terça-feira, 27 de março de 2012

Motos inéditas! BMW R1300GS? Triumph Tiger 2012? BMW G650GS Sertão? "Novos" (???) lançamentos em breve!

Já estão chegando...

A R1300GS (ou outro nome que derem), provavelmente para final do ano, início do próximo. No Brasil, alguns meses (ou quase ano) depois, de certo.

De minha parte, aguardo ansioso a G650GS Sertão! Pelo que andei bisbilhotando, chegará em maio às concessionárias BMW. O que, diga-se de passagem, acho verdadeiro absurdo. Absurdo porque na Europa a Sertão já está no mercado desde o ano passado. Mas, peraí! A Sertão não é feita aqui no Brasil, como uma homenagem ao nosso sertão, ao Rally dos Sertões?

Sim, mas e daí?

Daí que estamos na Terra Brasilis... Não vai de longa data, porém, que a coisa era pior, e que não os últimos, mas só "o que sobrou" vinha para cá. Prática que a Honda ainda insiste com a Transalp (só chegou no Brasil no seu último suspiro) e outros grupos como o JToledo fazem questão de esquecer que existem atualizações, insistindo, por exemplo, na DL-VStrom 650 "pelada", quando lá fora à muito já tem inclusive ABS.

Ainda assim, antes era uma "luta" para comprar! Quem não lembra das BMW F800GS? Ou das 650 Twins? Quando aqui aportaram, custavam mais de 45 mil a 650 twin e a F então, era prá coisa de mais de 50 mil!!! Isso sim era triste! Conclusão que você comprava uma R1200GS usada pelo valor de uma 800 nova. E claro, sem tirar o mérito da 800, a R1200GS é muito mais moto, dependendo, é claro, do seu biotipo, tipo de tocada que quer impor, terreno que vai transitar, etc. Começaram a montar no Brasil, abaixo de críticas de ser BMDafra, mas está aí, firme e forte e, o principal, mais em conta.

Aí você pergunta de quem é a "culpa", e a tendência de atribuí-la a BMW do Brasil é enorme! Mas, será que é assim mesmo?

Não vou sair defendendo empresa alguma, mas é fato que para uma empresa estrangeira é muito mais negócio mandar dinheiro para fora do Brasil primeiro, fortalecendo a própria indústria estrangeira, do que deixar tudo por aqui já de saída.

Papai Noel não existe. Coloque-se no lugar. Imagine que você está lá no exterior, ganhando uma boa grana, mas morando "de favor" ou de aluguel. Você vai colocar toda a sua grana na reforma do imóvel do seu senhorio ou vai mandar o dinheiro pra família reformar/aumentar ou construir sua casa? Ou então mesmo que seja aqui e você está construindo sua casa... Quem irá privilegiar? O locador ou injetar grana para garantir seu próprio e futuro imóvel?

Alemão privilegia alemão. De minha parte não estranho nada - empresarialmente falando - que na Europa e outros lugares já tenham a Sertão e aqui não. Mas que vou morrer achando um absurdo, isso eu vou.

Enquanto alguns dormem em cima das palhas, já tem importador independente trazendo desde Triumph Tiger 2012 à Ducatis e congêneres.


Hoje em dia não há mais consumidor bobo. Nem sendo brasileiro. Estamos parando de aceitar contas coloridas e espelhinhos em troca de ouro...

domingo, 25 de março de 2012

As motos, o couro de burro e o de vaca...

