segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Triumph Tiger Explorer versus BMW R1200GS. Com qual moto você vai melhor, afinal?

No post passado, ao fazermos um comparativo técnico entre a Triumph Tiger 800XC e a BMW F800GS, um amigo pediu algumas linhas para decidir entre a Triumph Tiger Explorer ou a BMW R1200GS. 


De plano, já deixei claro a ele que meus "post" tratam apenas da questão comparativa técnica, já que igualmente não andei nessas duas motos. Tive, porém, por "apenas" 3500km uma BMW R1200GS Adventure, que de meu ponto de vista não se compara sequer com sua irmã menor R1200GS "normal". São, mesmo dentro da família, dois mundos completamente distintos. É meio como dois irmãos gêmeos, idênticos, mas onde um fez musculação para crescer e o outro ficou apenas no aeróbico...

Agora...

Quando se fala na nova Explorer comparando-a com a R1200GS, primeiro temos de saber onde estamos pisando. Qual a intenção real? Comparar a Explorer com a  "antiga" R1200GS a ar ou com a NOVA R1200GS Liquid Cooler 2013? Ou estamos comparando a Explorer com a R1200GS Adventure 2012???

O mais "justo" para nós parece ser fazer o comparativo entre a R1200GS que está no mercado e a Explorer... A um porque se fôssemos comparar a inglesa com a top de linha Adventure, temos que a primeira sairia em franco prejuízo (nada bate a suspensão regulável da Adventure ao toque de um botão e aquele tancão de 33 litros, que a tornam uma "comedora de estradas"!!!), e a dois, se comparássemos a R1200GS LC (nova) com a Explorer, estaríamos a fazer comparativos de algo que NÃO está no mercado com outra que já está. Nesse ponto, porém, temos que a briga mais "justa" seria exatamente entre estas duas, mas temos que, com toda tecnologia embarcada na nova R1200GS, mais uma vez a inglesinha poderia ficar à ver navios. Dito tudi isso, ficamos na comparação entre Tiger 1200 XC e R1200GS.

Aos fatos estamos falando de uma alemã com 1170cc's, 110cv's e 229kg (ordem de marcha) contra uma inglesa de 1215cc's, 137cv's e 259kg (ordem de marcha) e aí o bicho já começa a "pegar"...

Pelo que se poderia dizer de saída, verifica-se que a Explorer responde com um motor bem mais agressivo, necessitando, contudo, atingir 9000 rpm's para encontrar sua maior potência, enquanto que a GS já está fazendo isso nas 7750 rpm's. Isso quer dizer, basicamente, que o motor da Tiger estará "berrando" bem mais para atingir seu torque máximo mas que tem bem mais "puxada" que a  BMW? Absolutamente, a resposta é um sonoro NÃO! Muito embora estejamos falando de 27 cavalinhos à mais, estranha-se que a inglesa tenha praticamente o mesmo torque da alemã, com a diferença de que a BMW atinge sua força máxima à rotações muito inferiores do que a Triumph. Culpa do motor tricilíndrico da Tiger, pois, na teoria, quanto maior o número de cilindros em motos, mais rotações teremos de ter. É por conta disso que os sonoros "quatro em linha" exigem rotações tão elevadas e vão muito bem em esportivas. Então, teoricamente falando, desde já se percebe que a inclinação da germânica é muito mais "off" que a tigrada, a qual deve ir melhor no asfalto, de onde parece vir o maior apelo das motocicletas da marca, que não fazem feio em tal ambiente. 

Em termos de consumo, a BMW ressalta que a 90km/h, pode-se atingir surpreendente marca de mais de 23 km/l. Considerando seu tanque de 20 litros, estaríamos falando de uma autonomia de mais de 450km, o que sinceramente, acho muito pouco provável. isso porque o trajeto em qualquer estrada lhe obriga enfrentar ventos, paradas, acelerações, freadas bruscas, mudanças de temperatura, carga, etc., pelo que razoável seria falarmos em uns 20km/l (até porque, convenhamos, não conheci nenhum motociclista de longo percurso que mantivesse seus 90km/h sobre motos de altas prestações!). 

Já a Triumph fala a mesma coisa, se atrevendo algumas publicações a falarem de até 24km/l. Tanque? Idênticos 20 litros... É a eterna briga de qual big trail é a melhor, qual anda mais, etc., etc., etc. Mas... Com 137cv's e um bom motor quase esportivo, acredito ainda mais difícil do que na BMW manterem-se as baixas rotações e velocidades para se fazer média tão boa. A vontade de "enrolar o cabo" sem dúvida é bem mais latente. Ficaria, portanto, também na Triumph considerando os 20km/l. 

Dois discos flutuantes de idêntico tamanho na frente das duas motos, 4 pistões para as mesmas, e na traseira, um disco simples de 2 pistões, e a gente já começa a se perguntar quem copiou quem, ainda mais quando vemos que ambas usam pneu de 110/80 R 19 na dianteira e 150/80 R 17 na traseira. Nada menos original é possível. E como se não bastasse, as suspensões mudam em milímetros apenas, com 190mm de curso na dianteira de ambas contra 194 e 200mm com vantagem da BMW na traseira. Milímetros esses que não fazem praticamente diferença nenhuma. Em tese... Sim. Porque nunca podemos esquecer que nas BMW's 1200 estamos falando do sistema de amortecimento frontal telelever, que pode vir equipado com "ESA", enquanto na Triumph não há essa tecnologia toda. De se admirar por conta da parafernália da alemoa, que a Triumph seja mais pesada. Aliás, esse foi ponto que muito nos supreendeu quando do lançamento da Explorer, pois, sinceramente, esperávamos uma moto um tanto mais leve (nota: a Super Ténéré também perdeu pontos conosco nesse quesito...), uma vez que estamos falando de corrente e não cardã, de suspensão invertida simples e não telelever, de mesma capacidade de tanque, motor que não muda tanto, etc. Estaria toda essa diferença de peso em 1 cilindro a mais da Triumph? De minha parte, tenho que a inglesinha poderia - e deveria - fazer um bom de um regime, antes de mais nada!

Quanto ao conforto, o banco da BMW fica a bons 850mm do solo, recebendo bem pilotos de 170 e poucos centímetros de altura. Da mesma forma anda a Triumph, com seu banco que não assusta pilotos menores, distando este a 840mm do solo.  

Mas...

(e o que "mata" é sempre o mas...)

