domingo, 6 de janeiro de 2013

A vida, a morte, os imprevistos, o dia-a-dia e as motos

For english version, click HERE:


Pois é...
Após hospitalização de meu pai - que quase se foi pro "saco da bolacha" e que me fez a partir daí entender um pouco mais o sentido da vida e da morte - que adiou em uma semana minha saída, reprogramei as férias e deixei tudo pronto para a grande viagem. Seria uma "releitura" da que fiz em 2006, mas por caminhos diferentes. Coisa "pequena", de duas semanas e uns 5.000km. Faria parte do que chamamos o tradicional "turistão" só para aportar em Bariloche/AR e comer me babando o meu amado cordeiro fueguino, pelo qual salivo só de pensar! 

Moto nos "trinks". R$ 1.270,00 só em pneus Pirelli Scorpion Trail que encontrei depois de muito procurar na Mototech, próprios para a Buell Ulysses, peça rara por si só. USD 1.000 em cash no bolso, mais outro tanto em pesos Argentinos, Uruguaios e Chilenos. Carteira de habilitação, de identidade, passaporte, lentes de contato, etc. e o escambau. Comprei até comida enlatada tipo lulas, polvo e atum prá parte protéica, bem como barras de proteína, massas em geral e deixei à postos o fogareiro "dual fuel", conjunto de cozinha, tripé, banqueta de acampamento, etc... Só faltava a "carta verde" que já deixei engatilhada por telefone. Dia 4 de janeiro de 2013, 6 da matina, iria para a estrada!!! Finalmente! Depois de uma "secura" de 4 anos!!! Afff!!!
Mas...

Cada dia mais descubro que para vida não basta se programar. Nem prá morte. Imprevistos acontecem. Ou simplesmente "shit happens", como dizem os americanos. Nada mais apropriado. Perfeito se seguido de um sonoro "bull shit".   

Há aqueles que se revoltam. Há os que jogam tudo pro ar e seguem nos planos, custe o que custar, doa a quem doer. Ok que estes normalmente tem transtorno conhecido por autismo, às vezes em grau leve - mas suficiente para não se importarem muito com os demais - e não raro nem sabem disso, podendo passar uma vida inteira sem descobrir (ou descobrirem), achando só que são diferentes, ou que são "o cara", ou, conforme os amigos, "...é um sujeito meio esquisito, mas é boa gente...". Ou então, tem outro tipo de problema físico, mental ou psíquico. Ou simplesmente egocentrismo. Ou, vá lá saber o quê!!! Certo é que quem não se importa, não é normal.

E a vida é assim... Meio maluca, esquizofrênica por vezes, autista por outras, enfim, nada normal. Porém são os imprevistos, a mudança repentina no dia-a-dia que dão o tempero para a vida. Assim que penso... Caso desta maneira não fosse, viveríamos numa linha reta, numa mesmice, numa vida robotizada. Coisa da qual nem se está tão longe e que alguns até preferem. Seria como simplesmente engatar a sexta marcha e seguir numa longa estrada sem curvas, sem paisagem que não areia. Mas agora imagine isso sempre. Imagine pilotar sem a emoção do acelera, freia, debria, puxa prá cima a marcha, enche o motor, deita para um lado, para o outro, põe o corpo para frente, para trás, sobe nas pedaleiras, etc. e tal.
Sei lá... Deve ser porque compramos para a A&K Motos um carro automático e, muito embora o mesmo seja quase uma cama sobre rodas de tão confortável, não me passou emoção. Claro, há que se considerar meu gosto por carros x motos, praticamente nulo para os primeiros. Quiçá fosse um Camaro, vá lá! Ou então deve ser pelo que descobri com prenúncios de morte, com o maldito tânatos nos rondando nesses dias que passaram.

Enfim... Carros são carros, retas são retas, morte é morte, vida é vida, curvas são curvas e motos são motos. Eu sempre, a vida inteira, invariavelmente gostei somente das três últimas, por mais que me explicassem que é justo numa reta que dá para acelerar, ou que um avião decola, por exemplo.

Pois as motos - diferente do carro automático - são vida pura.

Das três semanas que eu antes tinha de férias, me sobraram duas. Saio amanhã? Depois disso? Vou ficar uma semana rodando?

Sinceramente, a essas alturas, quem se importa?

Eu não. Deixei de me importar com os imprevistos do dia-a-dia mas ao mesmo tempo e de forma surpreendente passei a me importar mais com as pessoas e bem menos com as "coisas", como uma viagem ou uma moto. Não que não tenham seu grau de importância, mas sempre estiveram e agora mais ainda vão à segundo plano. Simplesmente porque minha esposa, meu filho, eu, você, meu pai, todos nós, estamos vivos.

