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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

BMW F800GG Adventure e F800GS "normal" - um teste real com ambas motos

Muitos tem nos questionado se a F800GS Adventure vale os R$ 4.550,00 de diferença que são cobrados considerando os valores de tabela da mesma de R$ 47.900,00 conta os R$ 43.350,00 para a F800GS "normal". 


 
Claro que, na prática, estas contas podem não fechar, pois as F800GS muitas vezes podem ser encontradas em promoções zero km por R$ 39.900,00 à vista e a F800GS Adventure a R$ 46.000,00 à vista, o que já começa a deixar a diferença de valores ainda mais discutível.

Afinal, quais as principais diferenças da F800GS normal para a F800GS Adventure? E em que uma e outra diferem em termos de pilotagem no "on" e no "off road"? Enfim, valeria a pena comprar uma F800GS Adventure em detrimento da F800GS normal? Se sim, porque? E se não, porque? Quais os prós e contras de cada modelo? 

Fizemos mais um "teste real" (mesmo piloto pilotou uma e outra moto, para perceber os prós e contras de cada). Como nos consideramos pilotos "medianos", acreditamos que estamos dentro da realidade da maioria dos pilotos que se podem dizer "normais", e, ainda, afastados daqueles "testes de revista" feitos por pilotos profissionais, repórteres ou com matéria paga. Acreditamos termos, assim, a maior isenção possível, auxiliando desta forma na escolha final do futuro cliente da F800GS.  


Como a maioria das coisas na vida, tudo é uma questão de escolha e sobretudo de ponto de vista. Assim como há quem não abra mão de uma R1200GS Premium em detrimento de uma R1200GS Adventure, o mesmo acontece com estas duas irmãs - ou primas - menores do segmento GS das motos BMW. Quem opta pelo modelo "normal", tanto da F800GS quanto da R1200GS costuma defender que as "não adventures" são menores e, por tal razão, mais maleáveis, mais aptas ao off road e se encaixando melhor aos pilotos menores, sustentando que as da categoria Adventure são verdadeiros "elefantes" perto das versões mais, digamos, básicas. 

Alguma razão tais pilotos tem, muito embora chamar as maiores de "elefantes" ou adjetivos do gênero seja um tanto "xiita". 

Já tendo andado em uma e outra moto, tanto com relação as R1200GS Adventure x R1200GS "normais" quanto com relação a F800GS Adventure x F800GS "normal", posso afirmar categoricamente que a principal diferença entre uma e outra está no porte, sendo as Adventure's sensivelmente maiores do que as versões normais. Justamente isso que pode assustar os pilotos menores ou fazer com que um mais alto sinta-se bem mais confortável na versão Adventure de cada moto. 

Na prática, na pilotagem, observei que não se pode dizer ser uma efetivamente mais "ágil" do que a outra. O que verifiquei é que fundamentalmente essa diferença é sentida no psicológico do piloto. Sim! No psicológico, por mais estranho que isso possa soar.  Apenas pilotando-se uma e outra moto, preferencialmente no mesmo dia, que se pode afirmar isto, contrariando a maioria das outras assertivas.

O que ocorre é que as sensações transmitidas ao pilotar uma e outra moto nos fazem considerar que uma é mais "esperta" do que a outra, sobretudo em se tratando do off road, onde as versões menores parecem sempre levar grande vantagem.

Não é, contudo, uma verdade absoluta ou indiscutível. Como falamos, depende muito do ponto de vista de cada piloto. Pode até haver alguma diferença - também não há de se negar isto! - mas esta é bastante ínfima e tem seus lados positivos e outros MUITO negativos... O fato de você estar com uma moto "menor", sem uma grande carenagem a lhe proteger as pernas e uma grande bolha a lhe proteger o peito, faz com que o vento lhe chegue de forma mais direta, e, com isso, as sensações de pilotagem - o famoso "vento na cara" - se tornam bem mais evidentes. 