Volta e meia quando vejmos um motociclista sem equipamento de proteção, costumamos pensar: "Couro de burro é bem mais caro do que o couro de vaca."
Dia desses, lemos sobre um Deputado, do qual nem nome lembramos, com mais uma proposta de lei que impactaria diretamente a vida dos motoqueiros/motociclistas. A propósito, é incrível a capacidade elocubratórias destes legisladores, e ultimamente tem predileção pelos motoqueiros (ou motociclistas, como preferir o leitor). Essa, porém, não era tão absurda quanto as que já vi (para mim, a pior de todas foi a tentativa de proibir o garupa!), e, em tese, restringia-se a tornar obrigatório o equipamento de segurança por parte do piloto, incluindo aí, além do capacete - item de segurança que não mais se discute a necessidade - também botas, casaco e luvas, além de calça comprida.
Diga-se de passagem, de plano, tudo isso é uma redundância, pois o Código de Trânsito já conta com artigo próprio determinando que se use vestimenta e calçado adequado para dirigir/conduzir veículos (leia-se aí pilotar motos também) e é mais do que óbvio que chinelos de dedo ou as sandálias de toda sorte de modelos que as mulheres usam, não são e nunca serão calçados adequados!
Lá pelas tantas, amigo nos veio com a frase fatídica, que não deixa de ter sentido: "de boas intenções, o inferno está cheio!".
Discutimos longamente sobre a necessidade ou não de equipamentos de proteção, à todo momento. É claro que é quase inviável - e atire a primeira pedra quem nunca o fez! - se pensar em ir até as duas ou três quadras de distância onde fica a padaria, num dia quente de verão, trajado dos pés à cabeça como quem vai pegar a estrada. Nestas ocasiões, as luvas e calças compridas, normalmente são esquecidas, e a jaqueta então...
Há que se ter um meio termo. O equilíbrio é a base de tudo na vida, sem dúvida! Claro que não gostamos nem de ver - e nos embrulha o estômago - motoloucos "ousados" de chinelo de dedo e bermuda sobre uma moto, como quem está de biclicleta. Pior ainda, vê-los conduzindo nas estradas, à altas velocidades, o que não é cena nem um pouco rara.
Mais...
A tal lei, se passasse, não seria mais um "nicho de mercado", onde se precisaria então selos do INMETRO e congêneres para tudo quanto é equipamento? Não teríamos vistorias de luvas, jaquetas, calças e outros equipamentos, que, ao final das contas, não poderiam mais vir na mala do que pode ir ao exterior fazer umas comprinhas ou importar os melhores equipamentos de forma direta, "protegendo" assim a indústria nacional, que tanta coisa de nem sempre tão boa qualidade nos "empurra"? Pois até hoje ninguém conseguiu me convencer que um Taurus, com selinho é melhor do que um Arai ou Shoei SEM selinho do INMETRO.
A lei é dura, mas é a lei. Se passar, passou e terá de ser cumprida, o que pode se tornar um grande problema de protecionismo do mercado nacional, de mácula ao direito do trabalhador menos abastado, que vai se obrigar a comprar casaco de proteção e botas, além de bauleto para carregar e guardar toda tralha ao chegar ao trabalho, etc.
O real problemá, é um só: nossos legisladores, normalmente não entendem é lhufas sobre motos, mas ainda assim querem legislar sobre.
O entendimento final, para mim e para Kyt deveria ser um só: que todos compreessem que o couro de burro é bem, mas bem mais caro do que o couro de vaca.
Cada um sabe o quanto vale o próprio couro.
De nossa parte, se um dia tivermos a infelicidade novamente de ralar, preferimos que seja mais uma vez o de vaca.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O que as BMWs F800GS e G650GS Sertão tem que as outras não tem?

Ando meio apaixonado...

Paixão é aquela coisa, que faz você esquecer pontos ruins e só exaltar os bons.

Estou falando da "talzinha" da BMW F800GS e da "fulaninha" G650GS Sertão, de quem você já deve ter ouvido falar, sabe de alguém que já desfrutou da mesma ou já a tem se é um cara de sorte. Na pior das hipóteses, está no mínimo louco para experimentar.

E não lhe condeno pela loucura.

Os que acompanharam as postagens anteriores sabem bem que minha paixão maior sempre foi pela R1200GS Adventure, que é moto tal a ponto de eu não ver outra que possa se equiparara a ela, por mais que as outras marcas tentem incansavelmente imitá-la. Para mim a Adventure é uma moto madura... Ou talvez eu pense assim apenas por estar cego de paixão! Porém nesses últimos tempos, resolvi tomar um banho de realidade, ainda mais com os preços que estão sendo praticados na Adventure. Acontece que infelizmente as 1200 não são ainda montada no Brasil (e dificilmente serão, pelo que dizem as más línguas) o que acaba elevando sobremaneira o preço das mesmas, ao ponto da Adventure já rondar novamente a casa dos R$ 100.000,00, o que eu acho um pouco demais para uma moto, ou, vá lá, para os meus padrões atuais.