E isso é o que realmente importa.

Uma viagem de moto pode esperar, podemos sempre adiar, reprogramar, deixar ainda mais interessante! E não, nunca devemos deixar de fazê-la ou deixar de sonhar com ela. Reforço sempre: corra atrás de seu sonho seja ele qual for. Um belo dia ele acontece, aquela viagem tão planejada sai. E então ela fica melhor ainda, bem mais temperada. O cordeiro fueguino assa por mais tempo e fica mais macio e saboroso.


Mas a vida, ah, meu caro... Fique atento, pois essa não espera nunca, não se pode adiar. E a vida sempre pode lhe surpreender! Portanto, não espere para simplesmente viver!

E claro, andar de moto sempre e assim que puder.

Até breve!!!

sábado, 5 de janeiro de 2013

Life, Death, the unforeseens, the day-to-day and the motorcycles

Para versão em português, clique AQUI


Yeah ...

After hospitalization of my father - who almost went for "other lands" and from there made me understand a little more the meaning of life and death - in a week that postponed my departure, reprogrammed the holidays and left everything ready for the big trip. It would be a "reinterpretation" of what I did in 2006, but by different routes. Thing "small" about two weeks and 5,000 km. Would be part of what we call the traditional "turistão" just to dock in Bariloche / AR me drooling and eating my beloved lamb fueguino whereby salivo just thinking!


Motorcycle ok. USD 630.00 in only tires Pirelli Scorpion Trail I found after much searching in a internet store, fit for Buell Ulysses, rare piece by itself here in Brazil. USD 1,000 in cash in my pocket, another much more in pesos Argentines, Chileans and Uruguayans. Driver's license, identity card, passport, contact lenses, etc.. and more. Bought up canned food type squid, octopus and tuna practical part protein and, obviously protein bars, and let the general masses to put the stove "dual fuel", kitchen set, tripod camp stool, etc. ... Just missing the "green card" that has left cocked by phone. January 4, 2013, six in the morning, going on the road!! Finally! After a "dryness" of 4 years! Afff!!

But ...

Every day more to discover that life is not just programming. Not practical death. Unforeseen happen. Or simply "shit happens" as the Americans say. Nothing more appropriate. Perfect if followed by a resounding "bull shit".

There are those who rebel. There are those who play everything in the air and follow the plans, at all costs, no matter who it hurts. Ok they usually have disorder known as autism, sometimes mild - but not enough to not care much about anyone else - and often do not know it and can spend a lifetime without discovering (or discovering), but they are finding different or that they are "the man", or, as friends, "... is a weird guy, but it's good people ...". Or have other physical problems, mental or psychic. Or simply egocentrism. Or, come to know what!! Truth is that people do not care, is not normal.
And that's life ... Half crazy, schizophrenic sometimes by other autistic finally nothing normal. But are the unexpected, the sudden change from day to day that give the spice to life. So I think ... If this were not so, we would live in a straight line, a cutter, a robotic life. Thing which is not so far away and that some even prefer. It would be like simply engage the sixth gear and go on a long road with no curves, no landscape than sand. But now imagine that forever. Imagine the thrill of driving without accelerating, braking, debria, practical pull up the march, fills the engine, lay to one side to the other, puts the body forward, backward, up on the pedals, etc.. and such.
I dunno ... Because it must be purchased for A & K Motorcycle an automatic car and, even though it is almost a bed on wheels so comfortable, do not passed emotion. Of course, we have to consider my taste in cars x bikes, virtually zero for the first. Perhaps it was a Camaro, look there! Or should it be discovered with the harbingers of death, Thanatos fucking with us prowling these days that have passed.

Anyway ... Cars are cars, lines are straight, death is death, life is life, and curves are curves bikes are motorcycles. I have always, my whole life, invariably liked only the last three, however I explain what is just giving a straight to accelerate, or that a plane takes off, for example.
For the bikes - other than automatic car - I sound like pure life.

Of the three weeks that I had before the holiday, I had left two. I leave tomorrow? After that? I'll stay a week running?

Honestly, at this point, who cares?
I do not. I've stopped caring about the vagaries of day-to-day but at the same time and surprisingly I began to care more about people and less well with the "things", like a trip or a bike. Not that do not have their level of importance, but have always been and now most still go to the background. Simply because my wife, my son, me, you, my father, all of us are alive.

And that's what really matters.




A motorcycle trip can wait, we can always postpone, reschedule, leaving even more interesting! And no, we should never stop doing it or stop dreaming about her. Reinforcement always: chase your dream whatever it is. One day it happens, that trip goes as planned. And then it gets even better and more temperate. The lamb "fueguino" roasts longer and is more soft and flavorful. 