Se por um lado a F800GS Adventure (assim como a R1200GS Adventure) lhe leva a desfrutar de maior conforto (a F800GS Adventure tem banco mais alto e mais macio, bolha maior, protetores de mão, de motor, é um pouco mais pesada, mais larga, etc.) por outro lado o "desconforto" da F800GS normal lhe leva a ter mais vontade de subir nas pedaleiras e equilibrar a moto no off, como deve ser. Se por um lado a F800GS Adventure tem a opção de selecionar o modo "Enduro" justamente para o off road, a F800GS normal não tem, e lhe leva a desligar o ABS (e consequentemente o controle de tração) e aplicar as técnicas de off road, como deve ser.

Mas, como acontece na grande maioria das motos, as vantagens que uma leva no off road, desaparecem por completo rodando no asfalto, onde, bem ou mal, a grande maioria dos pilotos passará durante 90% do tempo de uma longa viagem. 

De saída, a falta de proteção aerodinâmica começa a ser sentida literalmente na pele, pois a pequena
bolha da versão normal da F800GS serve para quase nada, enquanto na F800GS Adventure, proporciona para pilotos de até boa estatura, conforto considerável, fazendo o vento passar por cima do capacete. Na modelo normal lhe empurra a cabeça e o peito para trás, exigindo mais esforço físico durante a pilotagem sobretudo em velocidades mais altas. 

Igualmente, se comparada a Adventure, a versão normal deixa suas pernas bem mais expostas ao vento, gelando-as em um dia frio. Já a Adventure parece ser moldada de forma a lhe encaixar na mesma, jogando o vento para longe do piloto. No meio da neblina, ou na subida de uma serra cheia de curvas e embaixo de árvores que fazem a temperatura cair uns quantos graus, o corpo agradece. Nesse mesmo quesito, também os protetores de mãos - apesar de pequenos na F800GS Adventure, item que verificamos poderia a BMW ter se esmerado para oferecer estes um tanto maiores - fazem com que o vento aparente e consequentemente o frio não seja tão perceptível quanto na F800GS normal. 

Some isso a autonomia de 200km a mais na F800GS Adventure, e você terá uma moto bem mais apta a percorrer longas distâncias de forma bem mais confortável do que na F800GS normal, onde enquanto nesta última a reserva já está sendo pedida na casa dos 250km rodados, na Adventure só vai acender a luz da reserva lá por volta dos 450 e muitos quilômetros rodados, quando o cansaço e o bom senso já lhe mandam parar.

Desta maneira, com esforço e pilotando sem se exceder no acelerador e mantendo uma velocidade de cruzeiro entre 110 e 130km/h, a F800GS normal com seu tanque de apenas 16 litros lhe dará uma autonomia de não mais do que 300 quilômetros - o que não é de todo ruim - enquanto que com a Adventure e seu tanque de 24 litros, lhe dará uma autonomia bem próxima a 500 quilômetros. Apesar de mais pesada/encorpada a Adventure não só parece como é mais econômica, ainda que viajando com os 3 cases (ao menos constatamos isto na prática nas motos que pilotamos, o que pode ser simplesmente uma questão de diferenças sutis na afinação dos motores, na gasolina, no estado das estradas rodadas, na tocada que nunca é idêntica de um dia para outro, temperatura, pressão do ar e diversas outras variáveis), talvez pela aerodinâmica sensivelmente melhor nesta por conta justamente das carenagens que fazem o vento contornar mais facilmente a moto ou, como dissemos, apenas regulagens e outros fatores externos. O certo é que a autonomia extra na Adventure pode ser fundamental quando se planeja uma viagem para localidades como o Atacama, Ushuaia ou a imperdível Ruta 40 de Bariloche para baixo. 

Além disso tudo, o banco mais confortável da F800GS Adventure, lhe permite rodar bem mais tempo durante o dia, ao contrário do da F800GS normal, onde você tem a nítida impressão de que falta espuma. Falta mesmo, porque ela é mais voltada ao off, a fazer com que você suba nas pedaleiras, como falamos antes.