Se a Tiger Explorer vier ao Brasil - e isso não é nenhuma certeza, embora boa probabilidade - especula-se irá custar em torno de R$ 63.000,00 (sessenta e três mil reais) o que é valor bastante salgado e faz o potencial consumidor pensar muito antes de partir para experimentar a novidade. 



Outro fator preocupante, como sempre, é que a Triumph tem poucos representantes no Brasil, e, muito embora o fabricante avise que vai implementar em torno de 12 pontos de representação até final de 2013, não se pode contar com a galinha antes do ovo. Ou vice-versa. 

Finalmente, salvo por importação direta, não se terá antes de abril do ano que vem a moto aportando por aqui. 

Dito isso, se a questão é comprar já, não resta outra alternativa que não a BMW.  Porém se não há pressa... 

Malditas dúvidas!!! Nada melhores quando as tão doces em torno de motos...



Crédito das fotos: 
Site http://www.motociclismo.es


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Consulte sobre locações e pacotes:  aek@aekmotos.com
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* Informamos que os post elaborados são realizados geralmente apenas com base em informações variadas buscadas junto aos fabricantes, impressões "estáticas" das motos comentadas e ainda por matérias de diversas páginas da internet e imprensa especializada, nacional e sobretudo estrangeira, de onde procuramos selecionar os melhores e mais fidedignos dados. Junto a isso, adicionamos experiência de mais de 15 anos de pilotagem e centenas de milhares de quilômetros nos mais diversos tipos de motos, estradas e condições climáticas. É com estas bases e características técnicas de cada moto que procuramos emitir impressões acerca de um e outro modelo. Por tais razões, nossa opinião não é indicativo ou sequer sugestão para aquisição de um ou outro modelo.

O autor do "post" não teve contato direto até a presente data com a moto Triumph Tiger XC, pelo que as impressões quanto a mesma são ainda mais técnicas do que com referência a R1200GS, uma vez que já teve, em contrapartida, oportunidade de pilotar por 3500km uma Adventure.  

Frisamos, por fim, que não temos nenhum vínculo ou obrigação comercial com quaisquer das marcas citadas. Quaisquer críticas podem ser dirigidas diretamente ao e-mail adv_shadow  arroba yahoo pt com pt br . 



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

BMW F800GS ou Triumph Tiger 800XC? Qual dessas é a sua próxima moto?

Todos sabem de minha admiração que já vem de longa data pelas motos BMW. Sempre achei difícil encontrar substitutas à altura de tais máquinas, seja por conta da tecnologia embarcada em tais motos, seja pelo design ou teorica confiabilidade mecânica. Costumo comentar que enquanto as outras estavam indo com a farinha, a BMW já vinha de volta comendo o bolo...

É só dar uma olhada em termos de ABS, cardã, controle de tração, etc., que meu leitor vai compreender o que estou querendo dizer. Isso sem falar no design. Parece que todas querem imitar a BMW e ficar o mais parecidas possível com a mesmas, sobretudo em se tratando do segmento big trail. "Mutatis mutandis" é tipo o que acontece no mundo custom, onde todas querem se parecer com a Harley.

Assim, para mim a BMW até hoje tinha reinado absoluto sobretudo no setor das big trails. Até hoje...



O que mais me "emociona" no mundo, seja das motos ou das pessoas, são aquelas "inconformadas". Claro, não as choramingas... Gosto daquelas justamente que não ficam choramingando dizendo que estão perdendo mercado, que o mundo não é justo, patati, patatá, e que diante das adversidades "tiram a bunda da cadeira" e fazem algo para mudar. A Triumph prá mim mostrou esse seu lado guerreiro.

Enquanto a Suzuki deixa a DL-VStrom cair no esquecimento (somando-se as inúmeras críticas dos clientes quanto a precariedade de atendimento da rede de concessionárias no Brasil, quem nem o modelo 2012 com ABS se dignou a trazer), a Honda que parece querer  nos entupir motos do início do século XIX como último grito, a Kawasaki  que tenta calçar suas luvas de boxe com a Versis (o que ouso teimar não se enquadrar na linhagem das big trails sob protestos ruidosos de muitos admiradores), e a Yamaha... Bem, a Yamaha que em se tratando de trails médias apenas se resigna a enfiar uma carenagem "grilística" que juram linda na antiga XT 600 e tenta a todo custo convencer os consumidores de  que fez misérias tecnológicas (sequer um réles ABS a Ténéré 660 ganhou)... ...a Triumph simplesmente entra no ringue e se prepara para bater. E bater forte!!! Não é uma luta de "barbies", mas de profissionais.

Em um canto, pesando185kg, 85cv's e suspensões de 230 e 215mm de curso: BMW F800GS!!!
No canto oposto, pesando 201kg, 95cv's e suspensões de 220 e 215mm de curso: Triumph Tiger 800XC!!!

Já daí começa o leitor mais atento a se questionar: mas porquê 16 quilos a mais? Nossa! 10 cavalos fazem bastante diferença. Sempre é bom ter mais cavalinhos... E o curso das suspensões então? Quanto maior, melhor. Não é assim?

Ponto para uma de um lado, para outra de outro.

Aí nos adentramos mais nas fichas técnicas de ambas motos, e vemos que enquanto a Triumph atinge seu torque máximo há 7850 rpm's, a  BMW já o está fazendo em 5750 rpm's. Uma diferença bastante significante, culpa do motor muito mais esportivo da Triumph, que privilegia as altas rotações e, bradam alguns, afasta a moto um tanto do "off road". E aí, nota-se ainda que embora com maior cavalagem, o torque da inglesa é quase 20% menor que da alemã. Com tudo isso, não faltam os que defendam que se sua praia é off, a BMW é a sua melhor opção enquanto outros que se vai andar mais no on, não precisa pensar duas vezes para embarcar numa Triumph. Os três cilindros da Triumph contra os dois da BMW, querem fazer confirmar a tese.

Por outro lado, a Triumph ainda apresenta uma altura de banco quase 30mm menor que a BMW, o que chamará atenção dos motociclistas que não tem lá descendência germânica e nem seus 1,80m de altura, estes se adaptando melhor à bávara. Claro que o curso menor dos amortecedores da Triumph também influencia nesse ponto e, de negativo, deixa  o cárter da última mais próximo do solo, o que nunca é boa coisa.

Assim como não é coisa boa uma moto com tanque pequeno e, aí a BMW ganha nota mais baixa. Apenas 16 litros no tanque sob o banco tem sido alvo de infindáveis críticas. 19 da Triumph já é um pouquinho melhor e, levando-se em consideração que os motores de altas rotações costumam ser um pouco mais econômicos do que torcudos de baixa, é a Triumph que promete uma autonomia ligeiramente menor. Não impressionaria algo na casa dos 400 e poucos quilômetros mantendo a mão leve...