Bom... Além disso eu, beirando meus 40, vi que toda musculação do mundo não tem sido muito eficaz nos meus 73kg e 174cm de altura. Embora tenha boas pernas e bons braços, levantar uma moto de mais de 260kg tombada, não é prá qualquer um. Sem falar, lógico, se em viagem, quando iria estar com cases laterais, top case e bagagem, estaríamos falando de beirar mais de 350kg. Ou seja, nem que fosse alterofilista tirava ela da horizontal. Então, resumidamente, não é moto prá mim. Já a tive, e digo, fora quando se está rodando, é um suplício. Estacionar é difícil, tirar do cavalete central outro parto (assim como colocar) e mesmo uma parada em pedágio tem de ser calculada, pois qualquer vacilo que lhe tire o ponto de apoio por segundos, é chão na certa! Se deixar a moto cair... Reze para umas quatro boas almas, no mínimo, lhe auxiliarem a levantá-la.

O ponto principal nem são só esses (preço e peso). O fato é que a Adventure não é motinho para o dia-a-dia. Para quem viaja muitooooo (tipo uns 50k km por ano), não duvide que vale cada centavo, mas comprá-la para a deixar parada ou para apenas UMA viagem maior ao longo do ano, no meu conceito é crime inafiançável. Em síntese, se você é "peão", assalariado e celetista, se tem apenas 30 dias de férias ao ano como eu, não recomendaria a Adventure.

E aí o que acaba "sobrando" mostra tanta qualidade quanto...

Na F800GS, tirando as partes ruins de falta de bolha alta de fábrica (a original é ridícula!), falta de protetor de manete, falta de protetor de cárter de fábrica decente (aquele troço de plástico que vem nela não serve prá muita coisa) e um tanquezinho miserável (quem mandou colocar embaixo do banco), de resto é só alegria!!!

Você chega com ela fácil a velocidades bem razoáveis de cruzeiro mesmo carregado, e geralmente sobra um motorzinho para umas arrancadas mais rápidas. Não faz feio nem no trânsito urbano e nem na estrada. Vai bem até no rural, naquela estradinha de chão maliciosa. O desesperador tanquinho de 16 litros, se você "segurar a onda" pode lhe dar uma autonomia de mais de 300Km, o que é suficiente para a maioria das pernas pela América do Sul (fora um que outro descampado na Ruta 40 e outros fins de mundo) e já é mais do que muita moto que se insinua no mercado.

Com um tanque pequeno, se ganha em agilidade (todo ônus tem seu bônus, e geralmente vice-versa) e ficamos com um peso em ordem de marcha nos 207kg, o que significa que mesmo com a moto carregada, você vai rondar os 250kg, algo bem mais razoável de se pensar em tirar do chão do que os mais de 350kg da Adventure. Até sozinho no meio do nada você já se vira bem sem ter de rezar muito.

Aquelas rodas raiadas dela vem bem a calhar, e se me dissessem hoje para escolher entre uma R1200GS "normal" e uma F800GS, eu não titubearia em me abraçar com a segunda. Já vi muita gente reclamar do banco ruim, e da bolha praticamente inexistente, mas para isso há a solução do banco modelo "confort", da própria BMW e a bolha que você troca pelo modelo "touring", deixando a F800Gs com cara de "mini-adventure". Pros mais exagerados e que querem mais emoção, nem vou falar na possibilidade de um tanque da Touratech, porque aí já começa a virar sacanagem...