Outro item que faz TODA diferença são os faróis de milha na F800GS Adventure. Para condução à noite, diria que são fundamentais. Depois de utilizá-los uma vez apenas, você começa a se perguntar como viveu tanto tempo sem os mesmos, os quais são igualmente bastante úteis nas ultrapassagens, impondo respeito a uma moto que resta efetivamente vista pelos motoristas. E, claro, dentro de neblina, nada melhor do que os mesmos a iluminarem um pouco mais o caminho ou ao menos tornar sua moto mais perceptível.  


Depois de todas estas constatações, começamos a perceber que a diferença de preços de agora apenas 5 ou 6 mil reais tem razão de ser e não é de forma alguma "pesada". 

Ou seja, resumindo à poucas palavras, se o que o piloto procura é maior conforto, quer mais autonomia e não lhe apraz tanto o off road ou o vento na cara, se é de maior estatura e sente que uma moto mais "encorpada" lhe veste melhor, então a F800GS Adventure é a melhor opção. 

Caso contrário, a F800GS estará mais do que de bom tamanho para encarar muito chão, de todo tipo.

De F800GS Adventure ou de F800GS "normal", o importante é sempre uma coisa só: rodar de moto!

E você? Vai de F800GS ou de F800GS Adventure? 

Até breve!


Crédito das fotos: 
A&K Motorcycle Rentals


 
Na A&K Motorcycle Rentals dispomos de ambos os modelos de F800GS, tanto a versão normal quanto a versão Adventure, para que você tenha a oportunidade de optar pela que melhor lhe convém.

Para cotações e locações a fim de realizar uma viagem ou mesmo para um test rider mais prolongado e efetivo, entre em contato conosco pelo e-mail aek@aekmotos.com 



segunda-feira, 7 de julho de 2014

Afinal, o que é "CKD" e porque se diz ser "nacionalização" de motos?

Volta e meia, quando falo que tal moto passará a ser montada no Brasil via "CKD" - como vem ocorrendo cada vez mais com os modelos da BMW e outras motos "Premium" - vejo que o pessoal fica com aquela cara de dúvida com o que vem a ser exatamente o tal de "CKD". 



Até bem pouco tempo atrás, nem eu sabia exatamente o que era "CKD" e, principalmente, não sabia por que raios a moto ficava mais barata quando montada aqui do que se importada inteira (não era tudo importado da mesma forma? Qual a diferença?). Um pouco de pesquisa e descobri alguma coisa principalmente quanto as vantagens e desvantagens de tal método.

Primeiramente, vamos ao significado de C.K.D: do inglês, Complete Knock Down. Batida Direto para Baixo? Quase isso... Algo que poderia ser melhor traduzido como aproximadamente Peças/Estrutura Completamente Desmontadas! Tudo vem em caixas separadas, em lotes. Por exemplo, uma caixa com 12 rodas frontais e 12 rodas traseiras, uma com 12 motores, uma com 12 tanques, outra 12 painéis, etc., tudo separado que juntando monta 12 motos.

Para você ir se acostumando com os termos, pense que antes as motos vinham em "CBU" (Complete Build Up, ou algo como completamente montadas, cada uma em uma caixa). Agora vem desmontada, em lotes de caixas, por partes. Entendeu? 

Bom... Se ainda não, lembre dos kits Revell, que a gente montava quando pequenos (e só sonhava com as motos). Pois é. É isso. Só que no lugar de um aviãozinho de plástico em escala 1/48 ou uma moto em escala 1/12, ou menor prá montar e pintar que não voa/não anda, vem uma moto em escala 1/1 que depois de montada, anda. E já vem pintada! Só que em vez de virem todas as peças em uma caixa só, cada "lote" para montar várias, vem em uma caixa separada. Seria como você comprar uma caixa de rodas para montar 12 motos Revell, outra caixa com os 12 frames, outra com 12 motores, etc., e no final, com todas as caixas compradas, chamar os amigos e cada um montar uma parte para agilizar tudo. Um monta os garfos nos frames, o seguinte já coloca as rodas, o terceiro encaixa os motores, o próximo engata as relações, um para os painéis, outro vai montar o chicote elétrico e lá pelo último coloca as carenagens...