Sistema de freios praticamente idênticos em ambas, com dois discos à frente e um na traseira. Praticamente o mesmo tamanho e componentes, com dois pistões por disco à frente e um atrás. A diferença fundamental parece estar no ABS. Lá fora é item opcional. Porém, pelo site brasileiro da Triumph, parece ser item de série. Uma preocupação - e dinheiro - a menos. Ou a mais, dependendo do ponto de vista.

No mais, são motos muito parecidas... Tanto que não fique surpreso se um frentista ou motoboy muito desavisado e metido a entendido lhe perguntar se a inglesa é uma BMW e a alemã uma Triumph e/ou vice-versa. Rodas e pneus de tamanhos idênticos, ambas contando rodas raiadas, injeção eletrônica, um painel que presta todas infomações necessárias, transmissão por corrente, boa capacidade de carga, etc., etc., etc. Confiáveis, confortáveis para o que se propõem e capazes de proporcionar bastante diversão a seus pilotos. A Triumph vence de um lado, a BMW de outro. Tudo depende do que está sendo analisado.


E por falar em dinheiro, que é uma das coisas que muito nos interessa, a Tiger 800XC vem anunciada a exatos R$ 39.900,00 enquanto que a F800GS estacionou na casa dos R$ 42.900,00. Isso o modelo "antigo" da BMW, lógico, pois ao que tudo indica, a nova 2013 vem com mais tecnologia (fundamentalmente ESA na traseira e também controle de tração), o que pode colocar alguns querequequés a mais no valor final da mesma.


Agora resta ao consumidor escolher o que é o melhor para si...

Quanto a mim, confesso que estou em uma terrível dúvida. Terrível e doce dúvida...


Crédito das fotos: 
1 - site http://rootsbd.com
2 - google images 
3 - site forum.motociclismo.pt
4 - site www.bikescatalog.com
5 - site www.motorcycle.com 

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* Informamos que os post elaborados são realizados geralmente apenas com base em informações variadas buscadas junto aos fabricantes, impressões "estáticas" das motos comentadas e ainda por matérias de diversas páginas da internet e imprensa especializada, nacional e sobretudo estrangeira, de onde procuramos selecionar os melhores e mais fidedignos dados. Junto a isso, adicionamos experiência de mais de 10 anos de pilotagem e centenas de milhares de quilômetros nos mais diversos tipos de motos, estradas e condições climáticas. É com estas bases e características técnicas de cada moto que procuramos emitir impressões acerca de um e outro modelo. Por tais razões, nossa opinião não é indicativo ou sequer sugestão para aquisição de um ou outro modelo.

Temos recebido críticas de alguns de nossos leitores, alegando que os relatos e impressões não são fidedignos, uma vez que não fizemos os "test drivers" nas motos. Reconhecemos isto como uma lacuna, a qual se dá por conta que mesmo tendo por várias vezes solicitado oportunidade de "test drive" perante concessionárias e representantes das marcas, os mesmos sempre são negados ou na maioria das vezes simplesmente não nos é dado retorno. Temos isso como reflexo do mercado de consumo e perfil dos consumidores brasileiros, que geralmente compram motocicletas sem ao menos ter a oportunidade de experimentar as mesmas.  

Frisamos, por fim, que não temos nenhum vínculo ou obrigação comercial com quaisquer das marcas citadas. Quaisquer críticas podem ser dirigidas diretamente ao e-mail adv_shadow  arroba yahoo pt com pt br . 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Apresentando a nova R1200GS LC (liquid cooler)

A maior prova de que o que é bom pode melhorar se chama R1200GS. A marca? BMW, logicamente!

Enquanto outras sedizentes "big trail" encaram cada vez mais o conceito big e menos o trail, esquecendo-se que a categoria deveria servir para o fora de estrada e não só para o asfalto liso - como parece ser a intenção das atuais big trails (vide KTM, Triumph, Honda, etc.) - a BMW não inventa, e mexe pouco no time que está ganhando.  

 
AS GS são motos consideradas das mais bem adaptadas ao off road, sempre competindo com as KTM. A diferença entre as duas sempre residiu no fato de que a KTM, por mais arisca, se dava melhor na terra, enquanto que a BMW, com sua "pequena" roda frontal e CG baixo, ia melhor ou no off muito leve, ou no asfalto mesmo. Claro, estamos falando de motos para pilotos "normais", não para aqueles que fazem verdadeiras "estripulias" sobre motos pesadas como se fossem brinquedos de criança.
São 30 anos de conceito GS (G de "Gelände" = "terreno" e "Strasse" = estrada. Algo como terreno e estrada, ou "on e off road" numa tradução liberal). Claro, não podemos esquecer que BMW's, assim como HD's, KTM's e outras, tem sua legião de fãs e de inimigos. Há quem torça o nariz para o motor 'boxer", enquanto outros dão-lhe salvas de palmas. A grande verdade é que, apesar de toda tecnologia embarcada - o que pode ser um problema em lugares remotos - em geral o motor boxer é bastante confiável e redondo, não pregando maiores "sustos" ao piloto. Fato: a GS é conhecida por ser utilizada nas chamadas "viagens enduro", onde o tipo de terreno não é problema. 

(em tempo... Vide nosso post anterior sobre as Harley's... Agora imagine-se encarando uma estrada de rípio em uma Ultra Glide. É o quadro da tortura! Já de GS...)

E por falar em "torcer o nariz", invariavelmente existem aqueles que se perguntam porquê a BMW está "abandonando" o motor refrigerado à ar e partindo para a refrigeração líquida. Sem entrar em pormenores poderia dizer simplesmente: normas de emissão de gases, tecnologia, potência, etc. Enfim, um caminho sem volta.

E a BMW sabe o que quer. Fato é que as novas BMW's R 1200GS's, refrigeradas à líguido, foram lançadas com a finalidade precípua de: 

• aumentar o desempenho geral (maior potência do motor, maior tecnologia de controle de tração, suspensão e freios);
• aperfeiçoar e aumentar a sua adequação off-road (menos carenagem, suspensões melhor preparadas);• atingir números superiores dentro do segmento de enduro de viagem e em termos de motor e desempenho de condução (idem maior potência do motor, melhor ciclística, conforto);• assegurar a preparação para o futuro em termos de ruído e emissões de escape (motivo principal da adoção da refrigeração líquida, utilizando-se conceitos e princípios da Fórmula 1);• suspensão totalmente regulável eletrônicamente, assim como tração, para maior desempenho fora de estrada (ESA, ESC, ABS, etc);• aumentar a segurança ativa e passiva (idem controle de tração, suspensão, etc.);• manter o inconfundível conceito GS, com qualidade e acabamento superior.