But life, oh dear ... Stay tuned, because this does not expect ever, we can not postpone. And life can always surprise you! So do not expect to simply live!Of course, riding motorcycles and so it always can.

See you soon!!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Novidades para 2013 no blog A&K Motos!

Caros;

É com satisfação que informamos que neste ano, em comparação com o anterior, os acessos ao blog triplicou, saltando para mais de 4.000 visualizações mensais. Ao mesmo tempo, de 11 posts em 2011, em 2012 com este conseguimos publicar um total de 39 posts, que foram ativamente acompanhados por nossos leitores, os quais expressaram sua opinião acerca dos variados assuntos, deixando o blog muito mais atraente. Interessante notar que 10% destes acessos foram estrangeiros, oriundos de países como Estados Unidos, Canadá, Japão, Rússia e outros.

Assim, visando facilitar a vida também destes nossos leitores de outras paragens, passaremos a publicar todos os posts também em inglês a partir já de janeiro de 2013.
Logicamente, por não sermos exímios na língua que não nos é pátria e onde o conhecimento é parco, desde já registramos que não raro poderão ser notados por nossos leitores erros crassos principalmente gramaticais. Pedimos, por isso, antecipadas desculpas.
Se algum leitor com mais fluência na língua inglesa quiser nos auxiliar e sugerir  devidas correções, poderá nos enviar e-mail para adv_shadow@yahoo.com.br  
a qualquer momento, já que todo post pode ser editado sempre que necessário. 

E esta é apenas uma das novidades que temos planejadas para 2013, o qual, se depender de nossa vontade e sonhos, será um ano ainda mais espetacular do que este! Em breve pretendemos apresentar outras boas novas que temos certeza serão interessantes a todos motociclistas que acompanham o blog, visando sempre o crescimento e disseminação deste nosso hobby/esporte/estilo de vida/paixão. 

Agradecemos a todos que vem nos acompanhando, esperando atender as expectativas de nossos leitores ou, no mínimo, tornar a informação sobre nossas amadas motocas, viagens e tudo que envolva em especial o mototurismo/motoaventura acessível da forma mais descontraída possível, pois acreditamos que andar de moto, antes de esporte, lazer, turismo ou até trabalho, é um prazer.   

No mais, é desejar um 2013 a todos sobretudo com bastante saúde para proporcionar mais motocadas por esse mundo afora!

Feliz 2013 a todos!!! Que ele seja muito melhor do que 2012 e assism sucessivamente!!!

Abraços;

Adv

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo acabou! Vamos andar de moto???

Certa feita um conhecido meu, de forma um tanto agressiva e indignada, meio que querendo me dar "lição de moral", me disse: "Você não pode viver só em torno das motos! A vida é muito mais do que motos!!!"

Eu juro que não entendi!!! Mas não entendi nada meeesmoooooo! E eu perguntei-lhe algo? Pedi "tratamento" para minha "doença"? Tem gente que é assim, muito metida a doutor quando da vida - ou das motos - não entende um ovo, até porque a única pessoa capaz de entender a sua vida é aquele cara que você vê no espelho todos os dias. É óbvio que a vida não é só motos! Tem a família, as motos, os amigos, as motos, a grana, as motos, nossa casa, as motos, o trabalho, as motos, enfim, o dia-a-dia e... as motos, claro!!!

Tá bom...

Mas o papo é o fim do mundo, ainda. Papo chato... Enfim, já que o mundo não acabou - e pelo jeito não vai ser o fim tão cedo - uma boa idéia seria rodar mais de moto, não acham? Porque ninguém nos garante que em outro plano de existência haverão esses maravilhosos veículos de duas rodas. Veja que o próprio calendário Maia, que na verdade nada mais faz do que anunciar o início de uma nova era (e sempre tem os que enxergam o copo meio vazio, pessimistas de plantão), é uma roda. E nessa roda, naquelas figurinhas esquisitas, eu juro que bem lá pelo meio eu vi um cara doidão, de língua de fora, com as mãos segurando o "seca suvaco" de uma Harley Davidson. Longe de mim discutir a escolha maística pelo tipo de moto - e aí alguma relação com o fim... - mas que tem moto ali, ah, isso tem. Vão dizer que vocês não viram isso também nesse negócio?

Ou será que sou eu que ando vendo em tudo motos?

Pelo sim, pelo não, decidi que em 2013 vou andar mais de moto. A vida não espera, é fato. A gente espera até ter uma moto melhor, até comprar uma BMW, até o filho crescer, até que sobre um pouco de grana, até que a obra fique pornta, até que o trabalho fique mais tranquilo, até que...

E, quando você vê, puft! Acabou. Já era.

