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terça-feira, 8 de setembro de 2020

A "Mother Road" e as idas e vindas da vida...

Idas e vindas... Chegadas e partidas... Viagens e... Bom! Em tempos de #ficaemcasa sabe-se lá até quando, em que fronteiras ainda estão fechadas e não tem data para reabrirem, volta e meia eu revisito a Route 66, seja em pensamentos, seja em fotos ou em inúmeros vídeos que já fiz por lá. 

É como uma saudade de um parente distante. Alguém que você conhece, sabe que é seu parente, não está sempre com ele e, vá lá, não é a pessoa mais agradável da face da terra, mas de alguma forma você sente uma necessidade inexplicável de estar cedo ou tarde com tal criatura novamente!

O que eu estou dizendo com isso? Que analogia pretendendo criar? Que a Route 66 não é o lugar mais agradável do planeta para se estar? É isso?

Bem... De certa forma sim. Tenho um "mal" que carrego comigo que é meu compromisso com a verdade. Um compromisso primeiro comigo mesmo, não perante os outros. Eu não posso mentir para mim. Pois tenho que primeiramente a gente tem de tratar das nossas verdades. Não adianta querermos "impor" aquilo em que nem a gente acredita piamente. E sim, eu sei - ao menos para mim - que existem outras estradas mais belas que a Route 66, esta última recheada de desertos, quilômetros de nada sobre nada, algumas paisagens que poderiam passar até por monótonas ao viajante desavisado. Construções velhas, pra lá de antigas, algumas abandonadas de verdade, outras reformadas com esmero ou simplesmente como deu. Então... NÃO! Eu não posso dizer que é a estrada mais agradável ou mais bonita do planeta inteiro, mas...

Ela é a MOTHER ROAD! 

É a mãe de todas as estradas... E como a SUA própria mãe, talvez você não a veja como a melhor de todas. Talvez, quem sabe (?), você preferisse outra. Outra estrada ou... Outra mãe! Mas como dizem, mãe só tem uma, ainda que você tenha uma "mãe postiça"; uma "mãe de criação"; uma "mãe madrasta" (e que nome feio... Madrasta! Me lembra aquelas freiras carrancudas...) ou uma mãe que lhe adotou de mentirinha, lhe chamando carinhosamente de filhinha e que você também se engane e a tenha como a mãe que você não teve... Tipo aquele seu amigo, que é como seu irmão, mas... Só que não! Até porque parentes a gente não escolhe. Porém, o que é a vida se não um tanto de imaginação e criação que começa primeiro em nossa própria mente?

Cada vez que eu vou para lá - e nisso já se vão mais de dez vezes pelas minhas contas - eu vejo algo diferente. Uma montanha que da outra vez não vira e que achava nem estava lá, um detalhe diferente no mesmo hotel que ficara da outra vez (e muito sutil, porque as coisas e as pessoas não parecem mudar muito), o ovo com bacon do café da manhã que mudou com certeza (ou não!), estando um pouco mais mole esse porco frito do que o anterior crocante. Mas o café... Ah, o velho café americano! Continua ruim e aguado, como sempre (penso eu em meio a um sorriso que mal eu mesmo noto, de tão sutil)! Um dia quem sabe eu me acostumo com essa "água suja" que chamam de café e tomam como se água mesmo fosse, não raro na temperatura ambiente, e tão ralo que se é capaz de enxergar o fundo da xícara ou dos copos de papel típicos dos "breakfasts" em hotéis...

Em tempo! Não vá achando que o Starbucks lhe salvará, porque não muda muito não! Continua sendo uma água com algum gosto de café que parece ter passado voando por ali... A não ser que você peça um "one shot" (algo como nosso expresso); "doble shot" (duplo) ou quiçá um "double expresso machiatto", para ter a chance de tomar algo parecido com o café que você toma por aqui no Brasil. 