No que tange especificamente a refrigeração, líquida do motor, interessante notar que não é "todo" motor que é arrefecido à líquido (na verdade uma "mistura" de água e um tipo especial de álcool, o "glicol"), como acontece nos carros e maioria das motos com tal conceito, mas somente as partes - sobretudo internas - submetidas a maior calor. De resto, como por exemplo os pistões, o motor continua a utilizar o ar, pelo que se mantém a "cara" do motor boxer. Um observador mais desatento, que visse apenas o novo motor, não notaria diferença para o antigo. Como saber que trata-se de motor novo? A resposta está nos pequenos e discretos radiadores, capazes de deixar o motor "numa boa", de cabeça fria (e as partes baixas do piloto também agradecem!). 
 
Tudo isso acaba elevando a potência para ótimos 125cv's,
o suficiente - ou diria até o ideal - para uma moto deste porte. Se antes alguns achavam a R1200GS "fraca" em algumas retomadas, agora não há mais desculpas! Suporta o conjunto uma embreagem agora "molhada", com sistema "anti-hopping" (algo como "anti-tranco", enfim, uma tecnologia apta a evitar aqueles indesejáveis trancos que às vezes se observavam em trocas mais radicais de marcha), e o bom e velho cardã, agora no lado esquerdo. Com isso, a BMW anuncia o peso de 238kg em ordem de marcha, 10kg a mais do que a versão anterior portanto. Dieta de engorda por conta da refrigeração líquida (sim! O motor precisa mais "espaço" para as "veias" de refrigeração, radiadores não tem peso inexistente, mais tecnologica significa mais equipamentos e por consequência mais peso, etc.)
E por falar em mais tecnologia e dependência da mesma (o que pode colocar o piloto em grandes enrascadas, diriam os que sempre vêem o copo meio vazio em vez de meio cheio)...

Tipo, sabe o cabo do acelerador? Pois é. Não existe mais!


Hein? 


É isso mesmo. Agora um atuador do acelerador eletronicamente motorizado é utilizado pela primeira vez numa moto GS. Assim, os comandos do piloto são transmitidos diretamente pelo sensor da manopla do  acelerador para o sistema de controle de aceleração do motor, que regula eletronicamente a válvula de estrangulamento (ou de injeção eletrônica) deste. E para deixar os "geeks" loucos, agora o piloto pode adaptar a característica do motor à situação da estrada. São nada menos que CINCO modos de pilotagem (só em termos de motor), a saber: chuva, estrada, dinâmico (ou esportivo), enduro e enduro profissional. Sem falar no SEXTO modo, que é o opcional de controle eletrônico da velocidade de cruzeiro. Esqueça, portanto, as perigosas e abomináveis (já falei "mal" sobre elas!) "travas" de acelerador. modos (extra opcional). Também foi possível incluir uma função de controlo electrónico de cruzeiro (extra opcional).


Integrado aos "modos" do motor estão o ASC ("automatic stability control", ou controle automático de estabilidade), o ESA ("eletronic suspension adjust", ou ajuste eletrônico de suspensão) e o ABS ("anti-brake system", ou sistema de anti-travamento). Toda parafernália é controlada pelo chamado sistema "E-gás", o "cérebro" de todo conjunto, logicamente transmitindo a informação pelo "can-lin", que agora substitui o "can-bus" (digamos que o can-lin é a evolução do can-bus).

As rodas mantém o raio de 19 polegadas à frente e 17 atrás, com larguras de 120 e 170mm respectivamente, e a nova estrutura do chassis suporta melhor as forças de trorção, deixando o conjunto mais rígido e a estabilidade mais precisa. Segura a máquina confiáveis conjuntos de freios Brembo.


Faróis de LED integrado anunciam a luz da nova tecnologia, com inédita luz de circulação diurna, o que torna a moto mais visível mesmo sob o sol. Para a noite, as lâmpadas de led otimizaram o farol. Além disso, você sabe: led's são infinitamente mais duráveis do que uma lâmpada "comum". 
Esqueça, portanto, as lâmpadas queimadas.


Pára-brisas melhorado para reduzir o ruído e proteger ainda mais do vento, podendo agora ser ajustado durante a condução. Uma "rodinha" na lateral permite o ajuste da inclinação do pára-brisas (e profetizo que não vai demorar para este ser também ajustado eletrônicamente, dependendo da velocidade! Quem viver, verá! Aguardem e confiem...). Também o assento do piloto, que antes podia ser ajustado apenas na altura, agora pode também ser ajustado em seu ângulo de inclinação, enquanto que o do passageiro pode ser ajustado para frente e para trás, mantendo o passageiro mais próximo ou mais afastado do piloto. Ainda o guidão é facilmente ajustável, para dar mais espaço aos joelhos ou simplesmente facilitar a condução em pé (para o off road). Complementando, agora até o apoio dos pés pode ser ajustado! 
Enfim, tudo para que o piloto possa "vestir" a moto.

Há pouco - ou quase nada - para reclamar. Ao que tudo indica, a BMW não fez "ouvidos de mercador", como acontece com as demais marcas, aos apelos de seus consumidores, procurando atender todas suas exigências, por mais "personalizadas" que pudessem parecer.

Deixo meu leitor com a visão geral das novidades da imbatível nova BMW R1200GS, esperando que consiga dormir depois disso tudo sem sonhar com a máquina!




Eu, de minha parte, já vou sonhando acordado mesmo.
 
Até a próxima!!!