A G650GS Sertão por sua vez, não fica lá muito atrás, embora eu não seja exatamente um adorador das monocilíndricas. Reconheço, porém, a facilidade de manutenção de uma mono, sabendo que nunca será dor de cabeça, esteja onde você estiver. Monos são quase como "fuscas". Difícil o mecânico da esquina não saber dar uma reparada, ainda que neste caso estejamos falando de uma BMW, um tanto mais complexa.

Na estrada, também não faz feio, e velocidades de cruzeiro até um pouco acima do que as nossas "esburacadas" rodovias brasileiras permitem são possíveis, ainda que você esteja com garupa. Caro, você vai sentir falta daquele motor à mais nas utrapassagens, mas nada que venha a lhe causar sustos. Mais ágil do que um carro ela continua sendo. Como deve.

Se formos para as vicinais, encarar uma estrada de chão então, aí a Sertão vai estar no seu lugar preferido! Magrinha e atrevida como ela só, nos seus 193kg em ordem de marcha é tão leve quanto qualquer moto de cilindrada bem menor. Se você quiser carregá-la (e aí vamos lembrar que você deve carregar uma moto de acordo com o tamanho dela, e não de acordo com o SEU tamanho ou tamanho da viagem que pretende fazer), vai ficar tranquilo na casa dos 230kg estourando, o que ainda deixa a moto levíssima e extremamente ágil. Coloque um equipamento básico de camping no bagageiro e tenha momentos "bicho grilo" inesquecíveis.

Claro que o tanque de 14 litros desanima mais ainda que na F800GS, porém dá para tentar uma autonomia maior de que 300km, com a mão leve. Aliás, tenho que aí a proposta da Sertão: é uma moto que não veio para viajar rápido. Ela vai lhe levar longe, não tenha dúvidas, mas rápido, aí é outros quinhentos. Se bem que se estivéssemos tão preocupados com velocidade, não estaríamos falando de motoaventura ou BMWs GSs, e sim do mundo "jáspion", o que não é a idéia deste espaço.

E no dia-a-dia então... Não tem prá ninguém! É moto que dá prá "subir calçada e botar medo nas velhinhas", como diria amigo meu. Quem tem uma moto grande e outra "pequena" em casa, sabe do que estou falando. Quando você acostuma a grandes motos, as menores passam a ser verdadeiro brinquedo de criança. E como divertem!!! Você manobra elas com a facilidade de quem conduz uma bicicleta.

Pronto!

Depois de tudo isso, agora tenho outro problema... Qual delas, afinal?

Minha vontade eu já sei qual é: AS DUAS!!!

Já você, que pode escolher, pense bem antes de decidir. Porque o que uma tem, a outra não tem. Ou era o contrário?

Paixão é triste...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A nova BMW R1250GS arrefecida a água está chegando!!!


Bem....

Parece que agora não tem mais volta mesmo! Finalmente a nova R1250GS Adv (que provavelmente venha a chamar-se de R1300GS) já anda circulando pela europa em testes finais ao que tudo indica. Dizem as boas líguas que no Salão de Milão já estará exposta, começando a ser comercializada em 2013.

Apesar de contar com algumas "máscaras" já é possível vislumbrar bem as linhas da mesma.

Não deve ser mudada muita coisa com relação a peso e potência da moto. Se por um lado podem se suprimir alhetas do motor reduzindo o peso, por outro tem de se somar o radiador e provavelmente uma ventilação forçada. Da mesma forma, dizem alguns que a intenção da BMW com a refrigeração líquida não parece ser aumentar a potência do motor da GS, mas sim simplesmente cumprir as cada vez mais rígidas normas de emissões européias, seja de gases, seja de ruído. Aliás, a R1250Gs deve vir por conta disso ainda mais silenciosa. Claro que é difícil acreditar em tal tese, e a maior probabilidade é que a nova GS ultrapasse os 120cv de potência. Coisa que, para quem gosta de um bom motor que empurra forte, nunca é demais!

Ainda no quesito motor, se afirma que absolutamente tudo neste é novo, não havendo nenhum aproveitamento de peças ou partes originárias do motor "antigo" da R1200GS. É segurado no quadro por cima, prometendo maior distância do cárter com o solo. Ponto para o "off road".