Pode parecer bem louco, mas sabe o que eu faço sempre que vou para lá? Levo meu próprio café, alguns filtros de papel da Melitta ou qualquer coisa similar, e um desses funis de passar café. E quando não o próprio café (prefira os embalados à vácuo, e leve a nota junto, para qualquer dúvida dos fiscais da aduana acharem que são drogas - até porque não deixa de ser para muitos! - e não fique chateado se quiserem abrir e testar seu café)! Água quente tem em qualquer hotel. E você mata a vontade de um bom café pela manhã! 

Mas nosso papo nem era sobre café! Era sobre a Route 66... Ir ou não ir; amar ou odiar. Como a um parente distante. Eis a questão! 

E aí mais uma vez eu lembro que os parentes a gente não escolhe...

Assim como a gente não escolheu a Route 66 como a Mother Road. A mãe de todas as estradas. Mas ela simplesmente é. E ponto final!

Flávio Diehl - 07/09/2020


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Tour Route 66 - a meca do motociclismo

11 entre 10 motociclistas querem, mais cedo ou mais tarde, percorrer a Rota 66. Sem ela, é como se o motociclismo não estivesse completo. Destes, a grande maioria opta por percorrê-la de moto.

Mas o que é a "Route 66"? Ela, afinal, ainda existe? Qual a extensão dela? Qual parte deve ser percorrida? Quanto custa ir para lá? Vale a pena embarcar em um Tour ou é melhor negócio ir sozinho? O que ver na Route 66? Quais são os principais atrativos? É mandatório ir de Harley Davidson ou pode se optar por outras motos? 



Começando pelo fim, se a Route 66 tem de ser percorrida de Harley Davidson, a resposta é não. Claro, Harley Davidson's e a Rota 66 tem tudo a ver. Afinal, foi no filme Easy Rider - dentre outros - que tanto das Harley's quanto a estrada foi imortalizada. Além disso, como grande parte do trajeto da Route 66 hoje são autopistas, é o melhor terreno para esse tipo de moto (customs), que já não se adaptam tão bem nas estradas brasileiras, esburacadas. Então, se você tem vontade de pilotar uma Harley ao menos uma vez n vida para poder falar com propriedade que gosta - ou que não gosta - da moto, essa é uma boa "desculpa".

Logicamente, percorrê-la com outras motos não é má idéia, muito pelo contrário, pelo que atualmente já existem locadoras nos Estados Unidos que disponibilizam além destas, Indian's Chief; Honda's Gold Wings e 1300ST; Triumph's Boneville e Tiger; BMW's R1200Gs e R1200RT; dentre outras (até mesmo trikes), a depender do local onde se retira/aluga a moto. E em se tratando de alugar uma moto, se você não vai em um Tour e sim por conta própria (o que não achamos recomendável, como explicaremos abaixo), procure por uma boa locadora de motos, com um número razoável das mesmas. Caso contrário, você pode alugar a moto e chegando lá não encontrá-la, frustrando sua viagem. Claro, se você procura ficar no "estilo" da Rota 66 e conseguir bons preços para aluguel de motos, a dica é ficar mesmo com as Haley Davidson, que apresentam valores partindo de USD 135.00  (valor inicial de USD 91.00, mas considere acrescentar neste valor os seguros da moto e para terceiros "VIP", despesa obrigatória se você não quiser ter maiores dores de cabeça, lembrando que as indenizações por danos materiais e sobretudo morais/fisicos podem chegar a centenas de milhares de dólares, ao contrário do que ocorre no Brasil) para uma Sportster 883 (a qual não aconselharia para longas distâncias).

Fugindo totalmente da ordem, passemos a extensão da Route 66 e qual parte deve ser percorrida. .


Originalmente, a Rota 66 ia de Chicago (Illinois) à Los Angeles (Canadá), perfazendo um total de 3755km. Mas porque falamos "originalmente"? A Route 66 então não existe mais? 