 

Destaques:- novo motor, com capacidade de 1.170 cc, potência nominal 92 kW (125 cv) a 7.700 rpm e binário máximo de 125 Nm à 6500 rpm;
- cabeças de cilindro com fluxo vertical para aumentar a eficiência e desempenho;- refrigeração ar / "água", otimizando a troca de calor do motor;
- motor básico, leve, compacto e com rigidez otimizada no virabrequim, separado verticalmente para facilidade de manutenção;
-
caixa de 6 marchas integrada no compartimento do motor, incluindo embreagem úmida com anti-hopping;
-
novo sistema de admissão com 52 milímetros de diâmetro da válvula do acelerador;

- sistema E-gás para condução otimizada, com suavidade e multifunções/multimodos;
- s
istema de escape inovador com exaustão controlada eletronicamente para ótimo desempenho e excepcional "som boxer";

- modos de condução "Rain", "Estrada", "Dynamic", "Enduro" e "Enduro Pro" com três diferentes configurações de aceleração eletromotriz atuador em conjunto com ASC, ABS e ESA;
- n
ova suspensão com rigidez à torção, bem como estrutura tubular de aço da ponte e "bolt-on" na estrutura traseira;

- sistema de cardã otimizado, agora no lado esquerdo;
- novo sistema otimizado de Telelever na dianteira e Paralever na traseira, chamado de sistema EVO, proporcionando maior conforto na condução;
-
chassis de geometria melhorada, com braço oscilante longo para uma excelente tração;
- largura e posição do assento melhorado, bem como
guidão ajustável para maior conforto;
-
altura do banco otimizada para o piloto (menor), permitindo a condução segura por pilotos menores;
-
pneus / rodas com dimensões de 120/70 R19 na frente e 170/60 R17 na traseira, adaptadas especialmente para a R 1200 GS;
- sistema de freios
Brembo montadas radialmente, com pinças de freio monobloco à frente e dois pistões de pinça flutuante na traseira de disco alargado (atuais 276 milímetros contra 265 milímetros anteriormente).
- ABS de série;

suspensão dinâmica ESA (opcional);
-
farol principal com eficiência otimizada de luz e luz LED de circulação diurna (opcional);
controle de cruzeiro Eletrônico (opcional);
-
preparação para a unidade de navegação com Multi-controlador para operar oBMW Motorrad Navigator IV (opcional);
-
pára-brisa regulável com apenas uma mão, com maior proteção contra intempéries;
-
assento com funções de ajuste múltiplo, para uma ergonomia perfeita;

aumento da distância ao solo (+ 8 mm);
-
novo painel de instrumentos com computador de bordo de série. Computador de bordo-PRO (opcional);
-
pintura principal nas seguintes opções: alpine white, vermelho, azul fogo e trovão cinza metálico;- vasta gama de acessórios e equipamentos especiai.



* fonte: https://www.press.bmwgroup.com/pressclub/p/pcgl/pressDetail.html?title=the-new-bmw-r-1200-gs&outputChannelId=6&id=T0132324EN&left_menu_item=node__2261

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Harley Davidson - Crise dos 40 ou loucura?

De forma geral, todos já sabem o que nunca consegui esconder de ninguém: não sou lá muito fã das Harley Davidson's...

Isso porque fundamentalmente tenho que moto é sim um veículo perigoso, como já diziam as nossas mães. Está bem que tem toda uma teoria e técnica envolvida, condução ativa, pilotagem defensiva e coisital, mas há momentos em que só bons freios e um motor potente - além de um ótimo reflexo - pode lhe salvar. Quem já passou por uma situação de aperto sobre a moto (e poucos devem ser meus leitores que chegaram até aqui incólumes), sabe bem do que estou falando. 

Acontece que, todo mundo sabe, não é novidade e não vai mudar, as Harley Davidson's de forma geral são motos pesadas. As que "prestam", ultrapassam facilmente os 300kg, e seus freios, ainda que atualmente dotados de ABS, não são lá um primor capaz de pará-las em meia dúzia de metros, ao contrário do que ocorre com outras motos mais leves. 

Logicamente, não há que se comparar uma moto custom com uma Big Trail, Sport Touring ou Naked, pois são mundos totalmente apartados...

Complicando ainda mais meu caso, tenho sérios "traumas financeiros", mentais, morais, processuais, picaretais, etc., com relação ao "ex" Grupo Izzo, que até há bem pouco tempo atrás carregava a marca. Desvincular uma coisa da outra, é algo bem difícil, por mais que tenha evoluído neste meio tempo - ou ao menos procurado evoluir, vá saber se com sucesso ou pelo contrário... - minha mente. De alguma forma meu cérebro ainda liga Harley à Izzo e Izzo prá mim está diretamente relacionado a... a... digo... Bom! Vamos deixar prá lá que  já tinha dito que não falaria mais sobre os entes falecidos.

Peso = inércia. 

Das aulas de física, se recorda que todo corpo em movimento tende a permanecer em movimento... E aí fico imaginando como é parar quase 400kg com um disquinho mixuruca na frente e outro atrás. 

Penso ainda, com desespero, como é um amortecedor "comum", de curto curso, absorver o impacto das nossas estradas com seus controladores "naturais" de velocidade (buracos ou melhor seria dizer crateras), e volto aos idos de 2003 quando eu pilotava uma Shadow VTX 600... Óh, martírio! Óh, tortura!!! Naquele ano desisti do mundo custom, por conta de curvas raspando pedaleira no chão, dor "nas partes baixas" ao passar por lombadas, crateras e tomar um "soco" vindo do inferno (depois dizem que o que vem de baixo não atinge!!! Vai andar de custom no meio da buraqueira e depois vem me dizer isso de novo!), impossibilidade de encarar qualquer terrinha, etc. Coloco nisso a "neura" de alguns que conheci no "setor custom", que não admitiam falar de outros tipos de moto, como só existisse custom e mais nada na vida. Sei lá... Não curto muito gente de "cabeça fechada". 

Mas como tenho visto ultimamente, o povo clama, o povo pede... Harley!!! Se falo que vou adquirir moto a primeira pergunta invariavelmente é: vai ter Harley???

Poxa! Quantas vezes vou ter que dizer que gosto mesmo é de BMW, de Big Trail!!!???

E olha que eu não ando com esse "povo" que usa calça de couro não!!! Tampouco com a gangue dos cromadinhos e flanelinha!

Dizem porém que "água mole em pedra dura tanto bate até que..."

... desgraça tudo.

Fui lá ver o raio das Harley's. 

E não é que elas estão cada vez mais bonitas? E não é que melhoraram (pouco, mas melhoraram!) os amortecedores? E não é que enfiaram ABS nos freios? E não é que...

Deve ser a crise dos 40. Tô chegando lá. Falta pouco mais de ano agora.

Daí que faz tempo que não enfio 200km/h numa moto e, sinceramente, já não tenho vontade nenhuma de fazer isso. 

Deve ser porque hoje tenho família (a mais linda que um homem poderia desejar! Amo demais vocês, Kyt e Kyd!!!). Deve ser a idade, deve ser porque tenho andado pouco de moto, deve ser...

Deve ser loucura. 