Enfim, tudo um grande "Revell". De resto tudo igual. Muito plástico, algumas partes de metal e parafusos no lugar da cola. E quem junta as partes, são as montadoras. Simples, não? 

Até aqui tudo bem. Mas... E as perguntas que não querem calar? Porque fazer o serviço de montagem aqui e não trazer as mesmas já montadas, lá de fora? Porque que, quando montadas aqui, as motos ficam mais baratas?

Bom... Aí é uma série de fatores, mas, em geral, se pode dizer que a mão de obra aqui não é lá tão especializada/qualificada ou melhor - para não ofender os mais desentendidos ou os que só conseguem enxergar o lado ruim de tudo no Brasil - não tão cara, não com tantos sedizentes "benefícios" ao trabalhador que só servem para onerar unilateralmente o empresário, repassando a este o custo e a obrigação governamental de saúde, educação, acesso à moradia, etc. Quanto você imagina que vai ganhar um "montador" de uma BMW R1200GS na "fábrica" (montadora!) da Dafra aqui? E quanto você imagina que ganha um alemão com mesma função lá na BMW de Munique, na Alemanha? Não é preciso ser gênio para imaginar que nossos salários aqui são bem menores - mesmo com os "custos trabalhistas" - e que as "despesas com a montagem", se torna bem menor. 

Quando se fala em "fábrica" ou "montadora", você tem de pensar que tudo é primeiramente custo. Ora... Porque você acha que o mundo está dominado pelos produtos chineses? Simples! Porque a mão de obra lá vale pouco mais do que nada. Por outro lado, os funcionários chineses normalmente ganham por produção, por vezes nem tendo salário fixo ou tantos "direitos" trabalhistas. Assim, quanto mais peças fabricam/montam, mais dinheiro colocam no bolso. 

(Só à título triste de ironia, fico imaginando isso no Brasil... A equipe que mais montasse motos, mais ganhasse. E de cara vejo que não funcionaria e seria estopim de conflitos. Fora que seria um prato cheio para o Ministério Público do Trabalho e sobretudo para os Sindicatos. É. Melhor nem pensar!)

Além do custo de mão de obra, normalmente há por parte do governo um "incentivo fiscal" para a montadora, representado, via de regra, por desconto substancial em impostos de importação, de ICMS, IPTU ou tantos outros. Assim, em vez de arcar com custo de, vamos chutar!, 30% na importação da moto inteira, paga 10% na importação de cada caixa de lote de rodas, motores, etc. Afinal está gerando mais empregos, trazendo oportunidades indiretas, aquecimento na economia, blá, blá, blá...

Tira daqui, puxa dali, conte com uma redução mínima de 10% até 15% ou mais no valor final da moto montada via "CKD" aqui.

E quanto a qualidade? Como fica se a moto, bem ou mal, continua "importada". Afinal, são todas as partes fabricadas lá fora. Qual a diferença em ser montada por um alemão centrado ou por um brasileiro revoltado (com a falta de oportunidade, falta de condições de saúde, problema de moradia, educação dos filhos, etc., etc., etc...)? E vejam! Não estou querendo desqualificar! Apenas trazer realidades distintas de um povo em eterno desenvolvimento versus povo desenvolvido com mais condições de vida. Ok que o povo aqui é batalhador, que não se entrega assim tão fácil diante das adversidades, que o pessoal tem de ser treinado, mas.. Será que é lá na BMW Motorrad da Alemanha? Duvido com todas as minhas forças.

No mais, vai da imaginação de cada um, e saber se nossos montadores tem tanto "carinho" e dedicação quanto os montadores alemães, que vestem a camiseta da BMW. Se estão tão felizes quanto os alemães com seus salários, com a educação que tem no país, o sistema de saúde, previdência, etc., enfim, saber se ao final dá prá fazer um videozinho assim:



Quem sabe? Hoje, não dá prá ter muita noção de como será isso tudo. Hoje, nem com o futebol o brasileiro está tranquilo. Até o futebol alemão, hoje, anda melhor que o nosso...