Por esses dias de fim do mundo, meu "véio" quase "se foi". Quase foi "puft". Antes de hoje. Ainda está lá, no hospital., recuperando-se do "quase". Saiu ontem à noite da CTI (acho que não seria mesmo um bom lugar para se estar no dia do fim do mundo!!!).  Se as coisas não tivessem dado certo, se o "Santo" dele não fosse forte (e ele teimoso como uma mula, até prá ficar ruim, graças à Deus...), para ele, seria, portanto, o fim do mundo.

Então, finalmente, depois de longos 39 anos, percebi: o fim do mundo pode nos chegar à qualquer momento, sem qualquer aviso prévio.

Basta a gente saber o que fazer - e como bem viver - nesse nosso meio tempo por aqui. 


Lembrando que de bom tem a família, fazer amor com a esposa, brincar de cavalinho com o filho, os amigos, um monte de outras coisas e claro, as motos. 

E as motos são efetivamente um problema! Tem a vida E as motos. 

Problemáticas simplesmente porque todo resto dever ter. Mas ninguém garante que em outro plano de existência haverão motos.

Então, pelo sim, pelo não... Vamos andar de moto!

Até breve!!!

Crédito das fotos:
1 e 3 - A&K Motos
2 - google images

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Medindo a paixão por motos - ou você é, ou não é.

Vindo ao trabalho na minha valente XLX 250 R, 1987 , vulga "Nazaré" ou simplesmente "Nazá"- da qual não pretendo me desfazer enquanto vivo - e, em trânsito tranquilo, vendo os motoboys e outras classes de motociclistas (até um Harleiro/ista "maluco" com direito a patch, tatuagens nos braços e malboro aceso enquanto pilotava segurando o "seca sovaco") maginava se poderia medir a paixão por motos de caras como eu. 

Há coisas na vida que não tem preço... Nem medida.

Dizem que o mundo acaba já agora, semana que vem, daqui há 7 dias... Será? Acho brabo! Bom... Semana que vem, ainda vou estar trabalhando!!! Será que irei passar as últimas horas da existência da humanidade sentado na frente do computador? Não é bem assim que eu pretendia deixar o mundo terreno. Pior... Minhas férias começam dia 22! Fala sério! O mundo acabar no 21, comigo no trabalho, longe de minha esposa e filho e sem minha moto seria muita sacanagem! Acho que no mínimo vou marcar com os dois de virem comer inteira uma torta de chocolate com refrigerante em frente à pilha de processos que tenho a fazer, cometendo, assim, a última excentricidade gastronômica que eu poderia imaginar.

Ok, ok! Mas vamos imaginar de verdade, que SIM! O mundo realmente vai acabar no próximo 21, antes mesmo de você abrir seus presentes de natal (esse ano eu nem me preocupei em comprá-los, já que o mundo vai acabar mesmo...). O que você faria se tivesse plena certeza disso (digamos que a NASA disparasse a notícia de que um meteorito do tamanho da lua estava se aproximando) nas suas últimas horas? 

Nem lhes conto o que pensei... Sim! Não era ficar na frente da TV, ou fazer sexo loucamente com minha esposa, ou ainda gastar tudo que tenho numa viagem insana qualquer, assaltar um banco só pela adrenalina ou pular de páraquedas com uma mochila. E nem devorar a torta de chocolate inteira, pois essa hipótese pretendo efetivar só de "molecagem", ao menos parcialmente (digamos que um pedaço moderado apenas...). Nada disso!!!

O que imaginei foi algo bem mais simples...

Prá mim bastaria minha moto, a esposa na garupa e meu filhote no meio. Capacetes? Prá quê? Iria até algum lugar mais deserto com eles, provavelmente para cima dos Andes, em algum "paso" desconhecido, lá pros lados onde "o vento faz a curva" e esperaria abraçado neles e apoiando a cabeça no banco da moto, que a tal altura estaria deixada no gramado também esperando o fim do mundo. 

O que quero dizer é que algumas paixões não tem cura, não tem preço.  Que a primeira coisa que você pensa é naquilo, torcendo que a última também seja.E que tem algumas coisas singelas na vida para a qual a gente não dá valor... Até que um dia chega o fim do mundo e passa a ser tarde demais.

Assim sou com minha família e com minhas motos... Uma paixão simplesmente inexplicável, sem medidas.

Se me perguntassem se eu trocaria nunca mais poder andar de moto por quinhentos milhões de reais, minha resposta seria um sonoro NÃO! E um tiro no "fidapuuu" que me fizesse tal proposta... Em tempo: quem me conhece sabe o quanto gosto dessa coisa chamada dinheiro.

Daí que pude ver a medida de minha paixão.