Afinal, é isso o que uma Harley é. Simples e maldita loucura. 

Alguém me interna?
  

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

ATENÇÃO! O GRUPO IZZO FALIU!

A notícia é bombástica. Procede ou não... Tudo indica que sim. Alguns ainda sustentam que não...

O fato é que faliu mesmo ou ainda vai falir... Se já não foi, está muito perto. Ou já era, e só não fecharam a tampa do caixão. Todo doente que não se cura, um dia morre. Por completo ou parcialmente. às vezes vai só a "carcaça", e a "alma" se mantém, quando vale alguma coisa. Volta invariavelmente melhor, pela evolução natural que se espera. Outras vezes vai é tudo mesmo, não sobrando nada, sequer lembrança. Se voltar, volta rengo, menor, pior...


Quantas empresas - e empresários - não são assim? Você acha que eles já eram, e depois retornam com toda carga, como se nada tivesse acontecido. Donald Trumph, Warrent Buffet, Sr. Kasinski e vários outros estão aí para não me deixarem mentir sozinho.

"Antes tarde do que nunca! Merecido!", gritariam alguns - ou muitos! - sentindo-se finalmente vingados por tantos anos de descaso e atendimento pós venda que pulula na internet e fóruns de discussões nunca terem sido à altura do que seria esperado de outrora representantes de grandes marcas como Harley Davidson, Triumph, Ducati, KTM. Os revoltados soltam fogos e aplaudem ruidosamente, como se fosse final de campeonato e seu time tivesse vencido, como se isso apaziguasse suas amarguras que sustentam na rede internética  são oriundas do descaso nas demoras infindáveis em emplacamentos de motos, em consertos ou manutenções periódicas das mesmas, faltas injustificáveis de peças e outras inúmeras causas que tanto desgosto trouxeram a muitos clientes (vide por exemplo http://www.reclameaqui.com.br/3183516/grupo-izzo-imocx/evite-o-grupo-izzo-pois-eles-vendem-motos-e-nao-entregam/. e http://www.reclameaqui.com.br/3154149/grupo-izzo-imocx/5-meses-de-atraso-no-emplacamento-ducati-multistrada-1200-st/ entre outras)

Também pensava assim até ontem: "Bem feito!". A partir de hoje não penso mais. Pelo contrário, me envergonho por um dia assim ter refletido. Se mudei minha forma de pensar porque lapidei minha alma e meus sentimentos, se cresci enquanto ser humano, já é outra história...

A única coisa que acho agora sobre a situação do grupo é que é uma pena... Uma verdadeira e grande pena. Ou uma triste vergonha.

"São apenas negócios...", uma voz lá no fundo da arquibancada sustenta tímida.

O cenária é de desolação. Chegou "à minha porta", pelo lugar que passei por anos à fio a caminho do trabalho, dia após dia, mais de dez até onde recordo, mais de três mil vezes com certeza, primeiro vendo reluzentes motocicletas Harley Davidson - com as quais sonhava quando gostava de customs -, depois Buell's (tenho uma!) e Triumph's (sempre quis!), na sequência Ducatis (a Ferrari das motos!), após KTM's (a irmã louca e nervosa das BMW's) e finalmente... Nada!

É o que há hoje na outrora loja modelo, onde se podia caminhar pelo meio de verdadeiros sonhos de consumo, mitos, ícones. Um lugar onde, de início, você se sentia bem, acolhido pelos vendedores ávidos a lhe "empurrar" o que você já estava pronto para comprar de qualquer forma e pagar à vista, se não fosse tanto dinheiro, em espécie mesmo! Era convidado a um café, a sentar na confortável poltrona de frente para um poster com um relíquia reluzente de Harley, travava uma conversa sobre os melhores temas do mundo: motos e viagens de moto. Muitas dicas, comentários, sonhos, girando em torno das nossas adoradas motocicletas. Hoje só restaram lembranças e além disso NADA. Hoje só se vê devastação, ruína e uma grande sensação de solidão, um  imenso sentimento de tristeza. Tristeza essa que não é nossa, não caberia a nós sentí-la. Mas, por algum motivo quase inexplicável, a gente sente.

Olha-se para um dos cantos e se visualiza um vidro quebrado, estilhaçado, quiçá por um descuido com uma moto, ou - começo eu a deixar a imaginação viajar - pela ira de algum consumidor revoltado, que tenha perdido sua racionalidade em momento de desespero por tanto querer fazer valer direito que sabia ter (em um mundo "normal" e onde justiça fosse efetiva e não mera palavra bonita) ou mesmo um vendedor que tenha se entendido injustiçado com alguma prática qualquer de seu chefe, determinada pelo Grupo, ou por ter sido sem maiores explicações demitido, sabe-se lá. Talvez nada disso, talvez simples vandalismo por parte de desocupados, do tipo que picha muro e destrói patrimônio público, tentando justificar ou extravasar algum sentimento interior de raiva ou frustração que nem ele mesmo conhece ou tenta mascarar, ou vá lá saber a verdadeira causa daquele vidro quebrado.Olho novamente para o vidro e lembro que na casa da gente se providencia o quanto antes a troca. Ninguém quer um cartão de visitas assim. Ninguém quer se passar por "falido".

E a culpa? Há culpa? Para quem devemos apontar o dedo? 

Nesse momento meu dedo que outrora apontava inquisidor se vira para mim... Eu sou o culpado, você é o culpado, nós todos, milhares de consumidores que algum dia compramos uma moto do Grupo IZZO somos os verdadeiros e únicos culpados!

Culpados por simplesmente termos entregado nosso dinheiro e depois não cobrarmos o que tínhamos por certo, um serviço decente, um pós-venda que honrasse tantas marcas, o "mito". Achávamos  tudo normal, natural. Bobos aqueles que queriam o algo mais (na verdade somente o natural, o legitimamente esperado). bradaram alguns. Culpados aqueles que sabendo das práticas de alienação fiduciária de motos novas a bancos totalmente desconhecidos, que  faziam com que as mesmas não pudessem ser prontamente emplacadas - e isso seria o natural! -  ainda assim insistiram, acreditando que com eles seria diferente, que, pelo fato de conhecer o dono ou o gerente da loja, o que aconteceu com o amigo próximo com ele não ocorreria! Culpados os que acharam natural esperar 45 dias para o conserto ou manutenção de uma moto, que levaram a moto no "mexânico" da esquina quando estava na garantia por não confiar no serviço prestado, que deram munição para práticas quiçá de não muita responsabilidade. E mais culpados ainda por se acharem, depois de tudo isso, no direito de reclamar. Maior culpada ainda a turma do "deixa prá lá!".