Tudo indica que os cilindros do bom e confiável motor "boxer" sobem um pouco, ficando mais próximos do joelho do piloto, ao contrário de próximos à canela, como ocorria antes. Por conta dessa subida, as curvas de alta devem ficar um pouco mais confortável, ganhando o modelo em esportividade. O cano de escape é outro item que deve chegar com alguma mudança, vindo achatado em vez de oval como nas versões anteriores. Ganha-se com isso em espaço. Parece, contudo, muito alto, o que pode trazer prejuízo ao conforto do garupa e reduzir um tanto o espaço interno das malas laterais. Nada que a BMW não tenha pensado, óbvio, e não vá resolver se representar mais um problema do que uma solução e/ou inovação.

O cardã muda de lado, juntamente com o cano de escape. Há uma "troca", indo o cardã que estava na direita para a esquerda e o cano da esquerda para a direita. De quebra, ganha linhas mais "agressivas", adotando a cara bandida das concorrentes. Como sempre, chega-se o ponto que nunca se sabe "quem imita quem".

Suspensões não devem sofrer grandes mudanças, vez que o sistema telelever e paralever vem se mostrando imbatível ao longo dos anos, com nula tendência à mergulho natural na maioria das motos por melhor conjunto de suspensões que usem.

Bonitos faróis de "led" - estilo "anjo" ou coisa assim - devem fazer parte das novas GS, deixando a iluminação diurna mais nítida e segura.

De certo se tem que a nova R1250GS - ou R1300GS - não vai deixar barato à concorrência que vinha querendo colocar as unhinhas de fora. Vem com nova máquina para manter a liderança de mais de 30 anos no setor das "big trails", onde o "top" foi e pelo jeito sempre será da BMW.

A nós, brasileiros, resta esperar e torcer para que a BMW do Brasil traga as R1250GS refrigeradas para o país para desfrutarmos o mais breve possível da top de linha do segmento big trails.

Quem viver, verá! Ou pilotará...

As motos na minha vida

Tenho a impressão de que gosto de moto desde sempre. Minha primeira lembrança de motos foi olhando entre os bancos dianteiros do velho "opalão" azul de meu pai, naquela época que não existia exigência de selinho em capacete, não existia cadeirinha de criança e a gente brincava de carrinho de rolimã em lombas que dariam medo à muita gente grande e - o que seria um crime hoje - se tomava banho de chuva sem se preocupar com o que está na moda: uma tal de "virose", que deve ser prima da mula-sem-cabeça ou é simplesmente coisa da medicina prá definir desde dor de barriga à resfriado. Em tal dia, recordo de ter visto a traseira de uma moto qualquer, e o cara disparando na frente quando o semáforo abriu. Creio que foi nesse dia que decidi teria uma moto...

Depois desse episódio, eram tardes no pátio de casa, ouvindo de longe os intermináveis "nhééééssss" das DT's, os "toc-toc-tocs" das XLX's e os "Pruuuuuuussss" das CB's maiores (raríssimas) que passavam em frente à casa, quando eu sempre parava as brincadeiras prá prestar atenção nas batidas do motor e comentava "É uma DT", "É uma XLX" ou "uma CB!" para mim mesmo em voz baixa, sob os olhares curiosos de minha mãe, que não entendia em quê eu prestava atenção.

Mais guri, o sonho era ter uma Caloi Extra Nylon e colocar tampa de plástico presa junto aos aros das magrelas e achar que estávamos de moto; era o máximo. Os mais abonados, no estilo Harley Davidson iam de "Tigrão". Na adolescência mexer nas CBzinhas (a gente jurava que era mecânico dos bons! E efetivamente conseguíamos sim montar e desmontar meia moto!!!) e nas Garelli's era o "must". Claro que isso era coisa dos "filhinhos" de papai (mas sempre tinha uma amigo da gente que tinha uma...).