E quanto a você? O que lhe faria parar prá sempre de andar de moto? Fora o fim do mundo, lógico.

Pensem nisso...

Até breve!!!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Como se concretizam os sonhos de vidas e de motos... Um bom ano!

Há mais de um ano e meio atrás, postei sobre realizações de sonhos, "Motocar ou não motocar... Eis a questão!", enfim, prioridades de vida em busca de algo que muito queremos em prol de outras.

Naquela época, minha prioridade era um lar, uma casa que eu pudesse chamar de minha, onde pudesse criar meu filho "solto", com espaço de sobra no quintal para que ele corresse, jogasse uma bola, subisse em árvores e comesse frutas direto do pé, por mais ordinárias que fossem. Lugar onde levasse também - prá aprender que a vida às vezes é dura - alguns bons tombos na grama, uma picada que outra de formiga "pimenta" e aprendesse a respeitar abelhas,  aranhas e outros pequenos seres peçonhentos, para, em futuro breve saber como tratar com outros quiçá maiores, infelizmente ainda existentes, com os quais invariavelmente um dia cruzará, chamados por alguns de chatos, pedantes, desumanos, bandidos (políticos?), etc.

(E o que isso tem a ver com motos? "O blog não é sobre motos?", questiona-se você...)

E eu queria - e, por honra ou teimosia muar - começar era do zero mesmo, para deixar exatamente como eu sonhava, sem ter de aceitar o que encontrasse já pronto. Iria construir, portanto. Queria também, nesse pacote, um lugar onde minha esposa pudesse tomar banho de sol, catar manjericão para prepararmos uma pizza marguerita, ler um livro tranquila observando o guri ou que pudéssemos simplesmente namorar à noite sob a luz da lua e das estrelas, sentados  em um banco de jardim embaixo de um butiazeiro ou nespereira no meio do gramado rescendendo ao orvalho da madrugada. E exigente que sou, queria ainda que a casa tivesse na lateral corredor de coisa de metro e vinte,  coberto por pedras à lembrar as boas e velhas estradas de rípio da Patagônia (lugar pelo qual me apaixonei) acabando aos fundos do terreno, por onde pudessem meus amigos ou nós mesmos passar com as motos e lá em um círculo que desenharia ou algo do tipo, alinhá-las. E queria também  uma boa lavanderia com lugar para guardar minhas tralhas de moto em um sótão sobre a mesma, com um bom acesso lateral por escada que ali encostaria.

(E isso tem tudo a ver com motos...)

Nessa época, fui antes de pá e enxada na mão, para salvar da morte certa uma "réles" nespereira. Sei lá... Deve ser porque estou ficando com mais idade, mais "bobo" talvez, e porque, à medida que vamos avançando no tempo ainda restam as boas lembranças.

Quando vi a nespereira no terreno outrora baldio, lembrei do tempo que era guri e que ficava comendo na rua as tais ameixas (é incrível e quase inimaginável hoje em dia nas capitais, mas naquela época se encontravam árvores frutíferas em plena calçada, coisa hoje em dia cada vez mais rara!). A gente guardava os caroços que fossem redondos, e ia depois brincar de "bodoque", já que estas eram melhores do que as bolinhas verdes de cinamomo, colocando latinhas nos muros. A diversão maior era quando achávamos as de alumínio, o "último grito"  em tecnologia (lembrando ainda que naquele tempo não existia a cata ao tesouro da reciclagem, e a confecção das latinhas de alumínio eram muito cara), pois as normais da época eram as de "folha de flandres", que não amassavam  tão fácil - ou, delírio!, furavam - quanto as primeiras.

(Naquele tempo a gente percorria a vizinhança de bicicleta, sonhando com motos, tendo um prendedor de roupas a prender uma tampa de margarina em contato com os raios só prá fazer um som do tipo "trééééé" que a gente jurava igual ao das DT's...).

A teimosa "reinou" para sair, com raízes emaranhadas em pedras e por baixo de laje antiga de concreto.  Foi marretaço, legítima "picaretagem" e poda à facão, regados à muito suor embaixo de um sol de meio dia de um domingo. Se ela resistisse, estaria apta a aguentar o resto dos trancos da vida, pensei eu... Cavei cova profunda e para lá arrastei-a, já meio esgotado das forças, pensando que teria sido muito mais fácil simplesmente "deixar por isso mesmo" e esquecer da nespereira. 