Diz-se que em casos de "golpe da loteria", há sempre dois culpados, dois bandidos: o vendedor do "bilhete premiado" e o comprador. O vendedor pelo óbvio golpe, e o comprador, pelo desejo de locupletar-se, tirar alguma vantagem... Hoje, inovou-se no golpe, e volta e meia a bandidagem manda uma mensagem de celular dizendo que você ganhou uma casa, um carro, num concurso que você NÃO concorreu. Mas vai que erraram e a casa agora é sua, não é mesmo? No meio de tantos, sempre tem o "esperto" que vai lá entregar o "ouro para o bandido". E o golpe, que deu certo, segue com a corda toda. Culpa de quem mesmo? Daí que muitos casos desses nem chegam ao conhecimento da polícia. É a vergonha que vem à tona, por querer tirar vantagem.

Mas o que isso tem a ver com o "caso Izzo"? Qual a "vantagem" que o consumidor tinha? Qual a minha  responsabilidade nisso?, perguntarão muitos.

Nunca vou esquecer que fiz a minha parte e fui "tripudiado", xingado e até ameaçado. Disseram que eu estava desmerecendo a marca, desonrando o mito, falando mal da moto x, y, z, etc., quando a todo momento eu reclamava da prestação do serviço falho, quando eu via, há priscas eras, que a coisa não ia bem. E isso já faz tempo... Muito tempo! 

E quem sou eu? O que entendo eu de negócios? 

"São apenas negócios...", volta aquela voz querendo vir às primeiras cadeiras da arquibancada, agora mais audível.

"Nunca são apenas negócios...", urro eu como animal acuado e ensandecido, "...quando se trata de paixões, quando se trata de motos!"

Às vezes me vejo sozinho e começo a me perguntar se não sou eu realmente o errado.  Não sou eu o único apaixonado, o louco não correspondido?

Sei que hoje colho apenas aquilo que plantei. Colho ódio, ira, tristeza... Não me restaria outra coisa senão chorar o leite derramado, chorar sobre o cadáver ainda quente. Se num primeiro momento me senti "vingado", hoje não tenho mais essa sensação. Se algum sentimento ainda resta é apenas de pena e de vergonha.  Aquela tal de vergonha alheia.

Mas não se deve ter pena dos mortos. Jamais!

O que se precisa sempre, diante da adversidade, é virar a página, deixar a vida seguir, correr, de preferência sobre uma moto. Mesmo que seja ela uma Harley Davidson, Buell'l, Ducati, Triumph, KTM, Huskvarna, Polaris... 

Faliu ou vai falir? Morreu? Não sei e nem interessa mais.  Não merece nenhuma de minhas lágrimas nem de ninguém. Não merece um pingo de pena, nem mais uma linha. Um morre, outro nasce. E se espera sempre - elucubro então que esperança deva vir do verbo esperar... - que o que nasce seja melhor do que aquele que já se foi. Assim é a vida.

O que realmente importa no final de tudo, é que nós continuamos vivos. Vivos, felizes e sobretudo com a honra imaculada. Não somos empresários, mas também não vendemos o que não é nosso ou o que não temos. Quando o fazemos, é porque podemos, temos a legítima posse. Não somos ricos, mas pagamos todas nossas dívidas e compramos quando efetivamente podemos e temos meios para tanto. Ao mesmo tempo, porém, não somos otários. Daí que já não há mais pena e extingue-se a vergonha - ainda que alheia - e resquício de qualquer sentimento de culpa.

Monto eu na "Nazá", velha de guerra, com a qual tantas vezes estive naquela loja, sabendo ser a última vez que olho com rabo de olho para a vitrine. Sim, ela é "velha", mas sempre conservada, sempre emplacada, nunca alienada. Nenhuma dor de cabeça jamais deu... Por trás daquela vidraça, não há mais nada para se ver. Dou a partida e sigo meu caminho, de cabeça erguida, sabendo que a luta nunca termina até se chegar ao fim. A minha, portanto, segue. Quanto aos demais...


Parabéns aos verdadeiros motociclistas!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Pilotando na chuva - Dicas de segurança e conforto

Segunda-feira. Ou qualquer outro dia da semana... Você acorda às 6h da manhã, se espreguiça, ouve aquele barulinho característico, lembra que é mais um dia de pilotagem/viagem/trabalho e olha para rua, sem querer acreditar muito no que vê depois de um belo dia de sol.

Lá fora a chuva cai impaciente, incessante. Fica mais difícil levantar da cama e você começa a pensar em vestir todo conjunto de capa, com todo aquele ritual característico: primeiro calça, depois botas, casaco, balaclava, capacete. Isso quando não lhe faltam botas impermeáveis e você tem de recorrer ao boa e velha sacola plástica de supermercado, dando graças por ainda existirem. 

Aqueles que tem carro, já pensam duas vezes, e em muitas delas optam por este último, relegando a moto ao esquecimento, ao menos enquanto a chuva continuar.

Outros, sem muita opção ou apenas verdadeiros amantes das duas rodas, não pensam duas vezes, e saltam da cama no anseio de "pilotar por sobre as águas". Afinal, como disse outro, "Motoqueiro não toma banho de chuva. Motoqueiro lava a alma!".

Mas será que é só isso? É só colocar a capa, sair na chuva e pronto? Há maiores riscos ou não em pilotar na chuva? Existem cuidados e técnicas específicas para enfrentar as tormentas. 

Sim. 

A primeira coisa que você tem de ter em mente quando enfrenta a chuva de moto é que, infelizmente, a maioria dos motoristas não consideram que está chovendo e, ou não abaixam a velocidade ou até aumentam a mesma. Sim! Há louco para tudo nesse mundo! Considere ainda que para caminhões, a chuva não faz muita diferença em termos de visibilidade, pelo que, não raro, tais motoristas andam até mais rápido que nos dias de sol. Isso porque lá de cima da cabine, os "sprays" dos pneus dos automóveis não atinge o párabrisa, pelo que a visibilidade para eles é muito melhor. Claro que o desrespeito e a falta de noção é a única justificativa para fazê-los aumentar a velocidade...