Mas ainda há uma esperança. Até para a qualidade da montagem em CKD!

Afinal, o que nos diferencia, é que somos brasileiros. E sabemos que sempre poderemos fazer cada vez melhor.

Até breve!



A&K Motorcycle Rentals
Aluguel de motos BMW GS para motoaventureiros, buscando sempre o melhor para seus clientes.
www.aekmotos.com
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aek@aekmotos.com

terça-feira, 17 de junho de 2014

Motos BMW's e Recall's - porque tantos, afinal?

Volta e meia a BMW Motorrad vem emitindo chamados de "recall's" de diversas de suas motos. Com isso, tenho visto muitas reclamações de proprietários, potenciais compradores e sobretudo de antipáticos à marca bávara apontando que a BMW "não respeita seus consumidores", sob alegação - dentre outras - de que é inadmissível colocar no mercado uma moto tão cara com tantos "bugs" que vão na sequência requerer "recall". Perguntam-se também por que, com tantos recall's, insisto em ter somente BMW's, em vez de partir para as concorrentes, que, além de tudo, são "muito mais baratas", dizem.


Tenho bons motivos, respondo... E questionam-me não se dando por vencidos: mas o que é e porque tantos "recall's" nas motos BMW's?

"Recall", numa tradução simples, seria "chamar de volta". Em se tratando de veículos, é o "chamar de volta" para efetuar algum conserto ou troca de peça específica, sempre que se descubra potencial probabilidade de problema que possa comprometer a segurança.

E o que compromete a segurança em uma moto? Praticamente TUDO! Um simples parafuso pode gerar um potencial problema de segurança. Imagine um parafuso que sustenta o motor soltando-se ou quebrando por defeito de fabricação, um parafuso da pinça de freios sem a devida fixação, um parafuso da mesa de direção que... Bem! Acho que você já entendeu!

Sendo composta de milhares de peças, fica evidente que uma destas pode ter defeito de fabricação, seja em uma unidade e/ou em um lote. Imagine uma máquina automatizada produzindo parafusos ou juntas e, lá pelas tantas, sofre desregulagem por ação externa ou desgaste da própria máquina e começa a produzir uma junta "mordida", com falha ou micrômetros menor ou maior do que deveria. Imagine agora que tais juntas passaram batidas pelo controle de qualidade e acabaram sendo montadas em eixos cardãs de BMW's R1200GS ou então na vedação do sensor do cavalete lateral... Quando é que a BMW poderá descobrir a falha? Talvez nunca. Talvez assim que dois ou mais proprietários reclamarem do mesmo problema! 

Pronto! Foi acesso o estopim para um recall, procedimento dispendioso para a marca, pois além de fazer o chamamento de inúmeros proprietários, tem de colocar mecânicos, agendadores de serviços e outros à postos para atenderem a demanda de troca de peça que PODE (isso não é uma certeza), vir a, quem sabe, um dia, sob condições X, Y ou Z, apresentar defeito.

É claro que nenhuma montadora faz "recall" pura e simplesmente de "boazinha". Dentre outros motivos, procura se preservar de futuros processos judicial de responsabilização/indenização por conta de eventual acidente ocasionado por falha de determinada peça. 

Aí você pensa... Mas no Brasil isso "cola"?

Enquanto advogado, deixe-me lhe dizer a realidade no Brasil... Quando muito, depois de longa batalha judicial que por vezes leva dez anos ou mais, você consegue uma indenização que se pagar as custas iniciais do processo e honorários de seu advogado, já é muito. Com efeito, já vi indenizações por danos morais GRAVES não passando de R$ 10.000,00 e indenizações por MORTE na justiça do trabalho em cifras não maiores do que R$ 5.000,00. Isso mesmo! Você leu direito! Cinco mil reais! A vida humana aqui não vale muito mais do que isso... Indenizações milionárias como se vê em filmes americanos, só lá acontece. No Brasil, está muito longe de ocorrer!