Mas eu sou "teimoso, como uma mula". E não é de minha índole "deixar por isso mesmo" as coisas. Quero sempre ir até o fim, mesmo que tenha de voltar "n" vezes para concluir algo... Arranquei à unha o basalto abaixo (até hoje não sei quantas camadas, concreto e o que já tivera naquele terreno que virara baldio e assim estava registrado desde sempre na matrícula), abri um entorno de coisa de metro e meio, encontrei a melhor terra que pude em meio à população incipiente de mamonas (por mais que eu arrancasse pela raiz voltavam com tudo), forrei o fundo da cova e ali meio que atirei a coitada. Molhei-a e gritei alto - já enlouquecido de sede e calor: "Agora, te vira que eu quero frutos quando vier prá cá!". Com o "facão de três listras" - amigo velho de todo bom gaúcho que se preze - ainda dei-lhe de talho, avisando o que ela teria enfrentar no meio da obra...

(Obra, ou ao menos essa minha, que tem tudo a ver com motos...)
Voltei lá quase que diariamente, atirando uma água ao pé, até se firmar e virar-se só com a chuva que porventura caísse. A peonada foi mais implacável que eu. Aquela árvore já judiada, serviu de escora prá andaime, tripé para bancada de dobrar vergalhão e o que mais viesse. Viravam cimento e brita na base dela, enfiaram-lhe pregos para tudo quanto foi lado e lugar que mais lembravam os cravos  às mãos de Cristo (com uma capacidade enorme de enferrujarem da noite para o dia, os quais removi só com muita força e grande pé-de-cabra) e antes de me mudar no início de agosto, ainda arranquei à picareta placa de concreto que ali se acumulara. E ela lá, impassível.

Entrei com as motos pelo caminho que planejei. Mais um sonho estava agora realizado! Brindei à coragem dela, me lembrando de quantas vezes estive lá olhando-a de rabo de olho, quantos tijolos vimos sendo empilhados desde as bases, quantos outros sonhos deixados para depois, horas "perdidas" longe de minha esposa e filhote para visitar a obra, mandar destruir e fazer novamente  uma parede que saíra  em desacordo com os planos e deixar tudo como queríamos, quantas brigas com os trabalhadores, fornecedores, com o construtor para que tudo corresse a contento. Lembrei-me da R1200GS Adventure que me desfiz com dor no coração para adquirir o terreno onde agora estava nossa casa, de bem mais lá atrás quando eu ia há quilômetros de distância estudar de bicicleta só sonhando com uma bonita família e com uma moto (ou uma "frota", porque não?), olhei a "velha" nespereira de guerra emoldurando a lavanderia e então tive certeza de como se realizam os sonhos de vidas e de motos...

Primeiro são sempre só sonhos. Os sonhos e mais nada. Torná-los realizade, depende só de sua força.

(E concluo que também meus sonhos tem a ver com motos...)

Agora outros sonhos já vislumbramos no horizonte. Não é de nosso feitio nos acomodarmos... Temos planos de e com as motos, viagens, empreendedorismo em torno delas. Minha esposa "chutou o balde" e decidiu que vai realizar também seus sonhos. Parte à nova profissão. Dou-lhe a maior força, pois tenho que a vida é só uma e precisamos fazer aquelas coisas com as quais sempre sonhamos. Tudo é possível. Mudamos o rumo, pegamos a estrada de chão em detrimento do asfalto tranquilo, contrariamos o grito dos exaltados que nos cobravam o caminho mais fácil e medíocre, mostramos dentes e punhos aos covardes e descrentes que nos disseram prá não ir por ali, para comprar pronto, prá não construir, prá não andar de moto (pois moto é perigoso!), não ter filhos, não sonhar demais, evitar os perigos e "talhos" da vida, já que atalhos, não há.

"Então, de repente, me lembro que os sonhos devem ser construídos passo-a-passo. Que sonho só sonhado, não leva a nada. Deve ser realizado, sendo importante ter sempre presente que só temos uma vida para fazê-los acontecer. É difícil? Claro que é! Demora? Normalmente um pouco. Tudo depende do tamanho e da força empregada para realizar o sonho." (sic post de fevereiro de 2011)

Tudo depende do tamanho e da força empregada para realizar o sonho.

Tudo depende se o seu sonho vale a pena...

Nunca deixe que alguém lhe diga que você não pode ter, não pode ir, não pode fazer. Não se permita desculpas. Não deixe de ir, de viajar porque todos seus amigos "deram prá trás" naquela viagem programada e há tanto sonhada por você para Ushuaia, Atacama ou para onde você deseje ir de moto. E mesmo se você ainda não tem moto - e nem "onde cair morto" - nunca, jamais deixe de sonhar! E sonhe com força! Sonhe acordado! Persiga seus ideais, lute, aguente o caminho ruim e os talhos que a vida pode lhe dar. Atalhos, não há.

Se todo mais der errado, ao menos no fim você poderá olhar para trás e dizer, com orgulho, que tentou. 