Outros pontos que você deve levar em consideração - além da imbecilidade de alguns motoristas que aumentam a velocidade do veículo em dias de chuva - é que invariavelmente a distância de frenagem de quaquer destes aumenta consideravelmente, seja ele dotado de ABS ou não. E isso inclui sua moto... Nem vamos entrar na questão da pilotagem sobre paralelepípedos, quando você tem de considerar que vai percorrer três vezes a distância normal até parar completamente. Nesse ponto, quando pilotando na chuva, tentar ensinar que a velocidade deve sempre ser diminuída nos dias de chuva é literalmente "chover no molhado", com o perdão do trocadilho.

Adicionalmente, existe sim aquaplanagem em motos, ainda que esta seja diretamente proporcional à largura do pneu. Quanto mais fino for, menor a probabilidade de aquaplanagem e, quanto mais largo, maior a probabilidade. Esta também uma das razões pelas quais em dias de chuva você deve manter seu pneu o mais cheio possível. Já tive experiência ruim de sentir a moto "dançando" na estrada em dias chuvosos. Parei no primeiro posto, calibrei em 37psi's (pneus esportivos, sem câmara) e a moto mudou da água para o vinho, permitindo rodar de forma muito mais segura, com os pneus grudados ao solo. 

Lembre-se ainda que a água pode "atacar" pastilhas de freio e disco. Estas só funcionam bem secas... Quando encharcadas, podem levar maior tempo para freiar, tendo de secar antes... Daí que uma boa técnica é volta e meia secá-las, dando pequenas "beliscadas" no freio dianteiro e traseiro (nada a ponto de frear a moto!!!) quando a chuva é demais. Igual problema, agravado, existe nos freios à tambor. Se voc~e passar por dentro dágua ou a chuva estiver muito forte, lembre-se de volta e meia secar o sistema, acionando de leve o freio de tempo em tempo. Isso lhe garantirá uma freagem mais segura quando você necessitar do freio. 

No mais, procure se manter o mais confortável possível sobre a moto e fundamentalmente seco! Irritação e pilotagem não combinam! Se você teve de encarar a chuva, faça isso numa boa, sem estresse. Tenha sempre um bom conjunto de chuva. Se encontrar macacões de chuva, são a melhor dica para a tormenta. Ainda que um pouco mais difíceis de se vestir, mostram-se mais práticos e fundamentalmente mais impermeáveis (quando de boa qualidade) que a roupa "duas peças".É a minha indicação para quem viaja de moto ou a usa no dia-a-dia, sem medo de chuva...


Finalmente, lembre-se: moto, no seu caso, pode ser uma escolha, um estilo de vida... É o que você quer!

Para mim, o melhor dia para se andar de moto é todo dia! Esteja chovendo ou não, faça frio ou faça calor. Não troco a moto pelo carro, e pode chover canivete!!! Loucura? Talvez... Já concluí que todo motociclista é um pouco louco mesmo.

Afinal, o bom motociclista/motoqueiro/motocicleiro não toma banho de chuva. Lava a alma! Não é assim?

E você? Tem lavado a sua alma? Vale a pena...

Até breve!!!


Crédito das fotos:
1a. - blog Vivendo Porto Alegre - http://www.blog-vivendo-porto-alegre.info/
2a. - blog do Luna - http://blogdoluna.blogspot.com.br/
3a. -

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A melhor marca de moto do mundo!

Já briguei feio - e quando digo feio, é feio mesmo, com ameaça de morte, inclusive - por conta de paixões quanto a marcas e modelos de motos. 


Hoje considero isso uma grande bobagem! Coisa de criança até, eu diria...

Lembro que conhecido, há coisa de 10 anos, defendia que as Harleys era a melhor coisa que foi feita desde as pirâmides do Egito e época que meu pai não era nem nascido, enquanto eu, era adorador ferrenho das Suzuki's e suas altas cilindradas e velocidade. 

"Velocidade não é nada!", dizia ele. "Não me adianta velocidade em cima de um monte de plástico que, além de se desmanchar, é coisa de modinha, ano que vem sua "jáspion" já não vale mais nada e a tecnologia dela vai estar ultrapassada... Jáspions que nem vocês ficam correndo alucinados e se perdem na primeira curva. Não chegam ao destino. De que adianta???".

É óbvio que eu não poderia entender o lado dele! É óbvio que ele não tinha nenhuma razão ou fundamento naquele monte de besteira que estava dizendo. E lá vinha eu com montes de pedras na mão, mirando com vigor todas as Harley's existentes no mundo dos vivos ou dos mortos, tentando calar-lhe a boca:

"Ah... Bom é Hargley, né? Ficar juntando as peças que caem no caminho dessa traquitana que vibra mais que liquidificador velho". E dava ênfase à sequência. "O que adianta, além de não ter velocidade, ficar com esse caco velho que vale só como relíquia? Isso é peso morto! Serve bem as peças para peso de papel. Moto de tiozinho, de véio...".

Horas e horas se passavam, argumentos mil, trazia correligionários para um lado (eu tinha bons argumentos, e ou era convincente, ou achavam bom não contrariar doido ou ainda queriam ver mesmo o "circo pegar fogo"...), saudosistas se atiravam pro outro lado, americano. Parecia uma verdadeira guerra fria. E foi aí que então a coisa começou a descambar para as agressões pessoais, ameaças veladas e depois claras. Comecei a andar de moto olhando para os lados, para o retrovisor, à frente e atrás. Tinha por vezes até a impressão de estar sendo seguido (e morando no Rio de Janeiro, me desculpem os cariocas, não duvido estar sendo mesmo, não por ninguém à mando, mas pela bandidagem de olho na minha moto e só) e aconteceu até de eu "deitar o cabelo" quando via piloto e garupa se aproximando de forma "esquisita". Talvez esse o lado bom da paranóia...

Depois mudei de moto, de marcas, me isolei um pouco. Comecei a andar em tudo que é tipo de moto que poderia, cheguei à conclusão que o mundo "custom" não mais me atraía, deixei o lado "jáspion" de lado - por onde tive passagem meteórica vendo que o conhecido tinha lá suas pontas de razão sobretudo quanto ao fator da tecnologia e velocidade que não leva longe sobre uma moto - amadureci, vi que discussões bobas não levam à lugar algum, sobretudo quando se trata de defender marcas, que, muitas vezes, não estão é nem aí pro consumidor, ainda mais brasileiro.

É claro que ainda tenho predileção por certas marcas e sobretudo modelos... Sonhos de consumo? Ainda presentes, é lógico! Neles uma BMW R80G/S.


A diferença é que atualmente eu gosto é de motos.

Mas que Harley Davidson prá mim só serve como peça prá peso de papel, isso é fato. He, he, he!!!

Quando se fala de motos, se fala de paixão. Jamais de razão...