.

Enquanto alguns dormem em cima das palhas, já tem importador independente trazendo desde Triumph Tiger 2012 à Ducatis e congêneres.


Hoje em dia não há mais consumidor bobo. Nem sendo brasileiro. Estamos parando de aceitar contas coloridas e espelhinhos em troca de ouro...

domingo, 25 de março de 2012

As motos, o couro de burro e o de vaca...

Volta e meia quando vejmos um motociclista sem equipamento de proteção, costumamos pensar: "Couro de burro é bem mais caro do que o couro de vaca."
Dia desses, lemos sobre um Deputado, do qual nem nome lembramos, com mais uma proposta de lei que impactaria diretamente a vida dos motoqueiros/motociclistas. A propósito, é incrível a capacidade elocubratórias destes legisladores, e ultimamente tem predileção pelos motoqueiros (ou motociclistas, como preferir o leitor). Essa, porém, não era tão absurda quanto as que já vi (para mim, a pior de todas foi a tentativa de proibir o garupa!), e, em tese, restringia-se a tornar obrigatório o equipamento de segurança por parte do piloto, incluindo aí, além do capacete - item de segurança que não mais se discute a necessidade - também botas, casaco e luvas, além de calça comprida.
Diga-se de passagem, de plano, tudo isso é uma redundância, pois o Código de Trânsito já conta com artigo próprio determinando que se use vestimenta e calçado adequado para dirigir/conduzir veículos (leia-se aí pilotar motos também) e é mais do que óbvio que chinelos de dedo ou as sandálias de toda sorte de modelos que as mulheres usam, não são e nunca serão calçados adequados!
Lá pelas tantas, amigo nos veio com a frase fatídica, que não deixa de ter sentido: "de boas intenções, o inferno está cheio!".
Discutimos longamente sobre a necessidade ou não de equipamentos de proteção, à todo momento. É claro que é quase inviável - e atire a primeira pedra quem nunca o fez! - se pensar em ir até as duas ou três quadras de distância onde fica a padaria, num dia quente de verão, trajado dos pés à cabeça como quem vai pegar a estrada. Nestas ocasiões, as luvas e calças compridas, normalmente são esquecidas, e a jaqueta então...
Há que se ter um meio termo. O equilíbrio é a base de tudo na vida, sem dúvida! Claro que não gostamos nem de ver - e nos embrulha o estômago - motoloucos "ousados" de chinelo de dedo e bermuda sobre uma moto, como quem está de biclicleta. Pior ainda, vê-los conduzindo nas estradas, à altas velocidades, o que não é cena nem um pouco rara.
Mais...
A tal lei, se passasse, não seria mais um "nicho de mercado", onde se precisaria então selos do INMETRO e congêneres para tudo quanto é equipamento? Não teríamos vistorias de luvas, jaquetas, calças e outros equipamentos, que, ao final das contas, não poderiam mais vir na mala do que pode ir ao exterior fazer umas comprinhas ou importar os melhores equipamentos de forma direta, "protegendo" assim a indústria nacional, que tanta coisa de nem sempre tão boa qualidade nos "empurra"? Pois até hoje ninguém conseguiu me convencer que um Taurus, com selinho é melhor do que um Arai ou Shoei SEM selinho do INMETRO.
A lei é dura, mas é a lei. Se passar, passou e terá de ser cumprida, o que pode se tornar um grande problema de protecionismo do mercado nacional, de mácula ao direito do trabalhador menos abastado, que vai se obrigar a comprar casaco de proteção e botas, além de bauleto para carregar e guardar toda tralha ao chegar ao trabalho, etc.
O real problemá, é um só: nossos legisladores, normalmente não entendem é lhufas sobre motos, mas ainda assim querem legislar sobre.
O entendimento final, para mim e para Kyt deveria ser um só: que todos compreessem que o couro de burro é bem, mas bem mais caro do que o couro de vaca.
Cada um sabe o quanto vale o próprio couro.
De nossa parte, se um dia tivermos a infelicidade novamente de ralar, preferimos que seja mais uma vez o de vaca.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O que as BMWs F800GS e G650GS Sertão tem que as outras não tem?

Ando meio apaixonado...

Paixão é aquela coisa, que faz você esquecer pontos ruins e só exaltar os bons.

Estou falando da "talzinha" da BMW F800GS e da "fulaninha" G650GS Sertão, de quem você já deve ter ouvido falar, sabe de alguém que já desfrutou da mesma ou já a tem se é um cara de sorte. Na pior das hipóteses, está no mínimo louco para experimentar.

E não lhe condeno pela loucura.

Os que acompanharam as postagens anteriores sabem bem que minha paixão maior sempre foi pela R1200GS Adventure, que é moto tal a ponto de eu não ver outra que possa se equiparara a ela, por mais que as outras marcas tentem incansavelmente imitá-la. Para mim a Adventure é uma moto madura... Ou talvez eu pense assim apenas por estar cego de paixão! Porém nesses últimos tempos, resolvi tomar um banho de realidade, ainda mais com os preços que estão sendo praticados na Adventure. Acontece que infelizmente as 1200 não são ainda montada no Brasil (e dificilmente serão, pelo que dizem as más línguas) o que acaba elevando sobremaneira o preço das mesmas, ao ponto da Adventure já rondar novamente a casa dos R$ 100.000,00, o que eu acho um pouco demais para uma moto, ou, vá lá, para os meus padrões atuais.