Porém, lhe garanto: nada pode dar errado! Salvo para os covardes, os que desistem. Enquanto você não desistir, não acabou. E se não acabou, ainda não deu errado.

Acredite que se esse ano foi bom para você, o próximo será ainda melhor. Se tiver a fé necessária, assim será.

Para o próximo ano já me comprometi a sonhar ainda mais alto, com trocar de moto, dar andamento definitivo à A&K Motos, viajar mais no lombo da motoca nova à vir, com a esposa e filho me acompanhando num carro novo e branco da A&K Motos que me seguirá (ou que seguirei) ou, com sorte, algumas viagens mais curtas com ela na garupa, conhecer novos lugares, etc. 

Afinal, que tipo de motociclista nós todos somos? Dos que concretizam os sonhos de vidas e de motos!

Até breve!


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Triumph Tiger Explorer versus BMW R1200GS. Com qual moto você vai melhor, afinal?

No post passado, ao fazermos um comparativo técnico entre a Triumph Tiger 800XC e a BMW F800GS, um amigo pediu algumas linhas para decidir entre a Triumph Tiger Explorer ou a BMW R1200GS. 


De plano, já deixei claro a ele que meus "post" tratam apenas da questão comparativa técnica, já que igualmente não andei nessas duas motos. Tive, porém, por "apenas" 3500km uma BMW R1200GS Adventure, que de meu ponto de vista não se compara sequer com sua irmã menor R1200GS "normal". São, mesmo dentro da família, dois mundos completamente distintos. É meio como dois irmãos gêmeos, idênticos, mas onde um fez musculação para crescer e o outro ficou apenas no aeróbico...

Agora...

Quando se fala na nova Explorer comparando-a com a R1200GS, primeiro temos de saber onde estamos pisando. Qual a intenção real? Comparar a Explorer com a  "antiga" R1200GS a ar ou com a NOVA R1200GS Liquid Cooler 2013? Ou estamos comparando a Explorer com a R1200GS Adventure 2012???

O mais "justo" para nós parece ser fazer o comparativo entre a R1200GS que está no mercado e a Explorer... A um porque se fôssemos comparar a inglesa com a top de linha Adventure, temos que a primeira sairia em franco prejuízo (nada bate a suspensão regulável da Adventure ao toque de um botão e aquele tancão de 33 litros, que a tornam uma "comedora de estradas"!!!), e a dois, se comparássemos a R1200GS LC (nova) com a Explorer, estaríamos a fazer comparativos de algo que NÃO está no mercado com outra que já está. Nesse ponto, porém, temos que a briga mais "justa" seria exatamente entre estas duas, mas temos que, com toda tecnologia embarcada na nova R1200GS, mais uma vez a inglesinha poderia ficar à ver navios. Dito tudi isso, ficamos na comparação entre Tiger 1200 XC e R1200GS.

Aos fatos estamos falando de uma alemã com 1170cc's, 110cv's e 229kg (ordem de marcha) contra uma inglesa de 1215cc's, 137cv's e 259kg (ordem de marcha) e aí o bicho já começa a "pegar"...

Pelo que se poderia dizer de saída, verifica-se que a Explorer responde com um motor bem mais agressivo, necessitando, contudo, atingir 9000 rpm's para encontrar sua maior potência, enquanto que a GS já está fazendo isso nas 7750 rpm's. Isso quer dizer, basicamente, que o motor da Tiger estará "berrando" bem mais para atingir seu torque máximo mas que tem bem mais "puxada" que a  BMW? Absolutamente, a resposta é um sonoro NÃO! Muito embora estejamos falando de 27 cavalinhos à mais, estranha-se que a inglesa tenha praticamente o mesmo torque da alemã, com a diferença de que a BMW atinge sua força máxima à rotações muito inferiores do que a Triumph. Culpa do motor tricilíndrico da Tiger, pois, na teoria, quanto maior o número de cilindros em motos, mais rotações teremos de ter. É por conta disso que os sonoros "quatro em linha" exigem rotações tão elevadas e vão muito bem em esportivas. Então, teoricamente falando, desde já se percebe que a inclinação da germânica é muito mais "off" que a tigrada, a qual deve ir melhor no asfalto, de onde parece vir o maior apelo das motocicletas da marca, que não fazem feio em tal ambiente. 

Em termos de consumo, a BMW ressalta que a 90km/h, pode-se atingir surpreendente marca de mais de 23 km/l. Considerando seu tanque de 20 litros, estaríamos falando de uma autonomia de mais de 450km, o que sinceramente, acho muito pouco provável. isso porque o trajeto em qualquer estrada lhe obriga enfrentar ventos, paradas, acelerações, freadas bruscas, mudanças de temperatura, carga, etc., pelo que razoável seria falarmos em uns 20km/l (até porque, convenhamos, não conheci nenhum motociclista de longo percurso que mantivesse seus 90km/h sobre motos de altas prestações!). 