Existe, mas da original Route 66 pouco resta, sendo que o que se ainda tem dela denomina-se "Historic Route 66", havendo pequenos trechos dela conservados. O restante mudou de nome, e a maior parte da antiga Rota 66 foi engolida por auto-estradas.  Dos 2268 quilômetros restantes, muitos deles hoje estão intransitáveis, e a maior parte da antiga estrada que ainda se pode rodar está à oeste do país. 

Também é nessa região (Califórnia, Arizona e New Mexico), que estão as principais atrações da Route 66 "clássica", como o Bagdá Café (imortalizado pelo filme de mesmo nome); Roy's Café (uma foto ali é necessidade básica!); Devil's Playground; Grand Canyon (se você for a Rota 66 e não visitar o Grand Canyon, então sua viagem não estará completa); Monument Valley e outras. 

Muito da Route 66 está sobre região desértica, como é o caso da área de Death Valley, sem maiores atrativos fora a paisagem ímpar. A propósito, você sabia que foi justamente em Death Valley o local onde foram filmadas muitas cenas de Guerra nas Estrelas? 

As principais perguntas talvez sejam quanto a valores... Afinal, quanto custa percorrer a Rota 66? Ir sozinho, por conta, não é mais barato do que ir em um Tour? 

Valores existem para todos os gostos, mas um Tour com uma boa operadora, de 7 a 9 dias, geralmente gira em torno de USD 6,000.00 a USD 7,000.00 por casal, ou uns USD 4000 para somente o piloto,. montantes que podem ser considerados justos a depender do que está sendo oferecido. Neste nível, deve-se esperar no mínimo incluso no pacote além da locação de motos seguradas, drop off e entradas em parques, também hospedagem em bons hotéis de 3 ou mais estrelas. 

Existem Tour mais em conta? Claro que sim... Mas cuidado! Muitas operadoras a título de "promoções" acabam vendendo roteiros com poucos dias de pilotagem, poucas atrações no caminho e hospedagens baratas do tipo "turística", leia-se, motéis ao lado de postos de combustíveis, com pouca ou nenhuma infraestrutura. Para quem vai só pela diversão no estilo "mochilão", pode até valer, mas os que buscam um pouco mais de conforto devem fugir destes pacotes que à primeira vista podem parecer atraentes.  

E porque não ir sozinho? 

Pode parecer uma alternativa legal, mas em geral não é. Este é o típico barato que sai caro. 

Ao ir sozinho, você terá maiores dificuldades para tudo, desde a locação da moto (é preciso compreender os termos do contrato e o que exatamente você está alugando e pelo que está pagando!), até reservas de hotéis, no trajeto como um todo e ainda estará se arriscando sem necessidade, para economizar meia dúzia de dólares ao final das contas. Considere, ainda, que ao alugar apenas uma moto - e não em grupo, como farão as operadoras - o valor da moto para você vai ser diferenciado: mais caro, obviamente! 



Os descontos que as operadoras conseguem tanto em hotéis como na locação das motos, não lhe serão repassados, pois você está por conta. Como se não bastasse, em caso de pane no meio do nada... Você estará sozinho!!! Se estiver em um Tour, basta trocar de moto ou então embarcar na Van até o próximo ponto, onde a operadora providenciará a substituição de sua moto. Sozinho, nada disso vai acontecer. Dito isso tudo, pese novamente se aqueles dólares que você pensou que estava economizando realmente valerão à pena e o risco.

Enfim, como ir e o que ver da Route 66 depende de você. O que não dá, nessa vida, é deixar de ir ao menos uma vez para a Rota 66, uma estrada ícone.

E você? Já se programou para rodar na mítica Route 66? 

Get your kicks on Route 66!

Até breve!



Crédito das fotos:
Google images



A A&K Motorcycle Rentals levará dois grupos para percorrer a Rota 66 (Route 66) nos Estados Unidos em setembro e outubro deste ano. Programe-se! Para maiores informações, contacte-nos pelo e-mail aek@aekmotos.com , pelo celular (51) 9293-4447, whatsapp, msg ou skype    adv_shadow