Bom... Além disso eu, beirando meus 40, vi que toda musculação do mundo não tem sido muito eficaz nos meus 73kg e 174cm de altura. Embora tenha boas pernas e bons braços, levantar uma moto de mais de 260kg tombada, não é prá qualquer um. Sem falar, lógico, se em viagem, quando iria estar com cases laterais, top case e bagagem, estaríamos falando de beirar mais de 350kg. Ou seja, nem que fosse alterofilista tirava ela da horizontal. Então, resumidamente, não é moto prá mim. Já a tive, e digo, fora quando se está rodando, é um suplício. Estacionar é difícil, tirar do cavalete central outro parto (assim como colocar) e mesmo uma parada em pedágio tem de ser calculada, pois qualquer vacilo que lhe tire o ponto de apoio por segundos, é chão na certa! Se deixar a moto cair... Reze para umas quatro boas almas, no mínimo, lhe auxiliarem a levantá-la.

O ponto principal nem são só esses (preço e peso). O fato é que a Adventure não é motinho para o dia-a-dia. Para quem viaja muitooooo (tipo uns 50k km por ano), não duvide que vale cada centavo, mas comprá-la para a deixar parada ou para apenas UMA viagem maior ao longo do ano, no meu conceito é crime inafiançável. Em síntese, se você é "peão", assalariado e celetista, se tem apenas 30 dias de férias ao ano como eu, não recomendaria a Adventure.

E aí o que acaba "sobrando" mostra tanta qualidade quanto...

Na F800GS, tirando as partes ruins de falta de bolha alta de fábrica (a original é ridícula!), falta de protetor de manete, falta de protetor de cárter de fábrica decente (aquele troço de plástico que vem nela não serve prá muita coisa) e um tanquezinho miserável (quem mandou colocar embaixo do banco), de resto é só alegria!!!

Você chega com ela fácil a velocidades bem razoáveis de cruzeiro mesmo carregado, e geralmente sobra um motorzinho para umas arrancadas mais rápidas. Não faz feio nem no trânsito urbano e nem na estrada. Vai bem até no rural, naquela estradinha de chão maliciosa. O desesperador tanquinho de 16 litros, se você "segurar a onda" pode lhe dar uma autonomia de mais de 300Km, o que é suficiente para a maioria das pernas pela América do Sul (fora um que outro descampado na Ruta 40 e outros fins de mundo) e já é mais do que muita moto que se insinua no mercado.

Com um tanque pequeno, se ganha em agilidade (todo ônus tem seu bônus, e geralmente vice-versa) e ficamos com um peso em ordem de marcha nos 207kg, o que significa que mesmo com a moto carregada, você vai rondar os 250kg, algo bem mais razoável de se pensar em tirar do chão do que os mais de 350kg da Adventure. Até sozinho no meio do nada você já se vira bem sem ter de rezar muito.

Aquelas rodas raiadas dela vem bem a calhar, e se me dissessem hoje para escolher entre uma R1200GS "normal" e uma F800GS, eu não titubearia em me abraçar com a segunda. Já vi muita gente reclamar do banco ruim, e da bolha praticamente inexistente, mas para isso há a solução do banco modelo "confort", da própria BMW e a bolha que você troca pelo modelo "touring", deixando a F800Gs com cara de "mini-adventure". Pros mais exagerados e que querem mais emoção, nem vou falar na possibilidade de um tanque da Touratech, porque aí já começa a virar sacanagem...

A G650GS Sertão por sua vez, não fica lá muito atrás, embora eu não seja exatamente um adorador das monocilíndricas. Reconheço, porém, a facilidade de manutenção de uma mono, sabendo que nunca será dor de cabeça, esteja onde você estiver. Monos são quase como "fuscas". Difícil o mecânico da esquina não saber dar uma reparada, ainda que neste caso estejamos falando de uma BMW, um tanto mais complexa.

Na estrada, também não faz feio, e velocidades de cruzeiro até um pouco acima do que as nossas "esburacadas" rodovias brasileiras permitem são possíveis, ainda que você esteja com garupa. Caro, você vai sentir falta daquele motor à mais nas utrapassagens, mas nada que venha a lhe causar sustos. Mais ágil do que um carro ela continua sendo. Como deve.

Se formos para as vicinais, encarar uma estrada de chão então, aí a Sertão vai estar no seu lugar preferido! Magrinha e atrevida como ela só, nos seus 193kg em ordem de marcha é tão leve quanto qualquer moto de cilindrada bem menor. Se você quiser carregá-la (e aí vamos lembrar que você deve carregar uma moto de acordo com o tamanho dela, e não de acordo com o SEU tamanho ou tamanho da viagem que pretende fazer), vai ficar tranquilo na casa dos 230kg estourando, o que ainda deixa a moto levíssima e extremamente ágil. Coloque um equipamento básico de camping no bagageiro e tenha momentos "bicho grilo" inesquecíveis.

Claro que o tanque de 14 litros desanima mais ainda que na F800GS, porém dá para tentar uma autonomia maior de que 300km, com a mão leve. Aliás, tenho que aí a proposta da Sertão: é uma moto que não veio para viajar rápido. Ela vai lhe levar longe, não tenha dúvidas, mas rápido, aí é outros quinhentos. Se bem que se estivéssemos tão preocupados com velocidade, não estaríamos falando de motoaventura ou BMWs GSs, e sim do mundo "jáspion", o que não é a idéia deste espaço.

E no dia-a-dia então... Não tem prá ninguém! É moto que dá prá "subir calçada e botar medo nas velhinhas", como diria amigo meu. Quem tem uma moto grande e outra "pequena" em casa, sabe do que estou falando. Quando você acostuma a grandes motos, as menores passam a ser verdadeiro brinquedo de criança. E como divertem!!! Você manobra elas com a facilidade de quem conduz uma bicicleta.

Pronto!

Depois de tudo isso, agora tenho outro problema... Qual delas, afinal?

Minha vontade eu já sei qual é: AS DUAS!!!

Já você, que pode escolher, pense bem antes de decidir. Porque o que uma tem, a outra não tem. Ou era o contrário?

Paixão é triste...