Assim, fora a preocupação com a imagem da marca e com o cliente, pode ter absoluta certeza que outra razão não teria a BMW ou qualquer outra marca para replicar recall's em solo brasileiro.

Por fim, deixe-me falar de um caso particular envolvendo recall's e uma moto Buell que tenho. Enquanto "lá fora" pelos idos de 2002 a 2006 houveram recall's desta marca de a) suporte do pezinho (podia quebrar. A minha quebrou. trocado...); b) rolamento de rodas (podiam quebrar. O da roda traseira da minha quebrou. Trocados todos rolamentos); c) ventoinha (podia trancar por quebra de rolamento. A minha travou. Troquei o conjunto); d) retentores das bengalas (podiam vazar. A minha... Bom. Troquei) e outros que não me lembro mais, sabem quantos anunciaram aqui? NENHUM! Isso mesmo! Procedi as trocas ou de meu próprio bolso, ou levando à concessionária o informativo estrangeiro exigindo o serviço, feito com muita má-vontade, como se fosse um favor... 

E não se engane que isso aconteceu somente comigo e minha moto! Tenho ouvido INÚMEROS relatos de diversos outros proprietários de motos das mais diversas marcas, com problemas IDÊNTICOS para determinado modelo que simplesmente não são chamados à recall, como se tais problemas fossem meras coincidências. Coincidências de falhas mecânicas? Hein?

Quanto a BMW, entre no site  BMW Motorrad e vá até a aba "Pós-Vendas". Pois é. Está tudo ali. Preto no branco.

E aí você não fica se perguntando PORQUÊ as outras marcas não fazem recall's? Será que você é ingênuo a tal ponto que acredita piamente que somente as motos BMW sofrem recall's ou tem defeitos em peças?

Digite "recall Triumph", "recall Yamaha", recall a marca da sua moto, e vais ver que não só a BMW sofre de "problemas" de recall's mas todas as marcas de motos que se prezem. Umas mais, outras menos, o importante é chamarem ao recall. 

Num suspiro final, talvez alguém ainda vá murmurar: "Mas antes não tinha tanto disso..."


De minha parte, prefiro 100 recall's do que o descaso com o consumidor. 

E você? Continua preferindo a inexistência de um recall?    

Pense nisso, enquanto lhes digo...

Até breve!!!



Crédito das fotos:
Google images

A A&K Motorcycle Rentals está sempre atenta a eventuais recall's de suas motocicletas BMW GS's, assim como solicita a clientes que reportem qualquer problema que porventura verifiquem, ainda que ínfimos. Além disso, mantém as mesmas com revisões estritamente em dia, realizando também um check up completo de cada moto depois e antes de cada nova locação.


quinta-feira, 25 de março de 2010

A melhor moto do mundo...

Dia desses, em lista de discussão, voltou-se à velha “vaca-fria”... Qual era a big trail melhor? A R1200GS Adventure ou a V-Strom?
Considerações daqui, dali, sempre acabo me lembrando da frase de amigo, que insistia em dizer: “A melhor moto, é aquela que você tem...”.
Um os pontos da discussão residia na questão do porque uma R1200GS Adventure custava o dobro do preço de uma V-Strom, se não era aquela, teoricamente, duas vezes melhor. Piadas daqui e dali, houve até quem discordasse, dizendo que a “beemer” não era mesmo duas vezes melhor. Era no mínimo três!

Eu, particularmente, não vejo com bons olhos motos que se destinam também para o fora de estrada carenadas. Simplesmente não combina! Pelo simples fato de que mais dia, menos dia, vão no mínimo tombar, e aí a carenagem vai pro espaço. Claro que há a opção do protetor de motor e carenagem, vulgo “mata-cachorro”, que nem sequer a BMW dispensa. A Adventure já vem com. Mas, enfim...