Passou a infância e a adolescência. Moto prá mim, infelizmente (ou felizmente, vá saber!), só a dos outros. Meu pai era fortemente contra motos (e é até hoje!). Dizia que um dia que uma moto entrasse na garagem de casa, não durava um dia. O mínimo que faria - ameaçou minha irmã quando essa embestou aos 18 que compraria uma moto - era furar os dois pneus à faca. E ai dela se reclamasse. Moto em casa? Mas nem com banda de música! Melhor era nem falar nisso.

O tempo foi passando, fui galgando os degraus da vida, me formei, empreguei-me, desempreguei-me, empreguei-me, desempreguei-me, empreguei-me, desempreguei-me... ...e finalmente me posicionei na carreira que escolhi. Só então parti para a minha primeira moto. Uma shadow 600, cor champagne. E desde então, vão-se quase dez anos, mais de 150000km e muitas alegrias sobre motos.

Alguma coisa faltava porém.

As minhas motos nunca combinaram com os apartamentos onde morei. Resolvi então pela casa. Está em construção, e a obra vai adiantada. Por hora, estou em uma casa alugada, e por alguma razão 100% mais feliz do que quando morava em apartamento. Modesta, mas é uma casa, com jardim, quintal. Eu precisava voltar às origens. Quem sabe resolver alguma coisa mal resolvida apenas? Não... Não é só isso. No pátio, volta e meia lembro de musiquinha que meu filho ouve em DVDs infantis:

"A gente que mora na fazenda;
Gosta de olhar pro céu.

De dia vê as nuvens, ouve o vento;

Quem mora na fazenda sente mais o tempo..."

Essa foi a razão.

Hoje em dia a maioria de nós está fadado a morar em apartamentos. Poucos são os que conseguem ir residir em casas. Depende, é lógico, do sonho de cada um . O que para mim é bom, prá outros podem não ser.

Assim como acontece com as motos. O que para a gente é bom, para outros pode não ser.

Mas convenhamos! Poderíamos trocar um pouco a música e simplesmente sair cantarolando:

"A gente que anda de motoca;
Gosta de olhar pro infinito.
Tem dias que sente a chuva, dói o vento;
Quem anda de moto sente mais o tempo..."

Sei lá.

Não tive "Tigrão" e nem Extra Nylon, muito menos Garelli. Mas no momento que a vida me brindou com a possibildiade de ser motociclista/motoqueiro, não tenho mais nada do que reclamar.

Morando em casa então...

E hoje, enquanto olho a velha XLX na varanda, volta e meia brado sem nenhuma vergonha à minha esposa e filhote que corre no quintal ao ouvir o cada vez mais raro "nhéééé...":

"É uma DT!"





* o post de hoje vai especialmente dedicado à todos amigos que tem aquela paixão inexplicável pelas suas motocas, sejam elas velhas ou novas e que ainda sentem saudades daquelas DTs, XLXs, CBs e outras que tiveram e ao mesmo tempo ficam ansiosos aguardando pelo próximo momento de andar nas que tem e pelas que ainda terão.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Uma garagem só para a(s) motos(s)

Você já se deu conta que as motos sempre estão relegadas à segundo plano, até mesmo na hora de estacionar? Na rua normalmente a moto tem de ficar enfiada onde couber, "onde der", como entre carros, pronta para ser derrubada; em shoppings e supermercados tem espaço - quando isso acontece! - sempre longe da porta de acesso; em hotéis ou estacionamentos pagos lhe olham de cara feia e se aceitarem moto (você de saída - ou de entrada, melhor dizendo - se sente um verdadeiro criminoso!) você vai prá lá debaixo da rampa, no espacinho entre a entrada e a parede ou... Onde der. A moto vai sempre prá "onde der"!!!

Já cheguei a ter 5 motos na garagem, mas, que garagem era aquela? Não minha, ao certo... Nada tinha a ver comigo ou com minhas motos. Estavam lá, no meio das garagens do condomínio, pois mesmo eu usando a minha vaga, era olhado de "cara feia", como se elas simplesmente não devessem estar lá. Nem um nem dois condôminos questionaram síndico o que o raio das motos estavam fazendo lá... Não dava prá liberar a vaga para um carro e enfiar as motos "onde der"? Então elas pareciam simplesmente estarem "jogadas" por lá, devidamente amaldiçoadas pelos moradores, e, por mais que eu tentasse arrumá-las na vaga, elas não ficavam bem .