Já a Triumph fala a mesma coisa, se atrevendo algumas publicações a falarem de até 24km/l. Tanque? Idênticos 20 litros... É a eterna briga de qual big trail é a melhor, qual anda mais, etc., etc., etc. Mas... Com 137cv's e um bom motor quase esportivo, acredito ainda mais difícil do que na BMW manterem-se as baixas rotações e velocidades para se fazer média tão boa. A vontade de "enrolar o cabo" sem dúvida é bem mais latente. Ficaria, portanto, também na Triumph considerando os 20km/l. 

Dois discos flutuantes de idêntico tamanho na frente das duas motos, 4 pistões para as mesmas, e na traseira, um disco simples de 2 pistões, e a gente já começa a se perguntar quem copiou quem, ainda mais quando vemos que ambas usam pneu de 110/80 R 19 na dianteira e 150/80 R 17 na traseira. Nada menos original é possível. E como se não bastasse, as suspensões mudam em milímetros apenas, com 190mm de curso na dianteira de ambas contra 194 e 200mm com vantagem da BMW na traseira. Milímetros esses que não fazem praticamente diferença nenhuma. Em tese... Sim. Porque nunca podemos esquecer que nas BMW's 1200 estamos falando do sistema de amortecimento frontal telelever, que pode vir equipado com "ESA", enquanto na Triumph não há essa tecnologia toda. De se admirar por conta da parafernália da alemoa, que a Triumph seja mais pesada. Aliás, esse foi ponto que muito nos supreendeu quando do lançamento da Explorer, pois, sinceramente, esperávamos uma moto um tanto mais leve (nota: a Super Ténéré também perdeu pontos conosco nesse quesito...), uma vez que estamos falando de corrente e não cardã, de suspensão invertida simples e não telelever, de mesma capacidade de tanque, motor que não muda tanto, etc. Estaria toda essa diferença de peso em 1 cilindro a mais da Triumph? De minha parte, tenho que a inglesinha poderia - e deveria - fazer um bom de um regime, antes de mais nada!

Quanto ao conforto, o banco da BMW fica a bons 850mm do solo, recebendo bem pilotos de 170 e poucos centímetros de altura. Da mesma forma anda a Triumph, com seu banco que não assusta pilotos menores, distando este a 840mm do solo.  

Mas...

(e o que "mata" é sempre o mas...)

Se a Tiger Explorer vier ao Brasil - e isso não é nenhuma certeza, embora boa probabilidade - especula-se irá custar em torno de R$ 63.000,00 (sessenta e três mil reais) o que é valor bastante salgado e faz o potencial consumidor pensar muito antes de partir para experimentar a novidade. 



Outro fator preocupante, como sempre, é que a Triumph tem poucos representantes no Brasil, e, muito embora o fabricante avise que vai implementar em torno de 12 pontos de representação até final de 2013, não se pode contar com a galinha antes do ovo. Ou vice-versa. 

Finalmente, salvo por importação direta, não se terá antes de abril do ano que vem a moto aportando por aqui. 

Dito isso, se a questão é comprar já, não resta outra alternativa que não a BMW.  Porém se não há pressa... 

Malditas dúvidas!!! Nada melhores quando as tão doces em torno de motos...



Crédito das fotos: 
Site http://www.motociclismo.es


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* Informamos que os post elaborados são realizados geralmente apenas com base em informações variadas buscadas junto aos fabricantes, impressões "estáticas" das motos comentadas e ainda por matérias de diversas páginas da internet e imprensa especializada, nacional e sobretudo estrangeira, de onde procuramos selecionar os melhores e mais fidedignos dados. Junto a isso, adicionamos experiência de mais de 15 anos de pilotagem e centenas de milhares de quilômetros nos mais diversos tipos de motos, estradas e condições climáticas. É com estas bases e características técnicas de cada moto que procuramos emitir impressões acerca de um e outro modelo. Por tais razões, nossa opinião não é indicativo ou sequer sugestão para aquisição de um ou outro modelo.

O autor do "post" não teve contato direto até a presente data com a moto Triumph Tiger XC, pelo que as impressões quanto a mesma são ainda mais técnicas do que com referência a R1200GS, uma vez que já teve, em contrapartida, oportunidade de pilotar por 3500km uma Adventure.  

Frisamos, por fim, que não temos nenhum vínculo ou obrigação comercial com quaisquer das marcas citadas. Quaisquer críticas podem ser dirigidas diretamente ao e-mail adv_shadow  arroba yahoo pt com pt br .