Essas discordâncias me lembrou de outra, há tempos atrás, em que um outro comparava uma esportiva de 600 cilindradas com uma extinta shadow 600. Porque da diferença de preços, afinal? E porque, por Deus!, uma esportiva custava até 3 vezes mais? Não era só dividir o total por 600 e cada cilindrada era “x” valor? Grande bobagem!

A verdade é que cada coisa tem seu preço. E a BMW, para puxar um pouco mais a brasa ao assado da mesma, como sabiamente me confidenciou outro, já vinha com ABS e cardã quando outras estavam na era do freio à cabo de aço e da corrente. Agora vai com ajuste de pressão de pneus, controle de tração, suspensão eletrônica ajustável, manoplas aquecidas, computador de bordo, etc. E as demais, ao que consta, aos brados, como se tivessem descoberto o fogo, começam a falar no tal de ABS...

Tudo tem sem preço. Quer tecnologia de ponta? Vai pagar caro...

Basta saber quem quer pagar o preço e porque. Não fosse assim toda prestação de serviço teria o mesmo preço, a alface custaria o mesmo que o tomate, a carne de terceira com osso o mesmo preço que o filé, e a vida, enfim, nem teria graça! E nesse dia, provavelmente, andaríamos todos de CG e voltaríamos às aulas de datilografia... Ou seria mecanografia? Esqueçam-se os ABS, os telelever, o controle de tração e voltemos ao bom, velho e confiável carburador.
Quer saber?

Viva o “maldito” capitalismo!



A&K MotoAdventures

Onde moto não é mero transporte...

quarta-feira, 24 de março de 2010

AeK MotoAdventures

Motos?
Sim, obrigado!
Duas ou três porções para mim, por favor...
Comecei devagar - ou não - numa Shadow VT 600, andando pelas loucas ruas do Rio de Janeiro, por vezes me perdendo pelas favelas, quando o povo me olhava com cara de "Coitado, está perdido", e não raro os "mano" apontavam o caminho de volta ao asfalto. Estivesse com outra moto seria diferente? Talvez sim, talvez não. Hoje, casado e com filho, não pretendo renovar a experiência.
Eram dias de coragem, dias de andar de shadow... Boa moto. Péssima moto!

Motos? Sim, obrigado! Veja três porções para mim, por favor! E quando me dei por conta...


Lá estavam elas. As três enfileiradas, em formação na minha garagem, onde apenas seis rodas permaneciam em contato com o solo.
Carro?
Não, obrigado!
Vamos de moto para onde for.
Até o fim do mundo, se necessário.
E sempre é.
Ao menos para um motociclista, que por si só, já não é ser inserido na média da população. Ele é de início diferente, não só por ser, mas por querer ser. Ele é aquele que dá risada por estar pilotando na chuva, enquanto outro passa emburrado em um carro fechado, no conforto do ar-condicionado.
Ou no conforto da música ambiente, encerrado em sua gaiola de metal, enquanto o motociclista, como pássaro, vai montado nas asas do vento.
Mesmo antes de emparelhar com aquele motorista, o motociclista já sabe até mesmo se aquele está a fumar. Sente os cheiros no ar... Se houver chuva à frente, também pelo olfato o motociclista prevê o que lhe espera pelo caminho. Pode-se dizer que ele "vive" o caminho, vive a viagem. Ele ali está a cada momento, a cada quilômetro e não simplesmente vai. Quem vai é o motorista, com hora para chegar. Já o motoqueiro... Ah, esse louco incurável!


Talvez seja eu que viajei pouco na vida e esqueci de ver aqueles que, afastando-se, batem fotos do próprio carro, pairando em meio à paisagem.
Talvez eu não saiba da metade dos prazeres, da segurança e do conforto de viajar em um bom carro.
Mas, raios! Esse sentimento de insegurança e desconforto dentro de um carro não passa nunca!
Case-se com uma mulher belíssima que aceite suas loucuras e, quem sabe, formes siglas, empresas, sonhos:


A&K MotoAdventures
Onde moto não é mero transporte...