Sei lá... Eu sou meio maluco, pois penso que as motos tem um certo sentimento, uma sensibilidade que os carros não tem. Vá lá, é um "ser inanimado", ferro retorcido, borracha, um tanto de fios e... Será? Não consigo vê-las assim! Para mim, as motos são como parte da família, e quando recebo um amigo de moto, recebo não só a ele, mas também a moto.

Em março do ano passado fiz um post neste blogger informando que começaria a construir um de meus sonhos: minha casa. No projeto, com o apoio de minha esposa, já estava planejado uma garagem ou um espaço exclusivo para motos! Eu simplesmente cansei de vê-las num segundo plano...

Em junho daquele ano iniciei a construção de minha casa!

Nesse meio tempo, tive de sair do prédio onde morava, principalmente por conta de barulho de vizinhos, mas também por conta das motos. Por algum tempo, também tive de manter uma delas atrás do carro, espremida, em posição que ela não merecia. Isso sempre me doeu de ver. Atualmente, felizmente, ocupam lugar de destaque em minha garagem da casa alugada (a obra ainda não está pronta... Mas já estamos nos "finalmentes"!).

Então comecei a me perguntar por que raios temos essa cultura quanto as motos. Porque a gente não pensa como o americano ou como o inglês, que sabe dar à moto uma posição de destaque? Por lá não é raro o gringo ter uma garagem inteira para guardar seus sonhos. Nós não! Normalmente temos o espaço direitinho para o carro, mas para a moto.... Ah!!! Essa fica "onde der". Que onde der o quê! Chega disso, pô! Deve ser por isso que resolvi então construir um espaço exclusivo para as mesmas. Por hora, "só" duas. Mas a certeza de que outras já estão à caminho para acompanhar as que tenho na garagem. Dia desses, inclusive, falando com minha esposa, perguntamo-nos quantas motos teríamos na garagem, afinal. "Umas dez, prá começar...", disse ela, ao que rebati com "Então umas trinta no futuro, né!?".

Porque não? Agora já podemos! E sim, nossos planos já caminham para esta direção. É lógico que não vamos usar todas ao mesmo tempo mas... Quem disse que não existem outras opções? O que eu quero é ver as motos alinhadas na garagem! Como, eu ainda não sei bem direito, mas o querer já é meio caminho andado. A vida - e o tempo - se encarregam do resto. Assim ao menos tem sido nossa vida: o bom Deus tem nos ofertado justo aquilo que queremos, desde que dêmos o devido valor para o que nos é alcançado. Daí que hoje tenho como primordial tratar bem minhas motos, da mesma forma que faço com minha esposa, meu filho, o pessoal que trabalha comigo, com meus vizinhos, amigos que me procuram, clientes, etc. Aprendi, nestes últimos meses, coisa que hoje carrego como lição de vida algo muito simpels, mas que por vezes a gente esquece: agradeça por aquilo que tem, e mais daquilo é o que você irá ter!

Elas não vão lhe exigir muito não! Qualquer galpãozinho bem montado de madeira no fundo do quintal, vai satisfazer o desejo delas de serem bem tratadas, e aí, com certeza elas vão se esforçar para trazer as amigas para junto. Quem acha que moto é ciumenta, se engana muito! Claro que, se assim achar, assim será. Mas eu gosto é de muitas! Um harém de motos! Porque não? Tenho amigos que digo serem "moto promíscuos", por estarem sempre mudando de uma moto para outra. Eu, por meu turno, que raios! Como me dói sempre me desfazer de uma delas...

Por fim, falando de gringos e de motos, deixo abaixo aos amigos o link que inspirou a escrever esse post. É de um maluco que construiu com as próprias mãos e suor uma grande "garagem" de motos para receber os amigos.

É disso que estou falando:

http://www.motorcyclistcafe.com/forums/showthread.php?1560-The-Motorcyclist-Cafe-Bunk-House-and-Barn
 
Um dia chego lá! Longe, certo que já não estou mais! Afinal, por hora espaço para as primeiras dez eu já estou construindo. E o mais importante, eu já tenho também: o apoio incondicional de minha esposa amada, a força de vontade para concretizar o sonho e os amigos!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

As motos e a "Teoria do Medo"

Você já pensou como quer viver seu 2012?

Veja bem! Não é porque virou o ano que agora tudo mudou, hein!? Ou sim... Porque as mudanças das coisas não estão nas coisas, mas sim na sua cabeça, na forma de ver o mundo como um todo. Vai de a virada de ano tenha virado algo em sua cachola também.

Tenho uma teoria de que estamos vivendo (viver + andar + ver? = olhar durante o caminhar através da vida? No trajeto da vida?) em uma época em que o medo rende dividendos, sendo o negócio do século, capaz de alavancar todos outros negócios da atualidade! O quente, ao contrário do que se pode inicialmente imaginar, não é a tecnologia! Isso vem só na esteira do melhor produto.

Medo é o que mais vende/rende.

Pelo medo se vendem imóveis afastados da cidade, ou se empilha gente como galinha em puleiro porque o prédio promete vigilância 24 horas, câmeras de segurança noturna e grades de última geração prá você ficar confortavelmente enclausurado (tá... E daí? Qual a vantagem quando se vêem agora "arrastões" em condomínio de luxo? Qual a vantagem quando se tem um vizinho barulhento em cima e outro embaixo, sem falar no do lado?). Dá lucro à empresas de segurança, à sistemas de alarme, câmeras de vigilância, cães treinados, cerca elétrica e fotocélula. Por conta do medo você vende carros mais potentes e até Harley Davidson (já que bandido conhece muito bem a diferença entre moto e Harley Davidson...). O que vende SUVs então, não está no mapa! Mas... Prá quê SUV para quem roda 99,9% em asfalto ou dentro da cidade, pô? Ah... Prá passar por cima de bandido, claro!

O medo vende geladeira, frigobar, televisão, liquidificador, ar condicionado, banheira, fogão, tapete e até grama. Tudo prá vc ficar no conforto - e segurança - do seu lar 10x10. Medo ajuda locadoras e telentregas. Bomba as vendas nos shoppings. Lota resorts. Faz o e-commerce ir ao espaço.

A política corrupta - que dá medo! - faz vc votar no nobre desconhecido ou no palhaço, e continuar depois de décadas a acreditar no salvador - no caso, salvadora - da pátria. Você sabe que tá ruim e acaba achando que pior não fica.

Protege o grande empresário (que medo dá empreender nesse país onde a tributação gera calafrios!), dá emprego para centenas de assalariados medrosos, eleva sindicalista à cargo de confiança, engorda os quadros do funcionalismo público (tambem gera mais aumento impostos ainda, mas, fazer o quê? O importante é a segurança...). Esse ótimo produto ainda ajuda a vender plano de saúde, seguros de todas espécies e remédios aos borbotões, educação particular, água engarrafada (óh, que risco tomar água da torneira!), ionizada, comida enlatada, repelente e inseticida.

E, para fechar a banca com chave de ouro, até moto o medo vende!

Pois vá que da próxima vez o engarrafamento esteja maior e você se atrase...

Que medo!!!

Porém há um setor onde o medo tem falhado de modo infame: ele não venderá jamais sua liberdade. Porque isso é uma coisa que depende exclusivamente de você e de sua maneira de ver o mundo.

O contrário do medo, embora muitos tenham esquecido, não é a segurança.

O contrário do medo é a CORAGEM!

*Gostaria de homenagear por esta os amigos Eduardo Wermelinger e Marcelo Resende (vide http://www.rotaway.com.br ). Mesmo abaixo de mil e uma recomendações para evitarem, sairam da segurança de seus lares e foram se enfiar em meio ao desconhecido, no "berço do mundo", lá no Continente Africano, superando seus maiores medos. Parabéns aos amigos!